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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM
E O PLANO NACIONAL DE BANDA LARGA 01 de dezembro de 2009 Quando recebi
o e-mail circular da Telebrasil informando
da conclusão do Plano Nacional de Banda Larga, no âmbito do Ministério das Comunicações,
achei que o documento estaria em rota de colisão com as “propostas” que tenho
lido das organizações de esquerda empenhadas na CONFECOM. Eu me dei ao
trabalho de ler o documento
apresentado ao presidente da República. O seu espírito é preservar a economia
de mercado, embora admita o caráter complementar da ação estatal. Nada mais
longe do que querem os que estão por detrás da Conferência. No mesmo dia
o presidente Lula devolveu o documento, solicitando mais “estudos”, e logo em
seguida o seu anúncio foi adiado por três semanas, o que coincidirá com a
instalação dos trabalhos da CONFECOM. Se eu estiver certo o documento gerado
pelo Ministério das Comunicações será descartado. O governo do PT está
integralmente tomado pelo élan revolucionário e sua filosofia é
diametralmente oposta ao espírito contido no Plano do ministério: o setor
estatal é para ele o agente principal, cabendo ao setor privado o papel de
coadjuvante. Nos próximos
dias teremos o desfecho do processo. Se, de fato, o Plano for reformulado,
minimizando o papel da iniciativa privada no processo de expansão da infra-estrutura
de banda larga, o ministro Hélio Costa terá sofrido vigorosa derrota. E digo
sem rodeios: esse Plano não está de acordo com os interesses daqueles que
organizaram e chamaram a CONFECOM. Se essas pessoas tiveram força para chamar
a Conferência, tiveram força para fazer Lula pedir mais “estudos” sobre o
Plano, terão força também para elaborar seu próprio plano, a partir de suas
convicções estatistas. Vimos que a CONFECOM foi
gestada dentro de um marco mais amplo do processo revolucionário em curso. Seu
anúncio ocorreu sintomaticamente durante o Fórum Social Mundial, pela boca de
Frei Betto. Logo depois o presidente Lula soltou o decreto de chamamento,
surpreendendo toda a sociedade brasileira. Nos artigos em que historiei a gênese
do evento podemos ver que estamos diante da iminência de uma mudança brusca,
não apenas na política do setor de comunicações, mas da própria forma de
tomada de decisão do Estado brasileiro. A CONFECOM é um mecanismo de caráter
sovietizado para a tomada de decisão e expressa a vontade política dominante
dentro do Governo Lula. O PT quer o controle de todo o processo produtivo das
comunicações, desde a infra-estrutura até a produção de conteúdo. Quer aqui
fincar definitivamente a bandeira do socialismo. A estratégia
dos empresários do setor para enfrentar a onda revolucionária é a do silêncio,
do “deixa como está para ver como é que
fica”. É o pior que poderiam fazer. Os petistas são inimigos jurados da
economia de mercado e não conhecem limites que não a força da ação política. A
omissão só retarda a reação e alimenta a força daqueles empenhados no
processo revolucionário. O gesto de Lula pedindo mais “estudos” sobre o Plano
é emblemático. Como está ele não dará seu endosso. Um novo plano será consolidado
e provavelmente anunciado por ocasião da CONFECOM, contra os interesses empresários
do setor. Se esperavam no lobby de bastidores dobrar a vontade política do PT
erraram feio. Terão que lutar em outras arenas, como as demais empresas do
setor. Terão que trabalhar a opinião pública. Decisões empresariais desse
tipo há muito deixaram de ser coisas de técnicos e de administradores
fechados em seus gabinetes. Provavelmente
uma modificação do Plano, ou a elaboração de um substitutivo de caráter
estatista, colocará o ministro Hélio Costa em situação política muito difícil.
Ele não poderá dar seu aval para a destruição do papel da iniciativa privada
no setor. Há um limite além do qual não é prudente ir. |
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