NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
MENTINDO SOBRE A CPMF
16/12/2007
O desfecho
da tramitação da emenda constitucional de prorrogação da CPMF é em si um fato
histórico da maior relevância, porque: 1- Foi a maior
derrota do governo Lula, que praticamente governava sem oposição visível até
então; 2- É a primeira vez em muitos anos que a curva da carga tributária muda
se sentido, aliviando o peso sobre os contribuintes; 3- Vimos a formação de uma
sólida minoria no Senado, capaz de frear qualquer aventura do PT. A
estabilidade institucional está assegurada por essa via; 4- A redução da receita
vai obrigar o Executivo a comprimir despesas, de uma forma ou de outra. Não
haverá mais excedente de arrecadação para bancar a rédea solta que tem sido o
governo Lula, a praticar o populismo mais radical em matéria de gastos.
Ao ler a
revista Veja que chegou às bancas parece que não foi bem assim que aconteceu. A
revista quase que disse que a vitória da oposição seria como se fosse uma
vitória de Lula. Usaram eufemismos de todos os tipos, até a capa tem um quê de
infantil, como se passasse a mensagem de que teria sido um mero acontecimento
corriqueiro. “O Executivo decidiu
tratar com realismo a queda da CPMF e suas conseqüências, a súbita retirada de
40 bilhões de reais das previsões de arrecadação, cerca de 7% da receita fiscal
para 2008. O que isso significa? Significa que a frustração de receitas precisa
ser compensada em 2008 com cortes nas despesas e com formas de arrecadação
menos ruinosas do que a CPMF. Em uma sentença: o Brasil amadureceu”. Perceberam? Não foi o PT que perdeu, mas “o Brasil que amadureceu”. Uma ova! O que vimos na verdade foram
ameaças de todos os lados, do próprio Lula, de Guido Mantega
e de outros ministros, todos fazendo terrorismo e ameaçando executar um choque
tributário, “para compensar”. Lula chegou a afirmar que a decisão foi tomada
pelos que não usam o SUS, como se ele próprio usasse.
O governo falou pouco sobre a derrota porque nada tinha para
falar, exceto que ela foi gigante e que ameaça o futuro político do projeto do
PT. Sou assinante da revista e notei que ela demorou para
chegar em minha residência. Estranhei. Terá havido algum motivo extra, alguma
pressão governamental para tanto? Nunca saberei. Foi estranho também que o
comentário assinado sobre o episódio, único na edição, foi escrito por Maílson
da Nóbrega, um notório chapa-branca. Seu texto vai também na
direção de minimizar o acontecido e transformar a derrota do PT em seu
contrário. Não se fez de rogado: “Logo na
manhã seguinte à derrota, a Casa Civil promoveu reunião de emergência para
discutir como lidar com a situação. Primeira providência: acalmar os mercados
financeiros. Em entrevista coletiva, o ministro da Fazenda afirmou que a perda
da receita da CPMF não abalaria o compromisso do governo com a meta de superávit
primário. Em poucos dias, medidas seriam anunciadas para tornar crível a
promessa. A mudança é enorme. No passado, ele e outros companheiros diziam que
o superávit era uma ação neoliberal para atender a interesses de banqueiros.”
Viram
como o PT é bonzinho? Ainda durante essa semana um dos seus quadros mais notáveis,
o atual presidente do IPEA, fez as mais ridículas declarações sobre a duração
da jornada de trabalho e ninguém se lembrou de levar em conta isso ao falar da
suposta “maturidade” do PT. É vergonhoso como a revista e o seu comentarista
contratado fizeram a desinformação da população
brasileira. Nem sublinhar a relevância histórica dos fatos nos termos corretos fizeram.
A Folha de
São Paulo de hoje, em editorial, usou do mesmo tom laudatório: “Vitoriosos e vencidos agora disputam que
versão dos fatos haverá de prevalecer na opinião pública: se foi feita justiça
ao contribuinte ou se foi punido o cidadão de baixa renda.
Colocado nesses termos, o dilema é apenas retórico. Uma real reforma tributária
pode ao mesmo tempo reduzir a carga fiscal e corrigir sua iniqüidade do ponto
de vista distributivo. Encerrada a refrega da CPMF, o país parece emergir um
pouco mais maduro para essa discussão”.
Os vencidos supostamente estão do lado do cidadão de baixa renda, a dar
crédito ao editorialista, e não aqueles que reduziram o roubo estatal que destrói empregos, que tira a
competitividade das exportações, que remunera uma burocracia numerosa e
inútil, é ela própria expressão da injustiça distributiva.
Os leitores
de ambas as publicações ficaram no prejuízo de saber que estamos, de fato,
diante de um acontecimento maiúsculo, talvez o mais relevante de todo o governo
Lula. Escondem o mais óbvio de tudo: que o PT amargou uma duríssima derrota e
que a oposição finalmente se reagrupou, tornando-se capaz de dar combate aos
agentes do “socialismo do século XXI”.
Nossa grande imprensa é de dar nojo, nem grande é, é minúscula.
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CPMF: O FATO E O SÍMBOLO
13/12/2007
A proposta
do governo Lula de prorrogação da CPMF foi derrotada e o fato sozinho é
histórico, um divisor de águas. Saúdo os senadores da oposição, os Democratas e
os Tucanos. Havia muitos anos que a classe política não deliberava em matéria
legislativa acima dos interesses paroquiais de cada senador individualmente,
levando em conta somente a defesa dos interesses difusos da população
brasileira. Derrotou-se um monstro tributário, mas foram derrotadas também a
arrogância do Executivo e a lógica de tratar a população brasileira como
escrava do Estado, invertendo-se assim a curva de arrecadação do impostos, secularmente crescente.
Saúdo o
Congresso Nacional pela afirmação de seu poder diante do Executivo e de seu
compromisso com aqueles a quem representa, o povo
brasileiro.
Estamos
diante de um fato histórico maiúsculo, com graves desdobramentos sobre o duelo
real que se trava na cena política brasileira: entre os que amam a liberdade e
a democracia e aqueles que pelejam para a implantação do totalitarismo por
aqui. Não posso deixar de nominar o senador Arthur
Virgílio na sua luta contra o PT e Lula. Conquistou a minha admiração, da mesma
forma que gente como Sarney e sua laia recebeu o meu
mais profundo desprezo. É preciso dizer que foi também a derrota do
fisiologismo, do adesismo, do coronelismo, do
oportunismo, da sem-vergonhice dos que usam das prerrogativas da investidura do
voto para locupletar-se contra os interesses da Nação.
A derrota do
governo tornou-se sobretudo o símbolo da resistência
democrática contra aqueles que querem se eternizar no poder e manipular os
destinos da nossa gente ao seu talante. Se a CPMF foi derrotada em noite
gloriosa, não terá destino diferente qualquer tentativa espúria de prorrogação
de mandato ou reeleição do presidente Lula. Há no meio civil um núcleo duro de
poder capaz de confrontar essa malta de aventureiros que tomou conta do Estado
brasileiro. Esse é o grande fato que emerge dessa derrota monumental. Certamente
veremos que, de hora em diante, a arrogância dos estrategistas do Planalto terá
que ser posta de lado e jogo democrático praticado na sua plenitude.
Talvez
tenhamos aqui de fato um divisor de águas histórico. Ficou provado que Lula e o
PT não poderão levar à frente seu projeto político totalitário manipulando
ardilosamente as fraquezas da democracia. Esta também tem a sua força e sua autodefesa,
que é a capacidade de o Parlamento pôr freio às proposições que atentam contra
ela. Então é de se esperar uma nova fase na ação política das forças governantes.
Como essa gente não tem escrúpulos e quer levar avante, contra tudo e contra todos, suas idéias totalitárias, terão que tirar a máscara
de falsos democratas e partir para a fase do confronto com as instituições.
Definitivamente meu prognóstico é que, consumado o cenário de possível derrota
em 2010, as forças governistas poderão procurar o atalho mais curto para não
perderem o poder.
Cabe
aos nossos bravos senadores e deputados a vigilância e a ação resoluta na
defesa dos interesses maiores do Brasil. Vimos que temos homens de fibra e de
espírito público, verdadeiros estadistas. Um graça de
Deus. O Brasil amanheceu hoje sorridente, ostentando a alegria dos que usufruem
da liberdade, o maior dos bens público.
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FHC E O PT
25/11/2007
Nesta semana
duas notícias sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mostraram que o
sinal vermelho finalmente piscou para ele: o seu posicionamento firme contra a
prorrogação da CPMF, contrariando outras grandes lideranças do PSDB, e a sua
surpreendente fala na convenção do partido dizendo que
um eventual terceiro mandato de Lula seria “nazismo”.
FHC é um homem muito inteligente e ponderado e raramente foi flagrado em
arroubos verbais e nunca foi um crítico severo do PT, muito ao contrário. Já
escrevi em outros momentos que considero o ex-presidente o principal cabo
eleitoral do PT, por ação ou omissão. Então, por que o alarme dele agora?
Entendo que
FHC finalmente enxergou a fera a quem nutriu e ajudou a criar. O PT sempre foi um partido de vanguarda do tipo leninista, mas o
ex-presidente deve ter avaliado erroneamente no passado que, uma vez no poder,
com as benesses e a fartura de recursos à disposição de suas lideranças,
ficaria mais brando e aceitaria as normas civilizadas de uma democracia madura,
basicamente o respeito à Constituição e à alternância de poder.
Finalmente ficou claro para ele, como estava claro para os críticos mais agudos
da cena brasileira desde há muito, que o PT continua o partido revolucionário
que sempre foi. Só ficará saciado quanto dispuser do poder total.
O arroubo
verbal do ex-presidente só aumentou a minha angústia, pois o ouvi como um grito
de alerta e desespero. É um firme sinal de que os acontecimentos estão se
precipitando e que a ameaça do terceiro mandato é real. Um cenário desses
significa rasgar a Constituição e acabar e vez com a alternância de poder em
curto período de tempo, levando o Brasil para uma forma de governo parecida com
a de Hugo Chávez, o totalitarismo aberto. Some-se a
isso o empenho do governo brasileiro em apoiar o ditador venezuelano e se
empenhar para que o Congresso Nacional formalize a entrada daquele país no
Mercosul e aí o circulo se fecha. O PT quer se eternizar no poder e está se
movendo para isso. É uma grande ameaça à liberdade da gente brasileira.
A luta de
classe dos vanguardistas do PT está em curso e se traduz na prática na
perseguição aos empresários, sob o pretexto de combate à sonegação de impostos,
acabando com a reputação de pessoas inocentes, e também com a exacerbação da
arrecadação de impostos. A prorrogação da CPMF deve ser tomada menos como uma
necessidade de mais recursos para a demagogia petista do que um imperativo
ideológico a ser perseguido, um ponto de honra para o partido governante. O
cerco fecha-se por todos os lados.
A criação da
TV pública – mais uma no vasto repertório de canais estatais em operação – foi
outro sinal claro de que o partido governante quer ter o controle total, se
possível, das fontes de notícias. Esse é sempre um passo que antecede a
supressão das liberdades públicas onde o totalitarismo se instalou.
Penso que os
brasileiros devem ouvir o grito de alarme de FHC. É uma voz abalizada e bem
informada sobre os fatos de bastidores, de um homem equilibrado e capaz de
fazer boas análises dos fatos. Devo lhe confessar, meu
caro leitor, que fiquei muito mais preocupado depois de ouvir as falas do
ex-presidente.
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A CPMF
26/10/2007
Eu tenho me
divertido ao acompanhar o noticiário sobre a dança dos políticos em torno da
prorrogação da CPMF. O resultado final todos já sabemos
qual é, será prorrogada e fim de papo. A questão é ver os papéis que os
diversos atores desempenham em torno do tema, que é a síntese do manicômio que
se tornou o sistema tributário nacional: nenhum grupo político ousa fazer a
defesa da maioria, dos brasileiros em geral, os pagadores de impostos anônimos.
Aqui podemos
ver com todas as letras que não existe oposição política de
fato no Brasil, pelo menos naquilo que a política tem de mais de substantivo,
que é a defesa da liberdade enquanto tal, que tem um dos seus medidores
na cobrança desproporcional de impostos. Todas as agremiações partidárias, por
um motivo ou por outro, não podem votar contra a prorrogação da CPMF. Lula foi
feliz ao dizer que seu possível sucessor não quererá abrir mão do recurso que,
uma vez recusado agora, teria muitas dificuldades para ser reintroduzido
posteriormente. Está certo na sua lógica.
O PSDB está
feito prostituta de rua, rodando a bolsinha e piscando para os petistas
passantes. Em um gesto a dama estará entregue sem qualquer resistência. As
“condições” impostas para a adesão, divulgadas nesta semana, não serão atendidas,
exceto em um ou outro ponto acessório. Vieram apenas para marcar posição. O DEM
da mesma forma, arrota oposição enquanto seus membro
estão aderindo, um a um, na calada da noite. Todos os dias os colunistas
políticos noticiam o nome de mais um que entrou no jogo do PT. O interesse
geral não vale nada diante dos interesses específicos de cada grupo político
representado por cada senador.
O ponto aqui
é que está exposta a fratura de nossa sociedade: uma minoria de barões tem
poder sobre os destinos de toda a gente sem representá-la de fato, seja pela
distorção do sistema político, que ponderou os votos que deveriam ser
igualitários, seja pelo sistema econômico, cujos interesses maiores estão
cristalizados no caixa do Tesouro: bancos, funcionários públicos, fornecedores
do Estado, aposentados, recebedores de bolsa-esmola, toda essa grande e
qualificada minoria tem seu motivo particular para não deixar a carga
tributária cair. O butim não pode ser reduzido.
Temos que ver
a questão federativa também. A CPMF financia a União, cuja receita foi
esquartejada na nova Constituição sem que os encargos tivessem sido repassados
aos entes federados. A CPMF corrige essa distorção elevando a carga tributária.
Esse é o único sustentáculo racional para a sua existência, o que nada tem de
racional evidentemente. Irracional é todo o sistema tributário junto com o
sistema de despesas públicas. Estamos a ver empresários sendo presos por
exorbitância arrecadadora estatal e pela criminalização
por descumprimento de normas contraditórias, incumpríveis
na origem, cabendo à autoridade arbitrar quem será indiciado ou não. Não é por
acaso: aumentar a arrecadação de agora em diante só mesmo mediante a coação
pura e simples.
Estamos às
vésperas do totalitarismo, pelo menos no que tange à perseguição tributarista
estatal. Na verdade já estamos vivendo um regime de terrorismo fiscal
explícito. É o Estado devorando sua própria gente que trabalha, em benefício
dos vagabundos, parasitas, despachantes e assemelhados.
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A PARTILHA DO BUTIM
14/08/2007
É com muita
indignação que li hoje as manchetes dos jornais dando conta
de que tramita no congresso mais um “trem da alegria”, um projeto de lei que
transforma em funcionários estatutários mais algumas dezenas de milhares de
funcionários públicos que ocupam cargos comissionados. As (más) notícias
dão conta de que outras medidas mais absurdas estariam sendo gestadas dentro desse projeto, em prejuízo do Erário. É na
calada da noite que nossos representantes conspiram contra o povo.
Na semana passada vimos mais um movimento da estatização que está em
marcha, com a compra de uma empresa petroquímica privada pela Petrobrás, a um
preço irrecusável para os acionistas. Aqui o contribuinte
brasileiro perdeu duplamente, por pagar caro por algo que valia menos e pela
estatização em si, pois ela sempre se transforma em desastre econômico, seja
por perda de produtividade, seja pelo preço de monopólio que permitirá
praticar, seja pela má qualidade dos produtos que em regra o Estado é capaz de
produzir.
Como se vê,
o “socialismo do século XXI” está sendo implantado entre nós, utilizando a via
legal no limite de sua possibilidade. O pano de fundo desse processo, o
contexto que permite o descalabro administrativo sem protestos e sem oposição,
é o rolo compressor do Executivo que quer aprovar a prorrogação da CPMF. É
muito dinheiro que está em jogo e a chantagem corre solta, o “toma lá, dá cá”
típico de um sistema político que perdeu qualquer relance de moralidade e de
respeito ao povo que trabalha. Vivemos o paroxismo da sem-vergonhice política.
Não devemos
ter ilusão quanto ao fato de que um desastre econômico de grandes proporções
está sendo plantado com esse descontrole dos gastos governamentais. Os que ora
controlam o Estado vão esticar a corda até o limite do enforcamento daqueles
que trabalham e pagam impostos. Por esses dias se revelou que o tal Supersimples, que deveria ser uma redução tributária, foi o
seu contrário, encarecendo e complicando a vida dos pequenos empresários. A
falta de vergonha é irmã gêmea da falta de escrúpulos.
Até que se
vote o projeto da prorrogação da CPMF assistiremos a esse desfilar de maldades
de projetos esdrúxulos propostos em prejuízos dos brasileiros que trabalham.
Pior que não há nenhuma maneira de parar esse processo, pois toda a classe
política torna-se sócia na arrecadação prevista, então ninguém no Congresso
quer ser advogado daqueles que lhes deram voto, os eleitores. É uma traição aos
cidadãos e à democracia. Nenhum eleitor deu mandato para essa matilha tomar a renda
nacional como butim a ser repartido pelos grupos
políticos. Dá nojo.
A imprensa,
por seu turno, amordaçada ou comprada, não faz o que deveria fazer,
levar a toda gente a inteira dimensão do assalto a mão armada (afinal o Estado
declara ter o monopólio do uso da força) contra o contribuinte. Ela própria é
sócia do butim, recebendo verbas publicitárias,
empréstimos subsidiados e reserva de mercado à prova de concorrência.
É a marcha
para o abismo a que nos conduzem os petistas governantes, apoiados até mesmo
por aqueles que são oposição de boca. Oposição de araque
é o que são. Vivemos o regime de partido único, que cada vez mais se confunde
com o Estado. Só em um ambiente totalitário medidas assim são aprovadas sem uma
rebelião popular.
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O JUMENTO E OS IMPOSTOS
04/08/2007
Meu caro
leitor, está em discussão no Legislativo a proposta de
prorrogar a CPMF e mesmo torná-la permanente. É na
questão tributária que se cristalizam as verdadeiras posições políticas dos
atores sociais: se alguém é favorável à manutenção ou aumento da carga
tributária você estará diante de um patrimonialista
da gema, que responde hoje pelo nome de esquerda política, unindo desde
pés-rapados manobrados por sindicalistas como vimos agora na greve do metrô de
São Paulo até grandes empresários e banqueiros. Essa gente viciou-se em
praticar o roubo institucional via sistema tributário e perdeu qualquer senso
de moralidade. São o que a Bíblia chama de ímpios. Praticam a lógica de levar
vantagem em tudo e a maneira será sempre arrumar uma boquinha estatal, seja uma
aposentadoria, uma bolsa qualquer, um contrato de fornecimento, uma consultoria
que seja, um emprego sem contrapartida de trabalho.
Fora do Estado não há redenção econômica, esse é seu lema.
Esse grupo
se divide em dois segmentos. De um lado, aqueles que ainda guardam uma fé
genuína no uso do Estado para minorar os efeitos da lei da escassez, praticando
a distribuição de renda via sistema tributário, de um
lado, e o gasto público, do outro. Os mais radicais querem a revolução
socialista, como propõe o PSOL e certas alas do PT. Outros são
social-democratas, que acham que podem praticar um
roubinho contra quem trabalha e manter a moralidade pública, tudo em nome da
tal “justiça social”. Os fatos mostram que não dá para ficar no roubinho, que o
Estado saiu do controle, que a carga tributária tem crescido exponencialmente
e, com ela, a corrupção como nunca vista. Esta última é filha da natureza
humana e irmã da hipertrofia estatal. Quanto mais tributo, mais corrupção, quanto
mais ingerência estatal, maior a politização da vida cotidiana.
Nesse
segundo segmento estão os cínicos que já foram “puros” um dia e hoje não passam de assaltantes do Erário, gente abrigada na profusão
das siglas de esquerda e mesmo na suposta direita, como o DEM. Praticam a realpolitik, que
se traduz na elevação contínua dos impostos. É só ver a última proposta
tributária do nosso prefeito Gilberto Kassab,
sintomaticamente chamada de X-Tudo. Lembrou-me a
piada que um industrioso amigo meu sempre me conta, e com a qual sempre rio,
sobre o tamanho agigantado do órgão sexual do jumento. Grande mesmo – diz-me
ele às gargalhadas – é a glande, mas o pagador de impostos agüenta, o resto do
membro serve apenas para empurrá-la ao fundo. É disso que riem os políticos e
seus asseclas quando se referem à curra tributária que
praticam contra os brasileiros. Eles são os portadores do dote sexual asnático
e nós todos suas vítimas estupradas. Eles são também
portadores da moral dos muares e de seus dotes intelectuais.
Cito a CPMF
por ser esse tributo (tecnicamente não chamam de tributo para não repassar
parte da sua arrecadação às demais unidades da Federação, ficando tudo com a
União) é o mais iníquo e está na ordem do dia. Mas o argumento vale para
qualquer um, do municipal IPTU ao estadual ICMS. Toda gente que se locupleta
com recursos estatais – e aqui tenho que incluir TODA a classe política, com
raríssimas exceções – na hora de aprovar elevação de impostos se une em
uníssono, inexistindo qualquer opinião em contrário. Claro que vendem caro seus votos em troca de cargos e verbas, como vimos
agora com o PMDB, sob o silêncio cúmplice da imprensa, pois afinal a Viúva é
rica. Não há oposição no Brasil no que é substancial, a carga tributária, nosso
jogo eleitoral resume-se na escolha do “capo” do dia, que vai praticar o de
sempre, esfolar os que trabalham para distribuir dinheiro a toda sorte de
vagabundos, parasitas e alpinistas sociais. Uma verdadeira oposição teria que
colocar como primeiro item do seu programa político uma radical e imediata
redução de impostos, seguida de redução de gastos, acabando inclusive com os
tais direitos adquiridos da malta de desocupados ricamente remunerados pelo
Tesouro. Vê-se que não temos homens dessa envergadura e portadores desse despojamento.
Todos os empresários que conheço, em especial os
maiores, supostamente os que deveriam gostar das idéias liberais, TODOS, de
alguma forma se locupletam com o status quo.
Outro dia li
no Estadão artigo de um eminente economista falando
contra os elevados salários do setor público, ele que semanas antes em sala de
aula na USP se jactava de suas múltiplas aposentadorias obtidas precocemente no
setor público, que lhe permitiam tempo livre para escrever. É o caso aqui
aplicado do conceito criado por Olavo de Carvalho de paralaxe cognitiva: o
sujeito fala ou escreve como se estivesse fora daquela realidade que descreve.
Conheço muita gente assim, de discurso fácil, mas que, na hora das decisões,
sempre faz que o que se espera dela, escolhe políticos comprometidos com o
roubo institucional dos impostos e, quando chamada para compor a tecnocracia, é a campeã do jeitinho de produzir leis, decretos,
portarias, instruções normativas e, claro, as nefandas Medidas Provisórias,
sempre roubando os que trabalham. Tudo
pelo social.
A situação
do Brasil só mudará quando a carga tributária começar a diminuir. Pelo fim da
CPMF já!