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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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AS ELEIÇÕES EM SÃO PAULO (*) 05/10/2008 O
resultado das eleições na cidade de São Paulo contrariou as pesquisas de
opinião e deu Gilberto Kassab em primeiro lugar,
seguido de Marta Suplicy, com quem irá disputar o segundo turno. O grande
vitorioso dessa eleição é o governador José Serra, que enfrentou o racha no
partido e apostou suas fichas no aliado democrata. Fez a escolha certa, visto
de agora. O resultado praticamente garante que Kassab
será o eleito no segundo turno, fortalecendo a coligação do PSDB serrista com o DEM do grupo de Guilherme Afif Domingos. Este foi o grande eleitor, que pouco
apareceu para a imprensa e para a opinião pública, mas foi ele quem de fato
viabilizou a aliança triunfante e pode ser considerado também o outro grande
vencedor. O PT teve
o que sempre teve da massa de votos paulistana, pouco mais de 30%. Não
consegue alargar seu eleitorado por aqui. As bandeiras nacionais do partido
não comovem a maioria dos paulistanos, que nutrem pelo PT consistente
rejeição. A apuração confirmou novamente o fenômeno e Marta Suplicy está
fadada a amargar uma derrota acabrunhante no segundo turno. O eleitorado de
Alckmin, por mais ferido que esteja, jamais votaria
na candidata do PT. Irremediavelmente votará no candidato de José Serra. O
candidato Geraldo Alckmin foi vítima das circunstâncias, mas não sai de todo
derrotado. Teve uma votação pessoal muito consistente, fato que o credencia
para ser um futuro senador por São Paulo. A exposição à mídia, garantida pela
candidatura, o deixou vivo no jogo político. Sai da eleição maior do que
entrou, portanto. De certa maneira pode se considerar um vitorioso, até
porque terá voto qualificado no segundo turno, ajudando a curar as feridas e
a sarar as fraturas da campanha do primeiro turno. O candidato sempre mostrou
grandeza e não seria agora que negaria esse traço marcante da sua
personalidade. O essencial agora é enterrar as pretensões eleitorais do PT em
São Paulo. O jogo
político da sucessão presidencial começa a se definir favoravelmente a José
Serra, em prejuízo de Aécio Neves e do PT. Com a marcante vitória
dificilmente Serra deixará escapar a legenda do PSDB, apoiado de forma
definitiva e entusiástica pela liderança do DEM, com quem honrou a palavra e,
ombreado com ela, marchou para a vitória em São Paulo. De uma vez por todas
Serra conseguiu, nessa eleição, eliminar as históricas desconfianças de
algumas lideranças dos Democratas para consigo. Lula
colheu uma derrota pessoal em São Paulo ao emprestar a sua imagem e o seu
prestígio, de forma ostensiva, a Marta Suplicy. A derrota da Marta é também
sua derrota. Ficar em segundo lugar foi inesperado e significativo. Lula sai
enfraquecido das eleições. O projeto do PT hoje é o projeto das regiões mais
atrasadas e só vinga onde o clientelismo é uma arma decisiva. Em São Paulo,
como no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro esse expediente não vinga. Isso
garante que a vocação totalitária germinante no PT não terá como fincar
raízes nos próximos anos. O enfraquecimento pessoal de Lula é a boa notícia
das eleições de São Paulo. Essas
eleições registram também o enterro do malufismo como força eleitoral. Não há
mais espaço para o discurso populista autoritário que Maluf encarna.
Provavelmente suas forças remanescentes não resistirão à irrelevante votação
que o ex-governador recebeu. É o fim de um ciclo. (*) Artigo
escrito com 99% dos votos apurados |
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