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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
SUCESSÃO PAULISTA 12 de outubro de 2009 Depois de
Ciro Gomes aportar em São Paulo, visando às próximas eleições, convém dar uma
olhada no que poderemos ter na sucessão estadual. Tivemos, além da chegada do
Ciro Gomes, a debandada do vereador Gabriel Chalita,
antigo secretário da Educação do governo Alckmin, que saiu por falta de
espaço na legenda do PSDB para postular uma vaga de senador. Foi parar no PSD,
junto com Ciro. É claro que Chalita não tem muita
chance na sua pretensão, mesmo tendo sido o vereador melhor votado na última
eleição. Eleição para senador em São Paulo é pleito demasiado difícil para
novatos. Não obstante, Chalita causou uma baixa
relevante nas hostes da social-democracia paulista. Ele vem do meio do
professorado paulista, um grande colégio eleitoral. Gabriel Chalita passou-se imediatamente para a base de apoio do
PT e de Lula e entrou como peão no tabuleiro de xadrez da sucessão estadual.
Vê-se que o intercâmbio entre PSDB e PT (e seus partidos aliados, como o PSB
de Chalita e Ciro Gomes) não tem nenhuma barreira
ideológica, servindo, as siglas, como sublegendas do Partido (com P
maiúsculo), a constelação esquerdista herdeira do antigo Partido Comunista
Brasileiro, carinhosamente conhecido por Partidão. O gesto de Chalita enfraqueceu seu padrinho político, Geraldo
Alckmin, político a quem o destino ligou de forma decisiva o destino de José
Serra. A equação da sucessão paulista pode ser a chave para a vitória ou a
derrota de Serra à Presidência da República. Um erro em São
Paulo e a equação política se desfaz. O PT jogará no erro do
adversário. Geraldo
Alckmin é o candidato natural, por ter vasto apoio na opinião pública (60% de
intenção de votos nas pesquisas), baixa rejeição e ter vindo de uma sucessão
de eleições que o deixaram com grande recall junto ao eleitorado. Preterir o
nome de Alckmin seria um erro político colossal, mas há fortes indicadores de
que esse erro está sendo cogitado. A imprensa tem dado conta de que o homem
forte de Serra, o ex-guerrilheiro Aloysio Nunes Ferreira, não está medindo
esforços para se sagrar, ele mesmo, candidato na convenção, mesmo tendo meros
5% na intenção de votos para governador do Estado. Seu apoio político está no
DEM, partido que parece ter aceitado a vocação de lacaio das forças
esquerdistas paulistas. Junto com o DEM tem também o PMDB paulista, de
Orestes Quércia, partido no qual Aloysio militou e deixou grandes aliados. Geraldo
Alckmin sempre foi um ET dentro da legenda do PSDB. De corte mais
conservador, sem história de luta contra o governo militar, ligado à ala mais
conservadora do catolicismo, caipira assumido ante o cosmopolitismo de seus
confrades, avesso a rompantes populista, Alckmin nunca teve a simpatia de
Serra. Sua base de apoio parece se resumir ao que restou a facção de Mario Covas,
que a cada ano fica mais minguada. Geraldo Alckmin é um estrela solitária,
que vive de seu próprio brilho, do bom governo que executou em São Paulo e da
imagem acima de qualquer suspeita que ostenta. Seu
perfil político está completamente deslocado dentro da agremiação. O preço de
rifar Alckmin pode custar o Palácio dos Bandeirantes ao PSDB. Uma decisão
racionalmente conduzida levará à consagração do seu nome, fechando assim a
porta para qualquer aventura de Ciro Gomes ou mesmo de um nome ligado ao PT.
O problema são as vaidades e as análises equivocadas dos estrategistas da
sigla. Não querem pensar que livrar-se de Alckmin pode equivaler a livrar-se
do poder estadual. Não podemos minimizar nem as vaidades e nem os erros nas
ações humanas, sobretudo no âmbito político. José Serra
terá que liderar essa decisão e essa decisão selará seu destino no plano
federal. Marchar para as eleições sem uma chapa forte no âmbito estadual é
suicídio político. Ruim com Alckmin, pior sem ele. O ex-governador é a garantia
de uma sucessão tranqüila em São Paulo. Difícil é
imaginar que tal movimentação de Aloysio Nunes Ferreira esteja sendo feita
sem o seu conhecimento e sua prévia aprovação. Aloysio é o perfeito número
dois, não tem perfil para chefiar o Executivo, é uma espécie de reedição de
Ulysses Guimarães, que perdeu quando se submeteu a pleitos majoritários, mas
sempre foi cacique partidário. Era um perdedor eleitoral nato. O problema é
que não há lugar para experimentos: um erro agora significará não apenas
perder o Palácio dos Bandeirantes, como também enterrar as chances de chegar ao
Palácio do Planalto. Alguém do esquadrão estratégico de Lula estará
infiltrado na coligação PSDB/DEM? Só assim para se compreender um eventual
passo em falso dessa envergadura. Pessoalmente
sempre tive grande apreço por Geraldo Alckmin. Governador ou Senador, o povo
de São Paulo terá um homem público digno na sua pessoa. Espero que o grupo de
José Serra tenha clareza suficiente para não ajudar o PT a ganhar as eleições
por culpa de seus próprios erros, eleições que hoje aparentemente estão perdidas
para o partido de Lula se as decisões forem corretamente tomadas. Vamos
aguardar os acontecimentos. |
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