NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado

 

 

 

 

 

 

 

AS TOLICES DO ARNALDO JABOR

22 de junho de 2010

 

Uma leitura descuidada do artigo publicado hoje no Estadão (“O povo pensa que dossiê é doce”), do Arnaldo Jabor, pode levar o leitor desavisado a achar que o astro global se regenerou de sua esquerdice genética. Um engano colossal. Quando ele escreveu que gostaria de ver autocrítica de Marco Aurélio Garcia, nos moldes do stalinismo soviético ou chinês, sem explicar ao leitor o que foram essas autocríticas, ele passa a impressão de que há um passado idílico das ditaduras democrático-popular do totalitarismo comunista.

Aquelas supostas confissões nem eram confissões e nem eram para valer. Eram apenas um instrumento totalitário para humilhar e esmagar os supostos inimigos dos ditadores de plantão. Depois das confissões quase sempre havia fuzilamento ou prisão nos campos gelados da Sibéria. Repetir uma experiência dessas entre nós para enquadrar os “erros” de MAG é uma analogia que não procede: nem somos uma ditadura do proletariado e nem MAG ─ o Maléfico “top-top” ─ caiu em desgraça. Muito ao contrário, ele cada vez mais dá pinta de ser o secretário-geral do comitê central secreto do PT. É o manda-chuva.

Na visão dos poderosos do PT não houve nenhuma falha, apenas a correlação de forças mundial não tem permitido que sua visão iluminada tome conta do real. Jabor sabe disso perfeitamente e, a pretexto de fazer a crítica, encobriu o que há de mais essencial na estratégia revolucionária. Ainda por cima encobriu com uma leitura estúpida do passado comunista.

Jabor escreveu: “Depois que conseguiram entrar no Estado, através de Lula, os velhos esquerdistas perderam a aura mística, a beleza romântica que tinham na clandestinidade que os santificava. Eu conheci muitos heróis, sonhando realmente com a revolução, mesmo que utópica, mas honestos, sacrificando-se, morrendo. O comunista romântico não vemos mais”.

Veja, caro leitor, quanta mentira está escrita nesse curto parágrafo apologético. A beleza romântica exaltada por Jabor nunca existiu. Os velhos comunistas eram um bando de celerados que queriam, a ferro e fogo, implantar a ditadura do proletariado, isto é, deles mesmos. Nenhum deles era herói, eram um bando de alucinados que, quando confrontados com as forças da ordem, miavam como gatinhos. O caso mais conhecido é o de José Genoino, a dar crédito ao Coronel Lício, que o prendeu e quem recebeu a confissão integral do aloprado conterrâneo meu.

Revolucionário utópico (pleonasmo vicioso) jamais é honesto. A mentira é parte integrante da estratégia revolucionária e Jabor sabe disso perfeitamente. O sonho revolucionário é o sonho de Chê Guevara, o sonho sanguinário genocida que tem matado populações inteiras em toda parte. Não se pode nem por retórica elogiar essa corja de assassinos. É preciso dizer deles o que são: malfazejos, gente ruim que quer moldar o mundo à sua imagem e semelhança, ignorando o que os homens, enquanto tal, são.

Esse quadrilheiros usurparam os melhores conceitos da verdadeira esquerda que pensa o Brasil no mundo atual, um esquerda reformada pelas crises internas e externas, que se conscientizou dos erros da agenda clássica”, completou. Mais soporífero para os leitores. Primeiro, não há meros “erros da agenda clássica”, mas crimes monstruosos contra a humanidade. Essa esquerda “verdadeira”, se renunciou à violência revolucionária, não renunciou a outros crimes hediondos. A social-democracia construiu o mais amplo e profundo sistema de roubo estatal de todos os tempos, na forma da exorbitante carga tributária, que agora entrou em colapso. A crise mundial atual é a crise dessa forma de roubo institucional, que não poderá ser mantido. Os clarins dos novos tempos tocaram na Grécia e em toda parte, onde o roubo precisa ser eliminado ou diminuído. Tocarão por aqui também.

Eles injuriam e difamam o melhor pensamento de uma esquerda contemporânea, em nome de uma ‘verdade’ deformada que teimam manter”.  Mais mentiras do Jabor. Variações de uma tonalidade de uma cor não depõem contra a sua forma pura. Ser de esquerda é que é a grande mentira existencial, a barca furada, o crime contra a humanidade. O stalinismo é mais homicida, a social-democracia mais ladra. Ambas, todavia, querem moldar o mundo para praticar seus crimes impunemente.

No final do artigo, em um relance de lucidez que nada tem a ver com a lógica do artigo, ele escreveu: “A única revolução no Brasil seria o enxugamento de um Estado que come a Nação, com gastos crescentes e que só tem para investir 1,5% do PIB”. É o lado “neoliberal” da social-democracia, que tenta resgatar a ciência econômica do liberalismo clássico sem, todavia, abrir mão de sua ladroeira instintiva. Está contida no artigo toda a loucura esquizofrênica da modernidade.