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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CEM DIAS DE OBAMA 03 de maio de 2009 “Não é a economia estúpido, a propaganda é a
alma do negócio em política”, poderíamos cinicamente arremedar a frase de
James Carville, marketeiro
de Bill Clinton, referindo-se ao inicio do governo de Barack
Obama. Mais que arremedar, corrigir. O fator
econômico só tem relevância dentro do contexto de normalidade, que defino
como sendo a certeza razoável que se pode ter de haver, nos próximos meses, a
repetição dos meses anteriores, sem grandes alterações e nem fatos novos que
redefinam a vida cotidiana. Vivemos
tudo, menos isso. Os cem primeiros dias de Obama no
poder foram acompanhados de problemas econômicos de toda ordem, desemprego,
descontrole na oferta de moeda, bailouts
atabalhoados e uma caminhada sem paralelo histórico no rumo da estatização da
economia, conforme matéria publicada no Estadão
de hoje. Em resumo, nada a comemorar, tudo a lamentar. No mesmo Estadão
podemos ler que em abril pela primeira vez na história os EUA perderam a
liderança como parceiro comercial do Brasil, tendo a China tornado-se nosso
maior mercado importador. Uma relação de causa e efeito direta da crise daquele
país e das maluquices de política econômica posta em prática por Obama. E, todavia,
a popularidade do líder dos EUA não dá sinais de deterioração. O fato novo
fundamental que tivemos é o desaparecimento do frenesi propagandístico contra
os EUA da esquerda militante na mídia, como por um passe de mágica. É como se
a guerra no Iraque tivesse acabado, como se EUA não estivessem onde sempre
estiveram. Os jornais mudaram sua pauta para uma nova agenda. O frenesi de
propaganda contra Bush deu lugar a uma placidez impressionante e a uma tolerância
irrestrita para com Barack Obama,
cada vez mais pop star. No lugar da
malhação do Judas americano apareceu toda sorte de nota apologética ao novo
governante, cada vez mais retratado como um salvador do mundo. Não
surpreende que até tenham inventado o falso pânico da gripe suína, que
mobilizou a atenção da opinião pública mundial. Claro, o preço foi matar a
indústria turística do México por algum tempo. Um mero factóide, mas
devastador para a economia mexicana. Fiquei com a impressão que esse fato foi
explorado precisamente para desviar a atenção da opinião pública mundial para
o desastroso balanço dos cem primeiro dias de Obama.
Uma análise fria mostrará que seu governo tem sido um rotundo fracasso e que
não se pode enfrentar a realidade com retórica vazia. Os fatos atropelam os
incompetentes e os despreparados. E os mal intencionados também. A
propaganda só pode ser a alma do negócio por algum tempo, pois não se pode
enganar a todos por todo o tempo. Essa mudança nos destinos das exportações
brasileiras não é fato isolado, a China de fato tem se agigantado, ocupando o
vácuo da outrora pujante economia norte-americana. Penso que essa mudança é
estrutural e permanente, redefinindo o jogo de poder mundial. Enquanto os EUA
não voltarem ao leito correto da economia de mercado, acabando com os
privilégios de aposentados, de parasitas do Tesouro e da regulação estúpida
das trocas internacionais, “protegendo” seu mercado interno, a crise só irá
se agravar. Enquanto não cuidarem bem se sua própria moeda, o dólar será
paulatinamente expulso do mercado mundial como meio de troca. A pirotecnia
propagandista não produzirá uma realidade melhor e nem esconderá por muito
tempo as mazelas. O povo americano está empobrecendo com muita rapidez. Obama assumiu, mas não saiu do palanque. Vive de bravatas e frases
feitas, como um Sancho Pança governando uma ilha da fantasia. A decadência americana
será rápida, sob esse falso líder, esse animador de auditório, esse Chacrinha
da política. Um ciclo histórico está sendo concluído. |
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