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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM:
O DIREITO À COMUNICAÇÃO 09 de dezembro de 2009 A palavra de
ordem para a CONFECOM, cunhada desde o Fórum Social Mundial por Frei Betto, é a mobilização em torno de um suposto direito a
comunicação, assim definido como uma variação dos direitos humanos. Não posso
deixar de recordar aqui do livro de Michel Velley,
O DIREITO E OS DIREITOS HUMANO (Editora Martins Fontes, 2007), no qual o
autor mostra que essa definição de “direito subjetivo” é uma das alucinações
do idealismo jurídico moderno. Ora, a comunicação, antes de ser uma figura
jurídica, é uma faculdade inerente ao homem. Outra coisa é a produção de
notícias, atividade sofisticada e cara, que envolve complexa gama de
conhecimentos e emprega pessoal caro e especializado. A produção de notícias,
dentro da economia de mercado, é atividade livre e qualquer um pode se estabelecer
no setor, desde que tenha os capitais necessários e a competência para gerir
o negócio. Vê-me que a manipulação
do PT e de seus aliados esquerdistas em torno da comunicação como direito
visa a atingir o setor empresarial. O vídeo em que Altamiro Borges, membro
do Comitê Central do PCdoB, exorta o público a exercer esse direito não dá
margem a dúvida: seu inimigo são as empresas de comunicação, a quem chama de
Partido do Capital, expressão tomada à obra de Antonio Gramsci. Da mesma
forma, a deputada Luiza
Erundina enfatiza o aspecto “estratégico” dos meios de comunicação. Ambos
desconhecem ou fingem desconhecer o caráter mercantil da produção de
notícias. É como se houvesse um conluio do “Partido do Capital” contra o “povo”.
Ver esses dois vídeos dá bem a idéia da mobilização
esquerdista contra a ação da empresa privada nos meios de comunicação. O que essa gente
quer, ao politizar a produção de notícias e o conteúdo de um modo geral,
obviamente não é “democratizar” um direito, mas, em nome dele, comandar a
produção de notícias em favor da transformação social socialista. A má fé nem
mesmo é escondida. A própria CONFECOM é a ação em marcha objetivando destruir
o setor privado na produção de conteúdo. A mobilização
dos ativistas de esquerda para a CONFECOM contrasta com a passividade com que
os órgãos de mídia têm se comportado em torno do assunto. Finalmente vamos
ter a situação em que aqueles que acreditam na economia de mercado e na
sociedade aberta não poderão mais viver da herança recebida. Terão que
disputar no mercado de idéias o espaço que os esquerdistas têm tomado diuturnamente
nas últimas décadas. Acredito na superioridade dos valores liberais em
economia e conservadores em matéria de costumes. Essa superioridade, todavia,
não se impõe mais de forma automática. Ela precisa ser transformada em
discurso e em mobilização, sob pena de ser atropelada pela militância de
esquerda. Ainda é tempo
para as empresas atuantes no setor patrocinarem um contra-ataque de
mobilização. Se não o fizerem serão destruídas em poucos meses. Não adiante
se comportar como o avestruz à chegada do leão devorador, enfiando a cabeça
sob a terra. Precisam lutar no campo da comunicação política, como seus
inimigos fazem. A passividade até agora revelada, todavia, me leva a
acreditar que nada farão, acreditando no poder de outrora. Um grande
equívoco, que prejudicará as próprias empresas e a população em geral, que
terá o conteúdo filtrado por instâncias hostis. |
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