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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CONFECOM:
A SOVIETIZAÇÃO DO BRASIL 17 de novembro de 2009 No próximo
dia 14 de dezembro acontecerá em Brasília um grande evento político, a CONFECOM – Conferência Nacional de
Comunicações. Quem olha o assunto pela primeira vez pode não se dar conta
da importância do mesmo. Aqui não se trata meramente de um evento para tratar
do setor de comunicações e nem mesmo se trata de preservar a liberdade de
imprensa. O que está em jogo é um ensaio inovador de formulação de políticas
públicas, a partir de um modelo basista – aos
moldes dos sovietes leninistas
–devidamente controlados por maioria do partido governante. O que ganha o
governo com isso? O que ganha o PT? Praticamente, se este ensaio der certo,
ficará criada uma forma de decisão política paralela ao Congresso Nacional,
cabendo a este apenas a figura homologatória de fazer a norma positiva. É uma
ousadia sem precedentes do governo Lula, ensaiar essa sovietização
do Brasil, passando por cima da Constituição e do Poder Legislativo. Mesmo
que as tais recomendações do relatório final da CONFECOM sejam devidamente
recusadas pelos legisladores, haverá a vitória política de Lula e do PT por
ter levado a cabo a gigantesca mobilização, que está mexendo com gente de
todos os recantos do Brasil. Um processo que certamente será repetido com
outros temas no futuro. É uma tentativa de acabar com a democracia
representativa como a conhecemos, mesmo sem alterações na Constituição. Lamento não
ter ouvido uma palavra da grande imprensa contra essa violência às
instituições. As empresas do setor são vítimas coniventes. Nem um discurso no
Congresso Nacional contra a usurpação do seu poder. Os representantes eleitos
são coniventes. Certamente que essa omissão custará caro aos brasileiros.
Tenho visto, há anos, aqueles que têm dinheiro e poder para enfrentar os
revolucionários comunistas irem recuando a cada passo de avanço dos inimigos
da sociedade aberta. Sempre preservando interesses particularistas e recebendo,
em troca, concessões econômicas, nem sempre legítimas. O episódio do “Mensalão” revelou o grau de corrupção de que o sistema é
capaz. Este método de cooptação, todavia, parece que foi esgotado e o partido
de Lula resolveu agora implantar o modelo consagrado nos manuais de Lênin. Todo o poder aos sovietes! E bem sabemos
o que são os sovietes: uma caricatura de democracia
direta, em que os delegados “livremente
eleitos” são marionetes do partido e cumprem disciplinadamente as
decisões tomadas dentro do chamado “centralismo
democrático”. Calar diante do que está acontecendo é mais do que omissão
e covardia: é entregar o país aos celerados revolucionários. Não podemos
subestimar o que estão fazendo. É hora dos que têm responsabilidade agir, em
nome da liberdade da gente brasileira, em nome das gerações futuras. O fato é tão
importante que o a Executiva Nacional do PT baixou uma resolução específica para o evento, para a qual
convido você, meu caro leitor, fazer uma leitura atenta. Já no Preâmbulo do
documento estão contidas todas as más intenções políticas do PT: “A Conferência Nacional de Comunicação
convocada pelo governo Lula é uma importante conquista dos movimentos que
lutam pela democratização do setor no Brasil. O PT apóia o conjunto de
reivindicações desses movimentos, conforme resolução aprovada em conferência
partidária realizada em abril de 2008. Na 1ª Confecom,
a intervenção petista se dará de duas maneiras: uma, ao lado das lutas
especificas de cada área; outra, mais ampla, na construção de um novo modelo
legal para todo o setor das comunicações – sem o que dificilmente haverá
avanços nas questões pontuais. A definição de um marco regulatório
democrático estará no centro de nossa estratégia, tratando a comunicação como
área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social
e considerando a mudança de cenário provocada pelas tecnologias digitais. O
PT também lutará para que as demais ações estatais nessa área promovam a
pluralidade e a diversidade, o controle público e social dos meios e o
fortalecimento da comunicação púbica, estatal, comunitária e sem finalidade
lucrativa. Mais do que combater os monopólios e todos os desvios do sistema
atual, é preciso intervir para que eles não se repitam ou se acentuem nesse
novo cenário tecnológico – que dentro de poucos anos superará completamente o
antigo modelo”. A Conferência
não é tida como um ato de rotina administrativa do governo, mas como “conquista” dos movimentos, que todos
sabemos são aparelhados pelo PT. No Capítulo Segundo, declara que o marco
regulatório deve estabelecer, entre outras coisas: “Atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação
(criação, produção, processamento, armazenamento, montagem, distribuição e
entrega), impedindo que uma mesma empresa possa atuar nos mercados de conteúdo
e infra-estrutura”. No seu Capítulo Terceiro está escrito que o PT
defenderá a criação do Conselho de Comunicação Social, a própria institucionalização
da censura prévia, já rejeitada anteriormente pela sociedade. No Quarto, que
a Internet deve ser regulada, ou seja, controlada politicamente. Não há dúvida
de que os documentos que vão emergir desse conclave sovietizado
estarão em sintonia com a vontade política expressa nessa resolução. É a instância
partidária se sobrepondo ao Estado, não apenas ao Poder Legislativo, como
também ao Poder Executivo. Quem manda é o partido. Há um site pró-conferência, composto por
entidades vinculadas aos militantes esquerdistas, que está à frente das
mobilizações. O panfleto que sugere ser distribuído na mobilização é uma peça
antimercado, anticapitalista e anti-sociedade aberta. Um clone do Manifesto Comunista
aplicado às comunicações. Lá está escrito que “É dever do Estado garantir que todo mundo possa acessar e produzir
conteúdos para se informar e se comunicar”. Bem sabemos o que significa
isso: o fim da liberdade de produzir e veicular notícias sem a censura prévia
dos comissários do partido. Fique atento,
caro leitor: os sovietes já chegaram e estão agindo para tomar o poder total no Brasil. A luta
pela liberdade precisa se tornar uma mobilização de massa imediatamente. |
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