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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFIRMANDO
O CENÁRIO PAULISTA 21 de outubro de 2009 O comentário
que fiz anteriormente sobre um possível acordo entre o grupo de José Serra e
a cúpula do PT na sucessão presidencial, mantida a fraca candidatura da
ministra Dilma (O Brasil
elegerá Nosferatu?),
gerou-me intensa correspondência e algumas incompreensões. Eu me limitei a
manter a linha de análise com base nos fatos exteriores que me chegam, pois é
óbvio que não tenho acesso a informações privilegiadas. O comportamento das
forças políticas que dominam o cenário nacional é tão transparente e
previsível que o analista exotérico pode acertar sem dificuldade, se atentar
para os detalhes do noticiário. Temo que eu esteja certo no que escrevi. Basta ver o
que trouxe o Estadão de hoje, em matéria assinada por
Marcelo de Moraes: “Dentro do
Palácio do Planalto já existe uma certeza - o deputado Ciro Gomes (PSB-CE)
não disputará a corrida presidencial contra a ministra da Casa Civil, Dilma
Rousseff (PT). Oficialmente, Ciro manterá a candidatura à Presidência até os
primeiros meses do próximo ano, mas seu destino eleitoral já está definido e
será a disputa pelo governo de São Paulo, com o apoio do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e do PT”. As fanfarronadas do político de Sobral
sobre sua postulação à Presidência devem ser esquecidas e a sua candidatura
ao governo do Estado de São Paulo deve ser tomadada como um fato político muito
a sério. [Como sempre, o jornal Estadão dá furo quando o assunto
envolve as decisões estratégicas dentro do Palácio do Planalto. Quem será o
informante? Será o mesmo que plantou as notícias desabonadoras sobre José
Sarney? Penso que a fonte é a mesma.] A matéria do Estadão informa acordo com o PMDB nacional
em torno da candidatura do PT ao Planalto. Bem sabemos que essa é um
formalidade enganosa, vez que o PMDB é um federação de caciques regionais,
que não dão a mínima para ocordos firmados no plano nacional quando
contrariam seus interesses diretos. Orestes Quércia em São Paulo já declarou
que marchará com José Serra. Resta saber o que acontecerá com a candidatura
de Ciro Gomes. É possível que tenhamos, nas próximas eleições, os chamados
“votos camarão”, quando políticos e cabos eleitorias se esforçam para puxar
votos para o corpo de sua chapa, mas não para a Presidência da República
(cabeça de chapa), e vice-versa. Não é difícil imaginar um cenário em que o
PMDB paulista venha a apoiar, simultaneamente, José Serra e Ciro Gomes. Tudo
é possível. O fato objetivo é que a confimação do nome da ministra
Dilma leva-me a acreditar que o PT não entra seriamente para vencer o pleito
majoritário federal, abrindo caminho para a candidatura favorita de José
Serra. Inversamente, ao se unir em torno de Ciro Gomes, em São Paulo, demonstra
que fará de tudo para levar o Palácio dos Bandeirantes, sua fraqueza estratégica
histórica. justamente onde vemos o PSDB e seus aliados cometerem erros que,
de tão primários, parecem ser propositais. Se o nome sagrado na convenção do
PSDB e seus aliados não for o de Geraldo Alckmin praticamente sela-se o pacto
de recíprocidade, confirmando o prognóstico. Dessa forma, as eleições não
passarão de uma grande marmelada, uma enganação. Não haverá disputa, de fato. |
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