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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM:
O GRITO DO SILÊNCIO 09 de dezembro de 2009 Meu caro leitor,
a partir de hoje estarei em Brasília cobrindo os trabalhos da CONFECOM. Não
sei o que me aguarda e espero dar o melhor de mim para trazer a você os fatos
relevantes que acontecerem por lá. O Mídia Sem
Máscara é o único espaço, livre dos controles dos bolcheviques, que tem
procurado trazer a análise da Conferência, bem como seus impactos no plano
político. Diariamente, até quinta feira, minhas notas farão o relato
jornalístico desde o Centro de Convenções Ulisses Guimarães. O que ensurdece
todos os brasileiros é o silêncio da grande mídia sobre a CONFECOM. Tenho
informações seguras de que as grandes empresas do setor decidiram não apenas
ficar de fora da Conferência, como também ignorá-la como matéria
jornalística. Mesmo o UOL tendo passado o sábado último com um enorme banner
pago anunciando o evento a Folha de São Paulo o ignorou por completo, tanto
no noticiário como no espaço opinativo. O Globo, da mesma forma. Para esses
dois veículos, assim como para a revista Veja, o evento não existe. O Estadão
quebrou o silêncio nos editoriais por mim anteriormente comentados e ontem,
domingo, trouxe uma matéria insossa informando sobre a Conferência. Antes
assim, seus leitores pelo menos passaram a saber que
um megaevento, que afetará a vida de toda gente, começa hoje. Na edição de
hoje o Estadão reprisa a matéria de forma sintética. Qual o seu enfoque?
Falar das “propostas” que o repórter chamou de “polêmicas”. Podemos ler no
lead da matéria publicada ontem: “A 1ª Conferência Nacional de
Comunicação (Confecom), que começa amanhã, em
Brasília, vai juntar, numa mesma assembleia,
propostas polêmicas - controle social sobre a mídia, recriação de estatais
extintas há quase 20 anos, como a Embrafilme - e
reivindicações puramente corporativistas, como a tentativa de recriar velhos
cabides de emprego”. Ora, se a
reportagem mostra algum alento por quebrar o silêncio e por trazer à luz
essas idéias ridículas que conspiram contra a liberdade de imprensa, ela
passa a falsa impressão que o evento é apenas
isso e não uma tentativa do PT de estatizar e controlar toda a cadeia
produtiva das comunicações, desde a infra-estrutura aos provedores de
conteúdo. Podemos dizer, na plenitude do léxico, que se trata de uma revolução nas comunicações, que assim
passarão a ser escravas da estratégia totalitária
dos partidos de esquerda, liderados pelo PT. A reportagem
também ignora que a forma de feitio da Conferência é um arremedo de
democracia direta basista, nos moldes bolcheviques,
utilizando da mesma maneira como o PT pratica o que ele considera uma forma
de democracia direta. É na verdade um democratismo inteiramente controlado
pelas lideranças das principais facções partidárias, legitimando seu mando
discricionário. Essa democracia basista tem por
finalidade precisamente destruir a democracia representativa, visto que a
CONFECOM foi chamada precisamente para retirar do Congresso Nacional as
prerrogativas de formulação e discussão dos destinos nacionais no campo da
comunicação, inclusive dos seus marcos regulatórios. Ao ocultar o que
realmente se passa o Estadão acaba por desinformar seus leitores, desarmando
assim a prontidão daqueles que estão preocupados com a preservação da
economia de mercado e da democracia representativa. O jornal paulista, mais
uma vez, se torna companheiro de viagem dos revolucionários que agora mandam
no Palácio do Planalto. Na edição de hoje, ao lado da nota sobre a CONFECOM,
tem uma longa matéria sobre a EBC,
a novíssima estatal criada pelo ministro da Propaganda, Franklin Martins,
dando conta de que ela está elevando seu milionário orçamento para 2010, sem
que seja feita qualquer elo entre o fato e a Conferência. A CONFECOM
terá como subproduto direcionar o esforço do Estado para estatizar e expulsar
as empresas privadas em toda a cadeia produtiva das comunicações, permitindo
o controle total do acesso e do conteúdo pelos agentes políticos. Será um
passo alargado no rumo do totalitarismo. A tática de silêncio dos grandes veículos
é errada e suicida. O retardamento da reação poderá ser tarde e ineficaz. Ela
deveria ter sido iniciada tão logo o decreto de chamamento da COFECOM foi
publicado, em abril último. Todos esses meses de silêncio serviram apenas
para desarmar a opinião pública brasileira contra o assalto do totalitarismo
bolchevique. Uma fez concluída a CONFECOM qualquer reação será tardia e
extemporânea e – lamento dizer – inútil, impotente. O caminho
escolhido da acomodação feito pelos barões da mídia é suicida. Eles deveriam
estar à frente da resistência contra os totalitários. Preferiram
o estúpido grito do silêncio, a covarde omissão que poderá custar caro aos
brasileiros. |
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