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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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CAETANO CANTA MARINA 11 de novembro de 2009 A entrevista concedida pelo cantor Caetano
Veloso ao Estadão (05/11) é exemplar para nos dizer da confusão mental em que
nossa classe artística está metida, com as exceções de regra. Os leitores
devem se lembrar da uma exceção memorável: Raimundo
Fagner. E não é
porque sou cearense, não, mas como artista, como cantor e compositor e como
homem Fagner é muito superior ao Caetano. Mais afirmativo e mais corajoso.
Comparar ambas as entrevistas é um exercício pedagógico. Mas aqui
quero comentar a imensa confusão mental em que Caetano está metido. O fato de
ser confuso, todavia, não o isenta da responsabilidade diante das pessoas que
gostam de sua arte e o tomam por formador de opinião. Ele deveria guardar,
diante de temas sobre os quais nada tem a dizer,
como a política, um silêncio respeitoso. Mas, como bem lembrou o notável Fagner,
“Caetano tem um
problema de ego: quer sempre aparecer. Quando não tem assunto, vai à mídia e
diz que é melhor que o Chico Buarque e o Milton Nascimento juntos”. Ao declarar seu voto na Marina Silva o fez em grande estilo,
achando que estava fazendo o máximo. Quem é Marina? Quais são as forças em
torno de Marina Silva? Marina está à esquerda de Lula, todos os radicais que
acham o governo de Lula “de direita” estão com ela, para implantar um outro mundo possível por aqui. Caetano não
percebe o descenso político e moral que isso representa,
o perigo que se alarga em entregar o poder de Estado para gente desse naipe.
Ele fala como se isso fosse algo bom. Declarou, hiperbólico: “Pode botar aí. Não posso deixar de votar nela. É por demais
forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é
inteligente como o Obama, não é analfabeta como o
Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Mas olha,
eu concordo com o Mangabeira sobre a vanguarda tecnológica e o desbravamento.
Parece uma contradição? Mas é assim”. Tem razão, Marina junta o que há de pior em Lula e Obama. Racismo às avessas e muito confuso, pois Marina
não é preta coisa nenhuma, é uma legítima cabocla, com cara de índia. Gente
confusa como Caetano troca as bolas ao achar que cor de pele e origem social
faz de alguém um bom governante. Essa é nossa tragédia. É a mesma idéia que
transformou um apedeuta com cara de torcedor de
futebol idiota em presidente da República. Lula é cabo eleitoral dos
sindicalistas e dos revolucionários, herdeiros do antigo Partidão. Tomaram
conta do poder. Marina é o cabo eleitoral da faccão
mais aloprada das esquerdas. Sua eventual chegada
ao poder seria o equivalente a pôr Hugo Chávez na Presidência da República. Um
desastre para o Brasil. Pergunta: “A Marina teria
condições de gerir um país deste tamanho?” Resposta: “Acho que ela é muito responsável e muito
sensata. Se empenhar as energias para ganhar e se tornar capaz disso,
ela levará a sensatez ao ponto de poder gerir. Suponho que agora ela não
parece ter essa capacidade, com as coisas como estão”. Ora, governar nem é mera questão
técnica (que ela não tem) e nem mera questão de sensatez. Sempre foi a virtude
que aproxima o estadista do filósofo. A coitada da Marina, com toda a sua boa
vontade, está longe disso. E, pior, ainda é usada como cabo eleitoral por
aqueles que querem fazer desse país uma Cuba tropical. Do ponto
de vista político Caetano revelou-se um completo idiota. Pergunta: “Qual a
função do Estado no processo de desenvolvimento?” Resposta: “Não tenho uma ideia
precisa. Simpatizo muito com a tradição liberal inglesa e anglófona.
Mas não me identifico plenamente com a ideia de
Estado mínimo, de liberdade para as transações”. Ora, a tradição liberal
inglesa e anglófona é precisamente aquela que prega
o Estado Mínimo. Caetano ouviu falar disso, não sabe exatamente o que é, mas
enfiou na entrevista porque achou chique. Nada mais distante das tolices
socialistas de Marina Silva do que as idéias do liberalismo clássico. Que
confusão mental, a do cantor! “Eu tinha uma certa
raiva daquela onda de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, embora simpatize com
o liberalismo de língua inglesa”. É de matar de rir. Ele disse isso: “Simpatizo com o liberalismo clássico, mas
detesto os governantes liberais”. Tem cabimento? Não tem pé nem cabeça o
que fala. Para coroar as sandices, Caetano falou: "O português é
considerado assim o ‘túmulo de espírito’", citando Padre Antonio Vieira. Isso não era
verdade nem nos tempos antigos. Cervantes, do maravilhoso Dom Quixote, citou
Camões, e esta citação sozinha já faria do português uma língua notável,
acolhida pelo maior dos romancistas. Mas tivemos depois Machado de Assis,
Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Bruno Tolentino... E em Portugal?
Ficasse só com Fernando Pessoas e Caetano Veloso teria que lavar a boca para
falar da nossa língua sagrada. Mas idiotas não costumam fazer higiene bucal
periódica, a menos que alguém os force. Deve ter falado isso diante da última
tolice escrita do José Saramago. Se o fez, dou o desconto. Saramago contamina
a nossa língua com suas bobagens. O torna ainda mais burro o mais estúpido
dos homens. Prefiro
Fagner cantando Gonzagão e seus forrós celestiais
aos falsetes caetaneados. Tem mais poesia e mais
verdade nessa música do que nas declarações malucas de Caetano Veloso. |
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