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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CIRO
GOMES EM SAMPA 03 de outubro de 2009 A
transferência do domicílio eleitoral de Ciro Gomes para São Paulo é o grande fato
político da semana que se encerrou e precisa ser devidamente compreendido.
Difícil saber o destino final do gesto, se é a eleição para a Presidência da
República ou se ao governo do Estado. São cenários diferentes, de impactos
diferentes, e provavelmente a decisão final terá por base pesquisas qualitativas, a serem feitas no começo do ano. Entendo que
Ciro só sairá para a Presidência se houver chance de ganhar. Ele é a carta na
manga se o projeto eleitoral do PT caminhar para o naufrágio. Muitos “ses” a meio do caminho. O certo é que
o gesto de Ciro tem como propósito único, em qualquer um dos cenários: bater
no Serra. É inegável que a sua condição de ter nascido em São Paulo e de ter
raízes profundas no Nordeste dá a ele a condição de
se identificar com a numerosa comunidade nordestina de São Paulo, estimada em
mais de dez milhões de pessoas, contando os descendentes. Com a máquina do PT
a seu favor Ciro Gomes pode agregar mais votos, de
fora da comunidade. E é sabido que há um enorme preconceito para com a
população nordestina, que se concentra as camadas
mais pobres. Ciro vem para pregar o ódio comunitário e o rancor, algo muito
ruim para São Paulo e para o Brasil. Brincar com sentimentos irracionais pode
ter conseqüências desastrosas. Para piorar,
José Serra é um sujeito que, em mais de uma ocasião, destilou preconceitos
contra os nordestinos, que poderão ver na oportunidade o momento da desforra.
Serra encarna a antipatia da comunidade sem precisar abrir a boca. Ciro Gomes
pode desequilibrar contra o governador de São Paulo explorando sentimentos
melífluos. O quadro eleitoral agora ganhou outro colorido, um enorme ponto de
interrogação se ergueu. Tudo pode acontecer. Se o PSDB não
consagrar Geraldo Alckmin para a chapa estadual poderá até correr o risco de
perder o Palácio dos Bandeirantes. E, mesmo Alckmin escolhido, o pleito agora
ganhou um componente inesperado. As sementes de ódio que Ciro Gomes irá
espalhar poderão ter efeitos imprevisíveis. Os prognósticos agora ficaram
incertos e confusos. Ganhar as
eleições a qualquer custo tem seu preço.
Partidos como o PT não têm limites éticos, são como os nazistas. Ciro
está, por assim dizer, sendo importado da “Áustria”, um cabo eleitoral sob
medida. Não gosto disso, liberar energias primitivas poderá sempre causar
explosão. Como naquela casa de fogos de artifício que, isolados, são
inofensivos. Juntos podem destruir um quarteirão. A explosão pode vir. Mesmo que
nada tenham contra José Serra em matéria de preconceitos contra a comunidade
nordestina haverão de inventar. Uma mentira mil vezes repetida pode se tornar
uma verdade, como queriam os nazistas. Vivemos
tempos equivalentes aos anos Trinta. Ciro Gomes é a quinta coluna infiltrada
para ajudar contra as pretensões de José Serra de chegar ao Palácio do
Planalto. Penso que 2010 poderá ser a eleição do rancor. Os presságios são
piores possíveis. |
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