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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CHÁVEZ E A
REVOLUÇÃO 15/11/2007 O “Cala-te” do rei Espanha ao ditador Hugo Chávez
foi mais do que oportuno. Para além do episódio lamentável há que se analisar as forças subterrâneas que agiram, determinando
os fatos. Entendo que são as mesmas forças que estão em movimento na América
do Sul e o frenesi do episódio foi uma pequena erupção sintomática, antecedente
das grandes erupções que virão. Chávez é um epifenômeno, um produto acessório e periférico dos
acontecimentos verdadeiramente decisivos que se passam na região. O epicentro
desses acontecimentos está em Brasília e o controlador de todo o processo é o
Partido dos Trabalhadores do Brasil. O lamentável é que nem a
imprensa mundial parece ter-se dado conta do processo em curso. Não tenho
notícia de que os formuladores geopolíticos dos EUA e da União Européia,
Espanha junto, estejam percebendo o caminho do abismo que estamos a trilhar. Chávez só está no poder por obra e graças de Lula e do
PT, que o têm segurado nos momentos difíceis e impedido que o governo dos EUA
aja para a sua saída. A Venezuela funciona para o Brasil como Cuba funcionou
para a antiga União Soviética, um instrumento de demonstração de poder diante
dos EUA. Mas a Venezuela é mais do que uma pobre Cuba, por ser um grande
produtor de petróleo e ter larga extensão territorial. Penso que a
restauração do império comunista por nossas bandas vai começar pela Venezuela
e pela Bolívia, enquanto satélites brasileiros, daí o grande grau de
tolerância, apoio geopolítico e o empenho do governo brasileiro com esses
parceiros. É notável também o esforço para trazer a Venezuela para o âmbito
do Mercosul. O vínculo da união
sul-americana pode ser o marco jurídico de onde poderá partir a confederação
revolucionária, nos mesmos moldes em que foi forjada a ex-URSS. A ditadura
venezuelana se presta como uma luva para isso, pois uma mera carta de
intenção de Chávez pode consumar a tácita anexação
territorial daquele país. Veja, meu caro leitor, que
estou falando não de mera possibilidade, mas de intenções manifestas há
décadas e documentadas nas atas do Foro de São Paulo. É possível que o Brasil
possa anexar a Venezuela sem disparar um único tiro, a exemplo do que Hitler
fez com a Áustria, respondendo a um suposto pedido do povo. O mesmo com a
Bolívia do cocaleiro. Os demais países viriam por
efeito dominó. Alguém poderia argumentar que Chávez está se armando até os dentes. Contra quem?
Certamente não contra seus aliados do Planalto Central. As forças de Chávez podem ser o poder de fogo que
falta ao PT junto às nossas Forças Armadas. Sua verdadeira força expedicionária,
a fazer o trabalho sujo onde for preciso. Talvez o único
grande país da região firmemente contrário a um movimento dessa envergadura
pelos governantes revolucionários do Brasil seja a Colômbia, que
provavelmente iria à via militar para resistir, até porque tal movimento
daria às FARC uma nova força e uma nova injeção de ânimo na sua marcha para a
tomada de poder. A Colômbia ficaria cercada por todos os lados, com as
forças hostis atuando de forma coordenada. Só lhe restaria a
aliança incondicional dos EUA, que certamente não ficariam de braços cruzados
diante de um cenário como esse, uma vez ele materializado. A América do Sul
seria tomada por um incêndio semelhante àquele que varreu a Europa nos tempos
de Hitler. O
rei de Espanha não pode esperar o silêncio de Chávez.
Ninguém negocia com o demônio sem lhe entregar a alma. E a Espanha tem feito
isso maciçamente, em todos os países da região, injetando bilhões de Euros. Chávez é o boneco de ventríloquo
de Lula, que a todos diverte e fala as
inconveniências que a seriedade revolucionária do governante brasileiro não
lhe permitiria falar. Mas é importante atentar para o que Chávez
diz e também para o que Lula diz. Nos jornais de hoje Lula afirma e reafirma
que a democracia vige na Venezuela, contrariando a realidade imediata de
ditadura total que lá existe. De forma indireta Lula manda o rei de Espanha
calar-se, dando o troco. Ele disse, referindo-se ao episódio: “Essas coisas acontecem. Quem falou ‘cala-te’
foi o rei, não um de nós”. Nós quem?, haveríamos de
perguntar. “Nós, os revolucionários
sul-americanos”, bem ele poderia completar. A
cada dia vejo nos jornais o cerco revolucionário ser estreitado. Além da
defesa de Chávez feita pelo Lula a Folha de São Paulo informa-nos, na
edição de hoje, do espurgo aplicado pelo PT ao
IPEA, um importante órgão de pesquisa e de formulação de políticas. O Estado
total comunista não suporta nenhum tipo de dissidência, exige a unanimidade,
sobretudo entre os formadores de opinião. Todo dia novos passos são dados na
direção do totalitarismo no Brasil. Um verdadeiro “cala a boca” ao povo brasileiro. |
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