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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM
SUPERA IMPASSE 15 de dezembro de 2009 Depois de
intensas negociações, que se estenderam desde o dia anterior, finalmente a
direção da Confecom conseguiu superar o impasse que
inviabilizava o progresso dos trabalhos, não sem perder parte de sua agenda.
Feito o acordo os grupos de trabalho puderam ser instalados e o dia de
trabalho acabou sendo produtivo. Os grupos de
trabalhos, conforme o regimento, “são
instâncias de debate, aperfeiçoamento e priorização das propostas constantes
no caderno de propostas”. Foram mais de seis mil propostas apresentadas.
O trabalho nos grupos foi bastante enfadonho. Os movimentos sociais fizeram
muitos destaques. Como está organizada a Conferência não cabe muita discussão
nos grupos, embora a liderança dos mesmos fosse muito ciosa da representação
dos que estavam presentes, tendo havido inclusive chamada nominal para
verificar se alguém sem representação formal estaria ali. Como observador
tive acesso a vários deles. Percebi que a
angústia dos líderes com o impasse que se prolongou era dupla. De um lado,
manter no recinto os representantes do setor empresarial, pois são eles que,
de fato, dão alguma representatividade à Confecom
como geradora de subsídios para a futura ação governamental, inclusive com a
eventual modificação dos marcos jurídicos, aspiração maior dos militantes de
esquerda. Do outro, levar a bom termo a Conferência, com efetiva conclusão
dos trabalhos, qual seja, a apreciação pelo plenário das propostas examinadas
nos grupos de trabalho. Será um grande fracasso se no final da quinta feira a
coisa toda não tiver o conjunto de documentos chancelados. Vários dos
oradores foram claros quando se dirigiram à platéia exaltada, pedindo que
olhassem o estratégico. Os mais exaltados reclamaram do “acordão”
e da quebra dos princípios de dinâmica de grupo consagrados nas inúmeras
conferências que se realizaram no passado, com outros temas. Alguém lembrou
que as outras conferências não foram plurais, isto é, não contaram com
representantes do setor empresarial. Alguém lembrou também que este é minoria
na sociedade e que ele está sobrerepresentado no
evento, com 40% dos delegados, contra 40% eleitos pelos movimentos sociais e
20% indicados pelo governo. Ora, não há
distinção entre as propostas do governo e as dos movimentos sociais. E dentro
do segmento empresarial tem muito gente que se alinha aos próprios movimentos,
pois são pequenos e mais das vezes clientes do governo. Então, as grandes empresas ali presentes – as de Telecom e os integrantes
da Abra – eram minoria desde o começo. Daí porque os representantes dos
empresários exigiram que as propostas a serem aprovadas deveriam
respeitar o percentual dos delegados e não o voto direto por maioria simples. Foi um diálogo
engraçado de ser visto, dois planos de compreensão do mundo sobrepostos. O
setor empresarial sabia que se não houvesse essa fórmula eles simplesmente
seria esmagado pela maioria de fato dos esquerdistas, sempre hostis à lógica
empresarial. Já os líderes dos movimentos sociais, que acreditam firmemente
na democracia participativa e têm no voto da assembléia o fetiche da soberania,
não podiam abrir mão do princípio. No final prevaleceu a sensatez dos
líderes. Pela manhã
tivemos dois palestrantes internacionais, que não despertaram grande
interesse. Quem tiver
curiosidade poderá ler as propostas apresentadas no site oficial da Confecom. |
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