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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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AS MASSAS E O ESTADO José Nivaldo Gomes Cordeiro Apresentação no Instituto Cervantes Colóquio sobre Ortega y Gasset 12 de novembro 2008 Minhas
Senhoras e meus Senhores, Quero
cumprimentar os organizadores desse evento e, ao fazê-lo, a todos os
presentes. É uma honra para mim estar aqui nesta
Casa dedicada ao grande Miguel de Cervantes, para falar da obra de um outro
grande espanhol, José Ortega y Gasset. Meu tema não
poderia ser outro, eu que dediquei
grande parte de minha atividade intelectual dos últimos tempos a
estudar a obra de Ortega: o homem-massa e sua relação com o Estado na obra do
filósofo celtibero. É o que pretendo comentar aqui. No
conjunto da obra de Ortega certamente esse tema é o mais difundido e é o
maior triunfo científico de sua sociologia. Diante da sua filosofia não é o
tema principal, todavia. O filósofo foi cirúrgico na sua análise e nas suas
previsões nelas fundadas, daí ter encantado gerações de admiradores. Ao
chamar a atenção do mundo para esse fenômeno – a emergência do homem-massa –
Ortega o fez como um desesperado, que tinha em mira a sua querida Espanha,
que via como invertebrada, isenta
de homens egrégios. É na obra ESPANHA INVERTEBRADA, do início dos anos vinte,
que poderemos enxergar por inteiro o que ele olhou e pensou. E previu com
muita acuidade. O famoso REBELIÃO DAS MASSAS virá depois como um refinamento dessa sua obsessão com a vida de Espanha, seu discurso
para os não espanhóis. E por que
me interessei pelo tema? Tomo aqui as palavras do próprio Ortega, escritas em
1934 no prólogo à quarta edição do ESPANHA INVERTEBRADA: “Alguém em pleno deserto se sente enfermo,
desesperadamente enfermo. O que fará?”
A imagem é primorosa, é como eu me sinto nesses tempos tormentosos.
Por me sentir assim é que eu venho aqui falar a vocês. A minha alma sente o
duplo efeito: a ameaça dos perigos dos tempos e a insuficiência de conhecimento
alegada por Ortega, socraticamente, ele que era um grande mestre. Com mais
rigor e propriedade faço minhas as suas palavras e lamento a minha própria
ignorância. O mundo
hoje padece de crises e incertezas da maior envergadura, semelhantes àquelas vividas
por Ortega no período em que escreveu o ESPANHA
INVERTEBRADA e o A REBELIÃO DAS MASSAS. Novamente tempos de grandes perigos.
“A história está novamente em
movimento”, para usar a bela frase profética de Arnold Toynbee. Isso nos deveria fazer quedar, sem ter o que
fazer diante do inevitável? De forma alguma. No mínimo, temos que imitar o
filósofo e falar nem que seja às estátuas, como o fez em Paris. Ou às almas
bondosas que aqui estão. Falar é sempre um grande remédio para a alma
desesperada. Por isso a
atualidade de suas reflexões. Quero aqui me debruçar sobre três conceitos:
homem-massa, Estado e o poder, ou seja, “quem
manda no mundo”. Creio que estão contidas nessas expressões as
preocupações do filósofo e a investigação para compreender esses três temas é
que lhe deu as chaves para a compreensão da dinâmica política atual. Não posso
aqui deixar de me referir à recente eleição de Barack
Obama para a Presidência dos Estados Unidos. Em
tudo e por tudo sua eleição está carregada de significados. Quem ouviu o
primeiro discurso do presidente eleito em Chicago, diante da multidão
prostrada, não pôde deixar de se admirar e de se apavorar. “Change”, gritavam. E também: “Yes,
we can”. Estamos aqui
novamente diante de um líder de multidão que é ele mesmo a expressão do
homem-massa tornado chefe de Estado. Sua característica principal, quando
comparado com lideranças genuínas, é que chefes como Obama
não lideram a multidão, são por elas liderados. Daí porque essas
palavras-força hipnotizam e apavoram. Obama só tem a oferecer às massas o poder de Estado posto a serviço
de seus apetites e estes não são banais, são impossíveis de ser atendidos:
suprimir a lei da escassez, eliminar a crise econômica por medida legislativa
e unilateralmente impor a paz quando a guerra se faz necessária. E, a
fracassar a paz, como no passado, fazer a guerra pela guerra, no ativismo
bélico motivado por razões econômicas e ideológicas, e não pelos nobres e
racionais motivos geopolíticos. Em resumo,
Obama é o exemplo mais completo e acabado de chefe
de multidões erguido aos ombros pelos homens-massas desde que Hitler foi
eleito, em 1933. Vimos como acabou aquela experiência histórica. Temos que
decifrar o enigma atual e buscar o sentido das imorredouras palavras de
Sófocles, na peça ÉDIPO REI: “Naufraga a polis – pode
conferi-lo -; a cabeça já não é capaz de erguê-la por sobre o rubro vórtice salino: morre no solo – cálices de frutas; morre no gado, morre na agonia do aborto”. Eu não
encontraria palavras mais poéticas e mais trágicas para descrever o teor da
grave crise econômica mundial instalada e a carência de um governante sensato
na condução do Estado, em período tão critico. A ideologia por excelência dos
homens-massa é o socialismo. E a causa da crise são as medidas socialistas
tomadas no passado. E, quanto mais a crise se agrava, mais medidas
socialistas são pedidas pela multidão ao governante, que é seu espelho. A causação circular gera uma espiral política infernal que
há um século redundou na pira em que queimou o mundo e os homens na estupidez
da guerra e na busca desesperada da solução existencial – a perfeição em vida
– pela ação burocrática do Estado. O apogeu dessa loucura foram os fornos
crematórios e a bomba atômica, de triste memória. O que viu
Ortega? O surgimento das multidões urbanas, átomos individualizados que
herdaram o melhor da tradição ocidental, mas quais filhos pródigos de pais
ricos, nada fizeram para dispor do que receberam. E entre os muitos bens
herdados dois se destacam especialmente: a técnica, originada da filosofia e
da ciência empírica, que deu às multidões luxos jamais imaginados pelos ricos
de outrora; e o Estado, esse portento agigantado pelos modernos
administradores, poder comprimido posto nas mãos desses filhos das massas,
homens notavelmente despreparados para seu autogoverno. A ausência dos “melhores” A primeira
grande desgraça que Ortega viu nos novos tempos foi o que ele chamou de “a ausência dos melhores”. Ortega
entendia que há uma hierarquia natural, em que a minoria “egrégia”, em tempos
sadios, é aceita como a liderança espontânea, cabendo às massas copiar-lhe o
exemplo vital e obedecê-la. Quem é essa elite? Ao ler a
obra orteguiana fica sempre a pergunta
impertinente. Seria o “nobre” assemelhado ao filósofo platônico? É possível
que possamos ver aqui esse parentesco. No entanto, precisamos qualificar o
sentido, pois essa minoria egrégia não deve ser confundida, para Ortega, com
uma classe letrada ou de verniz sacerdotal, “filósofa”. Ortega repetidas
vezes afirmou que é nobre aquele que dá mais de si, que se sacrifica,
que supera as próprias restrições pessoais, pondo-se a serviço dos seus. É
aquele que sabe das virtudes e as pratica. Não há, portanto, a idéia de uma
aristocracia do conhecimento, mas do ser vital, que traz em si a história viva. Mesmo um homem simples pode ser
um egrégio. O homem
nobre é o oposto do demagogo que vai à praça pública pregar facilidades para
se tornar governante e que empresta sua oratória para dar voz aos vícios
insaciáveis das massas. Tampouco podemos
falar de uma aristocracia de sangue. O filósofo desdenha dessa idéia e deixa
claro que nobreza não pode ser transmitida geneticamente, como diríamos hoje.
Nobreza de sangue é apenas uma caricatura jurídica
da verdadeira nobreza, a repetição mecânica e um reconhecimento tardio do
valor de um ser nobre que viveu no passado. Então, o
que é? Penso que para ele são aquelas pessoas que têm o sentido da história e
da tradição. São aqueles que carregam o ônus das virtudes consagradas no
Ocidente. São aqueles que fazem da história – mais das vezes a de tradição
oral – o seu presente, fundando nela suas ações. Seu viver expressa essa
atualidade do antigo. Fazem o dia a dia contemplando
os milênios predecessores. Gente assim tinha ficado escassa no seu tempo, como
escassa está atualmente. Os egrégios sumiram precisamente porque não há mais
um passado vivo, mas a crença no presente eterno, que se perpetua. Terá
faltado a Ortega, por conta de seu agnosticismo, ligar esse “direito à continuidade” aos valores
judaico-cristãos. Uma grande lacuna na sua produção teórica. A leitura atenta
de sua obra, todavia, leva, de forma inescapável, a valorizar o cristianismo
e colocá-lo, com o devido destaque, na coleção de requisitos para tornar
alguém um ser egrégio. Tem sido, o cristianismo, o
veículo pelo qual a atualidade histórica tem sido transmitida nos dois
últimos milênios e não podemos deixar de creditar à Igreja Católica o mérito
de reconhecer na filosofia clássica seu outro Testamento, conforme a análise
lúcida do então jovem teólogo Joseph Ratzinger, no
seu INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO, de 1967. Essa
consciência história é o impregnar-se com as virtudes da tradição, a
temperança, o senso de justiça, a tolerância. Virtudes assim podem ser
praticadas sem que haja a aquisição de cultura livresca, bastando que não
seja quebrado o fio da tradição. Por isso que Ortega insistia que um dos
direitos mais importantes da pessoa humana era o da “continuidade”,
precisamente o de se ter um passado e de se viver o presente, construindo o
futuro, sem perder de vista o legado precioso das gerações anteriores. O império do Homem-massa O
homem-massa de Ortega é o oposto do ser egrégio como antes definido. É
homogêneo, desprovido de passado. É o senhorito satisfeito.
E reside aqui nessa constatação sua reprovação mais desabonadora: um ser sem
passado é um ser sem história, recriado como que vindo do nada a cada
geração. Junte-se a isso a confiança de quem domina as técnicas, capazes de
grandes maravilhas, e aí teremos o personagem mais arrogante de todos os
tempos. O mundo
que se apresenta a partir da segunda metade do século XIX é o das multidões,
apinhadas nas grandes cidades. O impacto dessas aglomerações não pode ser
minimizado. O ser individual perde a identidade, torna-se uma mônada indiferenciada, uma gota perdida em um oceano de
gentes. Em oposição, agiganta-se o grande organizador dessas massas, o
Estado, cujo papel muda radicalmente desde então, como veremos a seguir. Ortega
estava preocupado com a Espanha e a Europa, mas acabou por se tornar um
profeta dos graves problemas do nosso tempo. Um escritor para o século XXI, para usar a expressão empregada
por Vargas Llosa ao falar da obra de Cervantes. Ortega mesmo frisou que os
problemas políticos seriam epidérmicos se a sociedade estivesse sadia, se seu
corpo (as massas) e sua cabeça (a elite egrégia) estivessem interagindo como
deve ser. Os fenômenos políticos, no entanto, podem ser elevados a alto grau
de ameaça, a ponto de colocar a própria sobrevivência da humanidade em risco,
se os tomadores de decisões de Estado foram meros representantes das massas
insaciáveis. Os problemas políticos então deixam de ser epidérmicos e passam
a ser o fator determinante para que a própria vida humana tenha continuidade.
Os fornos crematórios de Hitler ainda não perderam de todo o calor, naquela
loucura completa que foi o exercício do poder por um legítimo representante
do homem-massa. Bombas atômicas estão prontas para uso em várias partes do
planeta neste exato momento. É nesse
contexto que devemos tomar a célebre advertência de Ortega: “Eu sou eu e minha circunstância e se não a
salvo, não salvo a mim mesmo”. Sábias e imorredouras palavras. Salvar as
circunstâncias em política passou a ser um imperativo de nosso tempo. E
salvar essas circunstância é resgatar o poder de
Estado das mãos dos demagogos, dos chefes de multidão. Os
genocídios comunistas também não devem ser jamais esquecidos. O comunismo,
assim como o nazismo, o fascismo e o progressismo, são expressões da política executada diretamente pelos
homens-massa, que transformam rufiões oriundos da multidão em mandatários das
nações. Homens sem passado e sem escrúpulos, que pregam facilidade e fazem a
apologia de um futuro perfeito, em delirante fuga da realidade. Não são
apenas crimes que esses homens praticaram, eles transformaram o Estado, de
ferramenta para o bem-comum, na máquina de matar gente em larga escala.
Talvez não haja na língua um vocábulo capaz de traduzir a hediondez do que
estamos a ver. O que é o Estado? Podemos
olhar o Estado de muitos ângulos e o que menos nos interessa aqui é vê-lo
pela ótica jurídica. Alguém já disse que o Estado é uma ficção. Mas ficção
não mata, mas a loucura, sim. O Estado é uma realidade ou uma ferramenta, como definiu Ortega y Gasset. Essa ferramenta é muito importante e sempre foi
perigosa, porque o Estado é, antes de tudo, violência concentrada, capacidade
de matar, de tributar, de prender, de sujeitar os indivíduos. O Estado,
quando conduzido por gente moralmente inferior, torna-se o grande algoz da
humanidade. É isso que temos visto desde então. A própria guerra, cuja
natureza nobre sempre foi cultuada pelo melhores, nos tempos hodiernos muda
de caráter, passando de instrumento para a recuperação do equilíbrio político
e da afirmação da segurança coletiva para
a ação de destruição pura e simples de comunidades diferentes. O
homem-massa anseia pela homogeneidade. A guerra passou a matar à escala industrial apenas para satisfazer ideologias
cegas, motivadas pela falsa capacidade que teria de aperfeiçoar a humanidade.
A busca da igualdade irracional motiva muitos dos
morticínios contemporâneos. O Estado,
enquanto ferramenta, nos tempos antigos permitiu ao homem criar uma ordem e,
a partir dela, deixar frutificar os seus engenhos, a própria liberdade ela
mesma. Sem o Estado não haveria como construir um espaço de liberdade, em que
o homem em geral pudesse construir seu próprio destino. Ao contrário do que
pensam aqueles de tendências anarquistas, a alternativa ao Estado não é haver
mais liberdade, mas sim, o seu oposto, o caos, que é a escravidão da alma.
Importa, pois, não substituir uma ilusão por outra, ou seja, o Estado gigante
(ou Total, como costumo chamar), pela sua ausência, mas sim, domesticá-lo e
trazê-lo para proporções humanas. Fazer novamente o criador dispor de sua
criatura. O Estado
só pode ser benigno quando conduzido pela elite egrégia, que carrega a
tradição e sabe da missão e das limitações do ente estatal. A elite sabedora de
que o Estado precisa, necessariamente, ser “mínimo”, como defenderam os
liberais clássicos. A maior das mentiras da modernidade foi recriar o antigo
mito sofista da igualdade, sobrepondo-se à necessidade mais terrivelmente
ameaçada de todos os tempos, a liberdade. O homem-massa, quando alçado ao
poder – e até mesmo para ser alçado ao poder – quer tornar o Estado o
instrumento para a implantação da igualdade. Esse terrível engano está na
raiz dos monstruosos crimes cometidos pelos coletivistas de todos os
calibres. O
resultado dessa visão errônea é a estatização progressiva e inexorável da
vida cotidiana. Tudo passou a depender do ente estatal. A moeda é do Estado,
os regulamentos se multiplicam, a vida espontânea tende ao desaparecimento.
Os homens são “coisificados”, tratados com seres
incapazes de uma vida adulta e responsável. É o Estado-mamãe, que tudo provê, mas que não permite
o menor desvio de seus regulamentos. Afinal, as leis são inexoráveis e quando
se legisla sobre a banalidade da vida torna-se a própria vida uma prisão
infame. Uma crítica à democracia Trago aqui
aos senhores essas reflexões finais, tomando o quadro político que se
apresenta aos nossos olhos. Acompanhamos agora as campanhas eleitorais no
Brasil e no nos EUA. Pudemos ter uma clareza muito grande como a política
pode ser perigosa, um nefasto exercício de auto-engano. O homem-massa eleitor
é agora cortejado não para eleger os melhores partidos e as melhores pessoas
para governar. Ele agora é chamado a escolher quem vai colocar “mais” e
“melhor” o Estado a serviço de seus apetites, de suas idiossincrasias, de
suas ilusões. “Change”
e “Yes, we can” são mantras de mobilização de alto poder
destrutivo, grávidos que estão de violência irracional. Temos,
pois, a resposta à terrível pergunta de Ortega: “Quem manda no mundo?” Os piores, os moralmente inferiores, os
cegos, os potencialmente genocidas, são esses os que mandam no mundo. São os
socialistas que mandam no mundo. Essa laia tem hoje nas mãos as rédeas do
poder. O discurso
político de todo postulante aos votos parte do suposto da estupidez factual
da maioria dos eleitores, que não compreende o Estado e nem os movimentos
políticos, mas que julga ser seu “direito” ter todas as benesses que as
classes políticas lhes prometem em troca do seu voto. É crença estabelecida
que o Estado tem a obrigação de prover as
necessidades básicas, do emprego à escola, da saúde à aposentadoria. Essa
crença decreta o fim da democracia, que supõe o indivíduo capaz de prover-se
a si mesmo, mesmo que os sistemas eleitorais formais permaneçam funcionando.
Estamos a ver o suicídio do sistema democrático e nada lembra mais um Estado
policial do que a forma assumida pelos Estados contemporâneos, em todos os
lugares. Vimos
nesses exemplos precisamente o esgotamento da experiência da democracia de
massas, em que o voto universal não está condicionado por uma estrutura
partidária que respeite e proteja a continuidade dos valores da democracia
liberal. Do jeito que as instituições estão organizadas, tanto aqui como nos
EUA ou em qualquer lugar do mundo, a demagogia da igualdade ou – o que é a
mesma coisa – a demagogia de que o Estado teria uma função beneficente (para
usar a deliciosa expressão empregada por Ortega em texto de 1953) triunfou.
Posso dizer que é o triunfo do totalitarismo, do Estado Total. Qual será a alternativa, meus senhores e minhas senhoras? Eu
não sei. Sei apenas que, ficando como está, a
humanidade transformará o Estado de instrumento de libertação em instrumento
de escravidão e morte. Tudo contra o que Ortega y Gasset
desesperadamente lutou, conforme o testemunho de sua obra. Tudo contra o que
todos nós devemos lutar. Não podemos
esquecer jamais que vivemos tempo de grandes perigos. |
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