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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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COVARDIA
DO ESTADÃO SOBRE A CONFECOM 22 de novembro de 2009 Pode-se
combater a ameaça de uma cascavel preparada para o bote acariciando-lhe a
cabeça? Ou um leão caçando, afagando a sua juba? Pois foi mais ou menos isso
que o jornal Estadão fez em dois editoriais sobre a CONFECOM, que quero aqui
comentar. Na verdade, o título aqui mais apropriado seria algo da série que
tenho escrito, do tipo “Estadão mente
sobre a CONFECOM”. Faço a concessão porque sei que o Estadão, outrora tão
odiado pelas esquerdas enquanto “barão da mídia”, está morrendo de medo, como
de resto todos os empresários do setor. A mídia, desde o início, devia ter
sido a vanguarda de resistência contra a tomada do poder pelos leninistas,
mas se acovardou. Agora está em xeque e sua própria sobrevivência como negócio
sofre ameaça imediata, no estilo daquela feita por Hugo Chávez
na Venezuela e pelo casal Kirchner na Argentina. Pode-se
ignorar voluntariamente a revolução em curso o quanto se queira, pode-se recusar
a lhe dar combate, mas ela não ignorará ninguém, especialmente aqueles que
estão envolvidos com os meios de comunicação. Como diriam os do meio
sindical, “é a hora da
onça beber água”. O interessante do momento em que vivemos é que acabou-se o tempo da desconversa e da fuga. O caminho
desapareceu e só restar se virar para enfrentar a serpente do mal e o leão de
fogo do comunismo internacional. Voltemos aos
editoriais. O de 24
de agosto começou narrando o fato de que os representantes das associações
empresariais (seis das oito entidades) recusaram-se a indicar participantes
do circo de sovietes armado pelo PT, no que muito
bem fizeram. Seria dar-se voluntariamente ao carrasco. Antes um tímido e
amedrontado “não” do que o “sim” conivente para a guilhotina. A simples
realização do evento é, já em si, a derrota da livre iniciativa que está no
setor. Indicar representantes seria de ingenuidade atroz. Qual a
posição do Estadão? A mais ridícula possível: “A ideia de uma conferência para o setor não
é má. Desde 2003, o governo federal já realizou eventos semelhantes para
debater outras áreas, que vão da cultura à juventude, e eles foram úteis em
apontar problemas, carências e demandas que podem ser resolvidos pelo poder
público. A Conferência Nacional de Comunicação, no entanto, tem uma
particularidade. O seu tema, "Construção de direitos e de cidadania na
era digital", conforme estabeleceu o decreto de convocação, envolve não
apenas os chamados "movimentos sociais", mas diz respeito,
diretamente, às empresas que atuam na comunicação social. Se esse grupo se
manifesta desconfortável com os rumos das discussões - a ponto de retirar-se
dos preparativos da Confecom -, um sinal amarelo se
acende”. Implicitamente,
toma o lado do governo e condena a posição empresarial. A simples idéia de
fazer a Conferência é um mal em si; realizá-la é apenas um passo para a
destruição do capitalismo de livre empresa no Brasil. Dizer que o contrário,
como fez o editorial, é acariciar a cascavel antes do bote. Uma postura mais
pusilânime diante da gravidade dos fatos seria impossível ao jornal. Na seqüência,
passou a argumentar que a expressão utilizada no decreto de chamamento “controle social da mídia” em termos
jurídicos, como se ainda fosse o caso, se é que algum dia o foi. A CONFECOM não
foi feita nem para combater oligopólios (tarefa do CADE e da SDE) e nem para
respeitar a ordem estabelecida. Como escrevi anteriormente, é o brado do PT
idêntico ao de Lênin: “Todo o poder aos
sovietes”. O tom sonso e
acovardado foi mantido no segundo editorial, publicado na data de hoje:
“A iniciativa foi oportuna, tanto pelo
tema - a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil - como pelo método”.
Só faltou dizer como Paulo Maluf dos bons tempos, antes de cair refém do PT: “Estupra, mas não mata”. E, da forma
mais sonsa possível, completou: “Esse
tipo de conferência não pode - nem deve - substituir as instituições da
democracia representativa, mas serve para arejar a administração pública”.
Ora, até a fuligem que cai na borda da Marginal do Tietê sabe que a CONFECOM foi
feita para substituir as instituições. A quem o jornal agrada que essa encenação
de covardia? Ou será conivência? E ainda vestiu
a carapuça da propaganda petista: “Há
tempos, o Estado critica as distorções antidemocráticas geradas pela presença
dos monopólios - mais de fato que de direito - e dos oligopólios na TV e na
radiodifusão. Portanto, se a conferência preparar o caminho para que esses anacronismos
sejam corrigidos, tanto melhor”. O Brasil está em véspera da tomada do poder
total pelo PT e o Estadão veio com essa conversa de cerca-Lourenço.
Inacreditável. Para, no final, ensaiar um tímido alerta: “Qualquer clamor autoritário é inadmissível
quando se trata de regulamentar a comunicação social”. Toda a CONFECOM, desde
o princípio, desde a fala inaugural de Frei Betto no
Fórum Social Mundial (ver documentos Para entender a
CONFECOM) é um clamor mais do que autoritário, é um clamor totalitário. Se nem um
participante agigantado da mídia, como o é o Estadão, se defende,
o que esperar? Todo poder aos sovietes. |
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