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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A TERCEIRA LÂMINA 18 de fevereiro de 2009 A
precipitação da crise econômica na velocidade em que se encontra,
à escala mundial, pode ser considerada
a falência completa da ciência econômica como é pesquisada, ensinada nas
universidades e usada pelos formuladores de políticas por todos os
quadrantes. Essa falência não é mais rotunda porque um pequeno grupo de
praticantes ainda persiste no núcleo duro de seu saber, que é o mesmo desde
Adam Smith: a verdade de que o problema econômico da humanidade é o Estado
mercantilista, sempre foi. A humanidade não poderia ter permitido que a Besta
estatal tivesse crescido na proporção que cresceu. É patético
ouvir “especialistas” econômicos receitarem o caminho mais curto da superação
da crise. Quase todos eles advogam por mais crescimento do
Estado, mais regulação, mais emissão de moeda, mais estatização. Ora,
foi precisamente por terem feito “mais” isso tudo que a crise se instalou.
Por mera decorrência lógica aquilo que constitui a etiologia da crise não
poderia servir para a sua superação. É preciso reconhecer essa verdade
elementar se os governantes tiverem algum compromisso com os destinos
coletivos e não apenas com os poderosos lobbies estabelecidos. A crise veio
determinar que os insanos planos de aposentadoria, a gigantesca dívida
pública e os múltiplos clientes parasitas do Estado terão que se virar como
todo vivente: ganhando o pão de cada dia com o suor de seu rosto. Obviamente
que algo assim só poderá ocorrer mediante uma catástrofe e
a crise que chegou não merece outro adjetivo. Trata-se de uma crise
catastrófica cujas ondas estão a se esparramar progressivamente por todo o
Globo. Seu epicentro sem dúvida é os Estado Unidos, mas suas conseqüências
mais dramáticas serão sentidas naqueles países cuja prosperidade depende das
exportações para lá. A crise pode ser resumida numa frase: empobrecimento
rápido dos norte-americanos, que estão a perder empregos, rendas e
riquezas. Esse processo está apenas no início. A superação da crise requer primeiro uma forte redução do Estado, inclusive no que se
refere ao aparato militar. Isso não será feito com sorriso nos lábios. O caminho
dos bailouts
só leva ao desastre ampliado. O defunto morto pode até ser mumificado, mas
não ressuscitado. Empresas como a General Motors Corporation terão que enfrentar o desaparecimento. Será
inexorável. Da mesma forma, seus pródigos fundos de pensão. Essa gente que
virou parasita terá que descobrir novamente o caminho do trabalho. Emissão
primária de moeda para manter privilégios é não apenas imoral, é irracional.
O ônus da própria sobrevivência é de cada um. Trata-se do maior engodo do
Estado vender a idéia de que ele mesmo tinha a fórmula mágica de driblar a
lei da escassez. A crise mostrou que não tinha. Essa crise
vai se manifestar em três fases ou lâminas cortantes, como digo
metaforicamente. A primeira lâmina, a inicial, alcançou os empregos. Todas as
empresas que tinham alguma folga de recursos humanos
fizeram demissões instantâneas. A queda de demanda inicial levou a mais
demissões. Fosse um ciclo econômico normal tudo estaria esgotado nesse
movimento inicial, mas lamentavelmente estamos diante de uma crise
cataclísmica. A segunda
lâmina, já posta em movimento, levará ao corte das unidades deficitária no
interior das empresas mais fortes e, conseqüentemente, a mais desemprego.
Este processo está em curso mundialmente. As empresas, tirante as mais
frágeis que já estão fechando, descartarão tudo aquilo que virou peso morto. Por fim
virá a terceira lâmina, quando as próprias empresas
fenecerão em massa, como moscas ao sopro do aerosol
venenoso, o bafo da crise. Será sua fase mais dolorosa, mais cruel, pois aí a
taxa de desemprego crescerá exponencialmente e conhecimentos e capital serão
transformados em lixo. Mas será o preço a pagar para a superação da crise,
pois nesse processo o gigante estatal estará de joelho: arrecadação em queda
livre, nível de preços de definição incerta, a taxa cambial oscilante ao Deus
dará. Será a hora dos estadistas aparecerem. Gente como Obama
e Lula serão escorraçados do poder. O grande
perigo é que, ao corte da terceira lâmina, aconteça algum conflito militar de
maiores proporções, como um ataque de Israel ao Irã. A tentação de se
implantar um regime de guerra nos moldes do que vimos no final dos anos
trinta será muito grande. Tudo poderá acontecer. Nada está
a salvo, nada é seguro. O mundo de iniqüidades estatais, de privilégios
abusivos, de vagabundagem remunerada está acabando. A questão é saber o que
será posto no lugar. Só a economia natural, com um ordenamento jurídico
baseado na lei natural é que poderá salvaguardar os valores superiores da
civilização. O problema é que os homens precisarão fazer uma conversão ao Bem
e sabemos que esse gesto é raro. É provável que a decadência se arraste por
anos, talvez décadas, antes que uma nova ordem, racional e justa, seja
construída. Quem viver
verá. |
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