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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CRISE DO MODELO POLÍTICO 06/10/2011 O artigo
de José Viegas Filho, publicado na página 3 da
Folha de São Paulo (A solução não será
dada pelo mercado), embora abra com o correto diagnóstico de que a crise
mundial é profunda e prolongada, revela que o autor está profundamente
equivocado quanto a sua etiologia, desde o título. Comento o artigo para
sublinhar que esse erro de diagnóstico do autor é espelho do erro de todo
mundo ligado aos partidos de esquerda e à burocracia estatal. Dizer que a
presente crise se dá por causa por falta de “mais” Estado – “mais” regulação –
é um engano monumental, é a própria negação do real. Escreveu
José Viegas Filho: “Recordemos
que toda essa situação foi produzida pela euforia das grandes corporações
financeiras, que durou até 2008 e nos levou à crise, sem a "ajuda"
de ninguém -nem comunistas, nem terroristas, nem anarquistas, nem operários
rebeldes- e na vigência da mais ampla desregulação
e livre-iniciativa”.
Toda
a história do século XX foi a acumulação de
interferência estatal não apenas na vida econômica, mas em todos os recantos
da ação humana, uma hipertrofia de regulação que fez do Estado o ente
transferidor de renda dos que trabalham para legiões de pessoas ou que não
trabalham ou que enganam falsamente empregadas no setor público, onde mais
das vezes a produtividade do trabalho é zero. O que podemos ver,
especialmente depois dos espasmos provocados pela crise de 2008, é que a solução “mais” Estado não apenas é contraproducente, mas
é inviável. A crise econômica é o espelho do esgotamento do modelo político
social-democrata, hegemônico desde a Segunda Guerra Mundial. José
Viegas Filho aponta a livre iniciativa como causa
da crise, uma delas, ao lado da regulação. Ora, quem salvou o mundo da
miséria endêmica foi justamente a livre iniciativa, que inclusive permitiu
que essa forma corrompida de poder, que se abriga no rótulo de
social-democracia, tenha vindo ao mundo e persistido por décadas. A
social-democracia parasitou os frutos do liberalismo. A presente crise é o
esgotamento desse modelo político, que tem precisamente o dom de sufocar a
livre iniciativa. José Viegas Filho escreve como se
o Estado e sua burocracia fossem capazes de criar alguma coisa, agregar algum
valor. Criam, isto sim, o reino dos monopólios e da
injustiça distribuitiva, penalizando quem trabalha
em favor dos parasitas de todos os matizes. O Estado social-democrata é o
reino da distorção ética precisamente porque não respeita méritos. Achar
que a velha fórmula do pós-Guerra
ainda é válida é um engano colossal. A crise veio para destruir o que está
errado, para despertar a ira dos injustiçados. O mundo terá que voltar aos
valores esquecidos em 1939. O Estado terá que ser reduzido, bem como a sua
vasta burocracia. Os regulamentos terão que cair para dar lugar à liberdade e
à livre iniciativa. De novo, o “deixa fazer, deixa
passar”. Esta é a fórmula para a superação da crise atual, tão simples e
tão eficiente como se mostra à primeira vista. A engenharia social que a
social democracia se quer portadora está esgotada, todo o keynesianismo
deverá ser abolido se as pessoas quiserem voltar à trilha da normalidade
econômica e da prosperidade. Em outros
termos, o século XXI precisará descobrir as lições eternas do liberalismo
econômico e da sabedoria política conservadora. O delírio do sonho impossível
das esquerdas acabou. A realidade exige o seu lugar na ação dos governantes. A
verdade é precisamente o oposto do título doa artigo: A solução será dada
pelo mercado. Exclusivamente. |
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