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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CRISE DA ESTUPIDEZ 28/11/2008 Entendo
que a abordagem de autores como Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Robert Michels ao estudar a formação das elites se esgota no
aspecto descritivo. Esses autores constataram a existência de elites
econômicas e políticas ao longo de história e o mais óbvio, que não há como
existir um corpo social sem que uma elite dirigente seja constituída por
qualquer critério, legítimo ou ilegítimo. Outra
coisa é compreender a responsabilidade que as elites constituídas carregam Na mesma
linha, a obra de Irving Babbit sublinha a
necessidade vital para a ordem democrática da emergência de lideranças
ativas, conscientes de seu papel moral enquanto dirigentes. Seu livro
DEMOCRACIA E LIDERANÇA é especialmente instigante
por conter a mais sólida crítica à filosofia de Rousseau (capítulo II) já
escrita, que na prática demonstra a incompatibilidade de uma liderança moral, comprometida de fato com os
valores superiores, e a igualdade geral defendida pelo genebrino. Babbit é atualíssimo e precisa voltar a fazer parte dos
currículos universitários, se é que algum dia o foi no Brasil. É
fundamental a idéia de que o líder precisa conduzir a sociedade e não se
deixar conduzir por ela. Basta olhar em nossa volta, com a eleição de Barack Obama e de Lula por
aqui, para se perceber o abismo em que se encontra o mundo. Não é mais o
cachorro que balança o rabo, é o rabo que balança o cachorro. O bordão “Yes, we can” é esse grito da multidão para o falso líder, que
não tem o preparo adequado e nem a disposição de impor às massas as decisões
necessárias para o bom governo da sociedade. E tenho
que comentar de novo a obra de Voegelin, HITLER E
OS ALEMÃES, porque nela o autor mostrou que o fenômeno do nazismo pode ser
lido como uma constatação do aviltamento da elite dirigente ao nível das
massas, isto é, a estupidificação da elite. Voegelin vai mais longe, ao qualificar essa elite
pervertida de “ralé”, sem tirar nem
pôr. É precisamente o que estamos a ver nos EUA (e entre nós também, mas
seria tema para outra reflexão). A crise
econômica que explodiu com a bolha do subprime é
exatamente o resultado do uso ilegítimo dos poderes do Estado para a
satisfação do imediatismo do apetite das massas. É a omissão das elites e até
mais: é a perversão das elites. Os fatos: 1- a lei da escassez existe e não
pode ser extinta; 2- Há uma hierarquia social que é determinada
fundamentalmente pelas habilidades e aptidões individuais. Procurar a
equalização prática de toda a gente é a grande e violenta ilusão socialista;
3- O monopólio da emissão da moeda dado a si pelo Estado impõe a
responsabilidade de ser o guardião da moeda, apesar de tudo e de todas as
pressões. A bolha
imobiliária foi criada porque políticos e burocratas bem intencionados
quiseram abolir a lei da escassez, quiseram impor arbitrariamente o acesso ao
crédito de forma artificial para quem não deveria ter, praticaram uma frouxa
e artificial política monetária, que alimentou uma expansão econômica
impossível de ser mantida. A inflação nos EUA só não aumentou muito porque
eles são (ainda) os emissores mundiais de moeda conversível, houve grande
aumento da produtividade ligado às novas tecnologias de informática e de
telecomunicações e a China entrou para valer no mercado mundial ofertando mão
de obra barata. Esses fatores benéficos, todavia, não servirão mais de
contrapeso à crise que chegou. O sonho acabou, a realidade se impôs. A isso é o que chamamos de
crise. Sua origem está na elite dirigente dos EUA, que violentou as leis
econômicas e se recusou a conduzir as massas, passando a ser por elas
conduzidos. Veja, caro leitor, essa promessa de Obama de universalizar o acesso à saúde. É impossível de
ser honrada: serviços de saúde são um bem econômico caro e o Estado
norte-americano, mesmo rico, não é rico o bastante para abolir sua escassez.
Faz-me lembrar os socialistas que, anos atrás, quiseram implantar a Tarifa
Zero nos transportes coletivos de São Paulo. Não passaram das intenções
porque é pura maluquice. A
conclusão é que está no poder uma elite irresponsável e estúpida, que não
cumpre o seu papel e não tem a estatura moral para ser condutora do Estado.
Tem sido assim de há muito, mas o singular do momento é que a concentração de
estúpidos no poder nunca foi tão grande. A eleição de Obama
é esse coroamento da estupidez, do hermetismo da alma, do sonho gnóstico de
recriar o homem dentro de um paradigma que nega a antropologia. A sucessão de
“pacotes” para o resgate da crise mostra essa ausência dos egrégios: estão a
praticar as maiores iniqüidades com o dinheiro público e com a moeda, em nome
de uma falsa ciência econômica, que não pode justificar atos estúpidos. A
experiência nazista (e a comunista também, da mesma natureza, portadora da
mesma estupidez criminosa de sua elite) redundou em um cataclismo mundial.
Como o mundo idealizado não se ajusta ao real, a falsa elite tenta moldá-lo à
força e para isso só dispõe dos instrumentos de Estado, que é violência
concentrada. Temo pelo que virá. Se em Obama não
estiver a alma de um estadista, disposto a
contrariar as massas e seus cabos eleitorais, como a família Clinton,
qualquer coisa pode acontecer. |
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