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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM,
UMA ALIANÇA ESTRANHA 16 de dezembro de 2009 Hoje o Estadão, depois
de muito tempo, honrou a sua tradição, publicando um forte editorial ("Os
perigos da Confecom") analisando a
Conferência, bem como duas matérias
jornalísticas importantes. O Estadão é o único grande veículo que está, de
fato, cobrindo o evento. Os demais jornais mandam jornalistas, mas suas
matérias não são publicadas. A pergunta mais
importante dessa conferência eu fiz ao Celso Schröeder,
representante da Federação Nacional de Jornalismo (Fenaj)
e também Coordenador-geral do FNDC - Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação, o mais expressivo grupo de
pressão a favor da Confecom. Celso é membro de sua
Comissão organizadora. Perguntei-lhe: o que une os interesses
dos movimentos sociais aos da Telebrasil e da Abra?
Resposta: todos querem mudar os marcos legais que
regulam o setor de radiodifusão. Traduzindo, todos têm como inimigo a Rede
Globo, que, escorada no marco legal estabelecido, se opõe terminantemente a
qualquer modificação no status quo. A Telebrasil e a Abra estão usando a Conferência como forma
de lobby para quebrar o monopólio de fato da Globo.
O pano de fundo são as novas tecnologias, que transformam a infra-estrutura
em detalhe e permite a difusão por muitas formas. A maior ameaça à Globo,
como também aos grandes produtores de conteúdo, como o Grupo Folha, são as
inovações tecnológicas que estão em curso. Essas inovações habilitam as
grandes empresas de telecomunicações a elas próprias se tornarem provedoras
de conteúdo, entrando nos mercados até então cativos desses grupos. Um problema
adicional surge a ameaçar essas empresas de conteúdo. As teles são
gigantescas e financeiramente muito fortes. A própria Rede Globo, perto de
qualquer delas, torna-se nanica. A Rede Globo se encontra como os Diários
Associados, em final dos anos sessenta: diante de uma poderosa mudança tecnológica
que pode retirar sua liderança no mercado. A mudança nos
marcos legais será apenas a conseqüência jurídica dessa grande
transformação tecnológica. Nesse sentido,
foi proposto o PL-29,
de autoria da deputada Jandira Feghali, que muda
todas as regras no setor, abrindo espaço para o crescimento da concorrência.
De uma maneira ou de outra o marco legal deverá ser atualizado. O problema é
que as medidas que dependem de trâmite legislativo poderão ter seu curso
impedido no Senado, onde muitos dos representantes são também empresários
retransmissores da Rede Globo. Isso explica porque os empresários da Telebrasil e da Abra resolveram dar o salto mortal e participar
da Confecom. Obviamente que
os interesses do governo petista e dos militantes são bem outros. Querem o controle social da mídia, eufemismo para
estatizar muita coisa e censurar a produção de conteúdo. Querem manipular as
verbas de publicidade e de financiamento. Querem expulsar as empresas privadas
do mercado. Todo mundo sabe disso, mas diante da solidez do poder da Rede
Globo vale o risco de atiçar a militância socialista na busca de um lobby
eficiente. Celso me disse
que depois da Confecom os movimentos farão todo
tipo de pressão sobre o Congresso Nacional. É esperar para ver o que vai
acontecer. Dificilmente o status quo será
mantido. |
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