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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM,
EXERCÍCIO DE SEGUNDA REALIDADE 17 de dezembro de 2009 Ter presenciado
os trabalhos da Confecom, tirante o lado
absolutamente enfadonho e repetitivo, foi rico para observar um acabado
exercício de mergulho na Segunda Realidade, sem qualquer âncora com a
realidade factual. A Segunda Realidade foi descoberta por Cervantes e o
personagem Dom Quixote narra com requintes literários essa alucinação típica
dos tempos modernos. O reino da Segunda Realidade é o reino dos
revolucionários, dos jacobinos empenhados em moldar a realidade a seus
preconceitos. O primeiro
sintoma dessa loucura é o formato da Conferência. Os coordenadores e os
delegados se comportam como se estivessem em regime de uma assembléia
constituinte. Os delegados se revezam ao microfone como se estivessem em uma
câmara de deputados, elaborando textos com força de lei. Daí porque são tão
ciosos da representatividade dos delegados, a ponto de segregarem os
observadores fora do recinto de votação. Ontem uma pessoa tentou entrar no
recinto exclusivo dos delegados e, descoberta, foi expulsa com grande escândalo,
escoltada por seguranças. O exercício da Confecom é um simulacro de sovietização,
como se esse formato pudesse sobrepor e substituir o Poder Legislativo. Uma
perfeita alucinação, como se vê. O eixo é sempre modificar o marco legal e se
apropriar, de alguma forma, de uma fração dos impostos. E também usar o poder
de polícia estatal contra o empresariado, tido e havido como inimigo da
chamada “sociedade civil organizada”, ou seja, eles mesmos, os militantes
esquerdistas. Não escondem sua fé na estatização e no uso do poder de Estado
contra os empresários. Não escondem que, se puderem, elevam a carga
tributária até o limite do sufoco econômico da iniciativa privada. O democratismo é
outra dimensão do conclave sovietizado. A exaltação
da diferenciação por sexos (gêneros), por raças e por região não esconde a
deliberada vontade de dividir a sociedade em segmentos antagonizados
artificialmente. Uma loucura perigosa. Nas
manifestações em que os delegados da Febratel e da
Abra tomaram posição pró-mercado ficou claro que estes são peixes fora d’água,
estreantes em assembléias leninistas. Mal sabem que esse tipo de assembléia
historicamente tem sido chamado para o exercício de campeonato de
radicalismos contra a economia de mercado e contra a sociedade aberta. Para
os que estão existencialmente mergulhados na Segunda
Realidade o socialismo é a meta a ser alcançada e a economia de mercado uma
estrutura a ser destruída. A Confecom é uma assembléia de homens-massa. Uma perfeita
alucinação coletiva, uma coleção de ações estúpidas. Ela só não mergulha em
entropia inconclusiva porque, por detrás da aparente autonomia dos delegados,
operam os agentes do partido. Estes impõem suas decisões e sua disciplina,
sendo um exemplo cabal a decisão de manter a proporcionalidade das propostas,
como queria o segmento empresarial. Portanto, na loucura da Segunda Realidade
percebe-se método, a racionalidade do mal operando. A máscara democrática cai
à simples observação. Na verdade, todo o circo não passa de uma dinâmica de
grupo controlada pela qual o partido exerce seu poder despótico. O segmento
empresarial está aqui simplesmente porque o partido entendeu ser tático
dividir os empresários, aproveitando-se do ódio que todos comungam para com a
Rede Globo. Eu me pergunto se os supostos ganhos que possam advir da
reconstrução do marco legal compensa, para os empresários, a destruição das
defesas do livre mercado e da sociedade aberta. Essa gente dos movimentos
sociais não tem nenhuma contemplação para com seus inimigos de classe. Tático
ou não, o que querem afinal é radicalmente contrário aos interesses mais
estratégicos da Febratel e da Abra. No recinto
percebe-se a tensão permanente existente entre os militantes esquerdistas e os
delegados das empresas privadas. Os delegados do segmento empresarial ficaram
apropriadamente confinados à ala direita de quem entra no auditório. Nada de bom pode
emergir da Segunda Realidade que não o delírio deletério da loucura. Pactuar
com loucos é suicídio. (Enquanto escrevo este artigo a platéia entoa, a
plenos pulmões; “Não
não não à privatização”. Será talvez o grande recado dos agentes sovietes aos novos sócios da Telebrasil
e da Abra). |
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