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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CANTIGA DE RODA 14/10/2008 “Ciranda Cirandinha Antiga cantiga de roda E daí,
sobre a subida das bolsas de valores pelo mundo? A crise acabou? Foi
esconjurada? Afinal, os liberais estão errados e os esquerdistas (keynesianos e marxistas) estão certos? Se
era uma simples questão de emitir mais moeda e aumentar ainda mais a
dívida pública, se era assim tão simples, porque então discutir o assunto? O
Homem tem ou não tem a chave para a eliminação da escassez? Sim, meu caro
leitor, é disso que estamos falando. Se os governos do mundo afora, inclusive
o do Brasil, estiverem fazendo a coisa certa, então tudo que sempre foi mais
sagrado, tudo em que se acreditou, toda a realidade tida como tal não passava
se engano. A triste ciência
econômica, a ciência da escassez, terá sido um engodo, desde a origem. Deus
se enganou. Cristo se enganou. Adam Smith se enganou. A humanidade, desde
tempos imemoriais, tem padecido do regime de escassez porque não teve
discernimento suficiente para emitir moeda na quantidade requerida para
enriquecer a todos nós. Não é incrível? O problema
é que a história mostra que essa saída fácil – o largo caminho da perdição –
é uma falsa saída. A realidade não muda se governos pintam mais dinheiro hoje
do que o fizeram ontem. Crises há porque viver é uma crise, desde o
nascimento. É um enfrentamento, seja no plano pessoal, seja no plano
coletivo. Só se foge da crise pela morte. Pelo suicídio ou pela guerra, do
contrário o Homem tem que enfrentar o real e o real é a escassez. Terá que
comer o pão com o suor do seu rosto. Atalho só há para ladrões e governantes,
que no caso são a mesma coisa. A realidade é aquilo que é. Basta que
folheemos livros de história monetária para ver o destino das superemissões: Alemanha de 1923, Hungria do pós-guerra e
Zimbábue atual não parecem ser exemplos a serem seguidos. E o do Brasil,
porque não? Temos também em nossa história muito know how de como construir uma
hiperinflação. A novidade
- a grande novidade – é a irresponsabilidade
monetária em escala planetária. Tempos apocalípticos. A imprensa
mundial tem relatado os detalhes da crise que se instalou. Na origem, a
irresponsabilidade estatal nos EUA de obrigar o sistema bancário a emprestar
a pessoas, para compra da casa própria, que não teriam meios de honrar os
pagamentos, em nome do social. O
governo, ainda uma vez, tentando driblar a lei da escassez, querendo dar casa
para todos, ainda que ao preço de se construir uma crise financeira
sistêmica. Obviamente,
ninguém consegue enganar a lei da escassez, como estamos a ver. Durante algum
tempo criou-se a prosperidade inflacionária, mas chegou a hora da verdade.
Toda a gente agora sabe que os EUA (e a União Européia) têm vivido a crédito,
bem além de suas posses. Construíram uma prosperidade postiça, que de forma
alguma poderá manter-se. E, com essa decisão de estatizar bancos e cobrir
qualquer risco bancário, simplesmente as bases reais de funcionamento da
economia natural capitalista deixaram de existir. O conceito de assunção de
risco no ato de investir desapareceu. O mesmo pode-se dizer do ato de poupar.
Para quê? Esses atos fundamentais para o funcionamento do sistema econômico
por suposto poderiam ser substituídos com vantagem pela máquina de pintar
dinheiro. Isso não
pode dar certo, todavia. Uma hiperinflação em escala mundial está a caminho.
Dinheiro falso é droga pesada e viciante, quanto
mais se usa, mais se quer usar, até o limite da explosão. Ou do infarto. Não
é tão fácil pintar dinheiro? O difícil é ganhá-lo no mercado. É o que vai
acontecer, uma emissão infinita e a respectiva hiperinflação. Podemos fazer
como os compositores que parodiaram a velha canção de roda que pus em
epígrafe: Ciranda,
cirandinha vamos todos cirandar Quem dera
fosse uma brincadeira de criança. Quem viver verá. |
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