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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM
– SUBORDINANDO O MAIOR AO MENOR 19 de novembro de 2009 No artigo
anterior mostrei uma visão panorâmica da espúria forma como está sendo
organizada a CONFECOM, conferência
que tem por objetivo reformular toda a dinâmica do setor de comunicações no
Brasil. Lendo a Resolução baixada pelo Diretório Nacional do PT podemos ver
para onde caminhará o evento: para a instituição da censura prévia dos meios
de comunicação, a subordinação do conteúdo dos provedores da Internet a
critérios políticos e a própria instituição do controle político da Internet,
fechando o único canal que hoje está fora de controle dos agentes da
revolução gramsciana sobre as comunicações. Se for
feito o que querem em breve este modesto escriba poderá ser preso pelas opiniões
sinceras que aqui emite. Toda a cadeia
produtiva das comunicações, em princípio, estaria sujeita ao processo de
politização, desde a infra-estrutura até a construção de conteúdo. Na
verdade, o setor estaria sujeito não apenas ao controle, mas também à
estatização pura e simples. Vimos alhures como os fundos de pensão dos
empregados das empresas estatais estão também agindo para controlar as
grandes empresas do setor enquanto acionistas, juntamente com o BNDES. A
consolidação desse processo de sovietização da
formação das políticas públicas aponta apenas para um rumo: o totalitarismo
comunista. O Estado Total na sua plenitude. Um dos
flagrantes absurdos da CONFECOM
está contido na Portaria
185. Um ministro de Estado deu-se a competência de arrolar como
representantes das conferências pessoas do Poder Legislativo. Ora, o Poder
Legislativo não podia, de forma alguma, sofrer essa diminuição das suas
atribuições. Ao Legislativo cabe aprovar o ordenamento jurídico maior do país
e também formular políticas no seu próprio interior. De maneira alguma
poderia ser reduzido a um apêndice dessa maluquice que é a sovietização do centro decisório. Ao indicar membros para
compor o grande circo que se arma, de antemão aceitou o aviltamento de suas
prerrogativas e permitiu que uma instituição esdrúxula, alheia ao ordenamento jurídico e
fora das tradições da República, tome corpo e ganhe legitimidade. Bem fizeram o
governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito Gilberto Kassab, que não apoiaram a criação das comissões basistas da cidade e do Estado de São Paulo. Se, de fato,
permanecerem nessa posição de resistência, serão o
único pólo social a resistir ao chamamento dos revolucionários que dominam o
Planalto. Não será um gesto pequeno. Afinal, São Paulo, o Estado e o
município, têm peso grande demais para declarar ilegítimas quaisquer
recomendações da CONFECOM. Tal gesto, todavia, será insuficiente para conter
o ímpeto revolucionário. Não por acaso que o PT está jogando de forma a mais
pesada possível para ganhar o governo do Estado. Mesmo assim, as comissões
foram constituídas fora das regras preliminarmente estabelecidas. Uma nota
de repúdio chegou mesmo a ser feita contra o governador José Serra, por
deliberadamente abster-se de dar seu aval ao circo do PT. Caberia ao
Poder Legislativo tomar coragem e denunciar o processo espúrio de sovietização, além de se recusar a indicar nomes. Mas a Portaria
315 já publicou os nomes dos representantes. No âmbito do Legislativo a
vitória do PT está completa. O maior está subordinado ao menor. Uma simples
portaria ministerial teve o poder de reduzir o Congresso Nacional a essa
paródia de democracia direta, acabando com a base da democracia
representativa. Vivemos um tempo
de cegueira e acovardamento. As instituições correm perigo. |
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