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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONTRA-INFORMAÇÃO
E PROPAGANDA 16/08/2008 Foi cirúrgico: ao tempo em que
vieram a público as notícias sobre os e-mails encontrados no computador do
terrorista Raúl Reys, comprometendo autoridades brasileiras ligadas ao PT, o
ministro da Justiça, Tarso Genro, inventou o factóide de revisão da Lei de
Anistia, atiçando a ira do meio militar. A notícia importante, a ligação de
nossas autoridades com o terrorismo das FARC, sumiu como por encanto de todos
os meios de comunicação, entrando em seu lugar o factóide inventado por
Genro. Dias depois o bondoso Lula mandou seu ministro se calar, ficando o
dito pelo não dito, mas o escândalo dos e-mails foi devidamente esquecido. Fiquei muito impressionado com
o poder da contra-informarão e o soberbo poder demonstrado sobre a mídia que
têm os estrategistas do Planalto. Nem nos tempos do Regime Militar vi tamanha
eficiência e grau de controle do poder constituído sobre a mídia. A notícia
mais sensacional e importante de nossa grande política foi picada no
triturador de papel, no caso as manchetes de jornais que deixaram de ser
impressas. -x-x-x- Vou votar em Geraldo Alckmin
para prefeito de São Paulo. É o melhor nome, o único em condições de vencer
Marta Suplicy. Ontem o IBOPE divulgou estranhíssima pesquisa, pela qual a
candidata do PT abriu quinze pontos de vantagem sobre o candidato do PSDB.
Como nenhum fato novo relevante aconteceu desde a última pesquisa divulgada
(dava vantagem a Alckmin), só posso concluir que esses novos números ou têm
forte viés de amostra (erro técnico) ou a mão deliberada do inimigo. A mesma
técnica usada para apagar os rastros de Raúl Reys da mídia pode estar sendo
utilizada para induzir o eleitorado a achar que Marta “já ganhou”. Reiteradas vezes tenho
apontado que o fato de São Paulo (prefeitura e Estado) não estar nas mãos do
PT é o grande freio para as ambições totalitárias do partido governante. Não
que José Serra seja alguém diferente do PT, ao contrário. Serra, assim como
muitos dos que se filiam ao PSDB, comunga das idéias igualitaristas do PT e
pratica objetivamente a mesma política. Ocorre que esses políticos não
empunham mais a bandeira revolucionária e aceitam o jogo democrático da
alternância de poder. No caso particular de Serra há um terceiro fator: seu
grupo não se dá pessoalmente com o PT, até onde se sabe. O efeito
“caciquismo” é importante para que o governador de São Paulo se mantenha
longe da influência petista. Mas Serra, por seu
voluntarismo individualista, pode indiretamente estar ajudando o PT. Ao
forçar a candidatura do prefeito Kassab contra suas próprias bases e contra
as evidências de que Alckmin reúne as melhores condições para derrotar Marta
Suplicy, põe água a mover o moinho do PT. De fato Serra, ao não se ligar
publicamente ao candidato de seu partido e ao não somar esforços eleitorais
consistentes – vale dizer, pôr recursos e energia na campanha – está fazendo
o jogo do inimigo. Uma eventual derrota de
Geraldo Alckmin poderá comprometer mais do que a futura candidatura de Serra
à Presidência da República, poderá significar a perda sucessiva da prefeitura
de São Paulo e do governo do Estado. Marta, eventualmente vitoriosa, marchará
resoluta para ganhar o governo do Estado. Aí o país inteiro ficará á mercê
dos revolucionários que comandam hoje o Palácio do Planalto. O que está em
jogo é o futuro da democracia no Brasil. A miopia do grupo de José
Serra reflete a miopia de nossa classe pensante, desde sempre, a de que o PT
é um partido como outro qualquer. Não é. É um partido revolucionário que está
à espera de acumular forças suficientes para colocar seu projeto totalitário
em ação. Se seus dirigentes ganharem a prefeitura de São Paulo darão um passo
gigante na direção de sua hegemonia. Aí até o projeto de re-reeleição de Lula
sairá do papel com rapidez. Mentiras como essas de Tarso
Genro sobre a Lei da Anistia, para enganar a opinião pública, assim como
essas pesquisas tecnicamente contestáveis sobre a tendência do eleitorado nem
mais precisarão ser utilizadas como expediente. Podemos estar agora na
véspera do poder totalitário. |
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