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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
SEGUNDA REALIDADE NO HAITI 20 de janeiro de 2010 “Quem tem amigo cachorro Canção
de Geraldo Arantes, gravada por Elis Regina Os
leitores que me acompanham estão familiarizados com o conceito de Segunda
Realidade, locução que expressa a grande descoberta
de Miguel de Cervantes no Dom Quixote e amplamente explorada por Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Leo Stauss, Robert Musil, entre
outros, para fazer a crônica política do século XX. Não é possível entender o
que aconteceu no Ocidente e no mundo desde o século XV sem ter clareza desse
fato psicológico e sociológico. Eu programei para o segundo semestre um curso
específico sobre o Dom Quixote no Instituto
Internacional de Ciências Sociais - IICS, a partir de uma leitura pública
da obra de Cervantes. Pretendo fazer ampla resenha desses autores a partir do
Dom Quixote. Esse
mergulho na Segunda Realidade é próprio dos tempos modernos, com o surgimento
do homem revolucionário, em franca
rebelião contra Deus e contra o real. Mas de modo algum esse homem nasce no
Renascimento. Ele deu o ar da sua graça nos primórdios da Era Cristã, com os
chamados gnósticos, que queriam nada mais nada menos que reinventar a
realidade, em boa hora derrotados pela mão bendita de Santo
Agostinho. Os verdadeiros precursores da loucura da modernidade,
todavia, estão na Grécia clássica, os sofistas, esses falsificadores da
filosofia. Foram derrotados por Platão e Aristóteles, mas os defuntos saíram
das catacumbas no Renascimento e, qual zumbis,
vieram dar fundamentos filosóficos aos modernos revolucionários. Entender
essa epopéia não é tarefa simples e exige do vivente toda uma vida dedicada
aos estudos. Isso
para comentar a fala do nosso bravo general Floriano Peixoto Vieira Neto, ora
comandante das forças de paz da ONU, no Haiti. Ontem ele mobilizou parte do
contingente a ele subordinado e fez uma cerimônia à frente do destruído
palácio presidencial daquele país flagelado. Enviou,
o bravo general, um recado aos EUA, dizendo que quem manda na ilha é ele.
Incrível que isso tenha acontecido. Não basta o vilipêndio a que as nossas
Forças Armadas foram submetidas, por um governo esquerdista hostil, que não
perde a oportunidade e humilhá-las e de fazê-las criadas de seu projeto
ridículo de imperialismo. Tinha ele que arrotar um poder que ele mesmo não
possui, e nem o Brasil e nem a ONU. Sua fala
foi muito ridícula. As forças norte-americanas foram mobilizadas no Haiti
porque o Tio Sam, observando o que acontecia e a inapetência e falta de
recursos (e de poder) dos burocratas da ONU, mandou lá suas forças para
minimizar o sofrimento daquela gente. E o fizeram em grande estilo, não menos
que espetacular. A descida de dezenove helicópteros Black Hawk
em frente ao palácio presidencial pode ter sido desnecessária, mas quem tem
força, tem, e a exibe. O Brasil não tem. Descobri na internet que temos
apenas seis unidades dessas aeronaves incorporadas às nossas Forças Armadas.
Os norte-americanos usaram 19 delas em uma insignificante missão de paz. Vá
saber de quantas dispõem. Isso sem falar do porta-aviões fundeado ao largo e
do navio-hospital de proporções gigantescas, pronto para uso. O nosso
bravo general deveria estar preocupado com os comunistas mergulhados na
Segunda Realidade que estão a lhe dar ordens insensatas e não com a nação
amiga que deu seus recursos e sua gente para minorar a desgraça dos
haitianos. O bravo general mergulhou, ele mesmo, na Segunda Realidade,
incapaz que ficou de ter o senso de proporção das coisas. Os EUA não são
inimigos do Brasil e o Brasil deveria se alinhar com eles, e não com essa
corja alienada de burocratas da ONU. Um erro de avaliação geopolítica, uma
perda do senso do real. O Estadão
de hoje reporta: “O general
Floriano Peixoto Vieira Neto, chefe das forças de paz da ONU no Haiti, não
escondeu que a entrega dos alimentos serviu para, além de ajudar os
haitianos, o Brasil "marcar posição", segundo palavras dele, em
relação ao controle da segurança em Porto Príncipe. O general comanda uma
tropa de 7 mil militares de vários países. O Brasil
tem o maior contingente, com 1.266 soldados”. O jornal se esqueceu de dizer que os EUA
já têm 11 mil homens em terra, sem contar os que estão embarcados. Seu discurso
não passa de grossa bravata. O bravo general incorporou a bazófia típica do
seu Comandante-em-chefe, Lula lá. Agora tornou-se candidato a ministro da Defesa de Dilma, se
eleita. É de dar pena. Caxias deve estar a se revirar no túmulo. |
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