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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ARRUDA E O CENTAURO 02 de março de
2010 A “cana” de José
Roberto Arruda parece se arrastar indefinidamente, tanto que o noticiário
anda esquecido dele. Parece que sua prisão foi algo rotineiro e banal. E não
foi. Afinal, temos um chefe de Poder Executivo prisioneiro, aguilhoado por uma
armadilha jurídica aparente. Na verdade, uma armadilha política: se renunciar
será solto no mesmo dia. Esse é o seu alvará de soltura, esse é o preço que
não quer pagar. Não creio que
haja mais qualquer condição para Arruda voltar ao poder. Ele terá agora que
se defrontar com a dura realidade de que foi expulso do poder e que
dificilmente voltará a ele, em breve espaço de tempo. Será interessante
observar como ele vai reagir. Da outra vez que teve que renunciar lembro-me de seu desamparo diante das câmaras de TV. Não
creio que tenha feito aquilo apenas para causar comoção e obter votos. Seu
sentimento foi real. O que esperar agora? Arruda está órfão politicamente,
sem partido, sem apoio e com toda a máquina judiciária mobilizada contra ele.
Estará preparado para o ostracismo político? Ao sair do
cárcere é que terá seu momento mais difícil, porque então ficará
completamente claro o seu isolamento. O melhor que faria é agüentar a derrota
e procurar uma retirada digna, se é que é possível ainda manter alguma
dignidade diante da avalanche de denúncias. Mas há sempre uma maneira melhor
que outra de fazer as coisas e acredito que a seriedade, a sinceridade, a
firmeza e a discrição sejam os elementos necessários para a saída menos desonrosa. Vejo Arruda como
o mitológico centauro Quiron, aquele que podia
curar qualquer um, mas não podia curar-se a si mesmo. Arruda é um centauro da
política, setor onde manca, sofre e envilece a si e aos seus. Sua ferida aqui
é podre, cheira mal. É uma maldição para ele, o poder. A repetição ampliada agora
dos acontecimentos do passado mostra que não é mera coincidência. O mergulho
no Hades repetidamente aponta para um padrão. Sua
boa fortuna em política tem sido também a sua perdição. Mesmo que a
derrota agora não seja definitiva Arruda ficará longe do poder por muito
tempo, como alguns dos seus conterrâneos políticos (como não recordar de Luiz
Estevão?). O fascínio que Arruda demonstra pelo poder terá agora que dar
lugar a outras ambições e outros afazeres. Mas Arruda quer o poder, ele o
ama, está absorvido por ele. Se não souber se livrar desse fascínio o destino
poderá lhe ser cruel. Melhor faria se
cantasse com convicção a canção de Tom Jobim, em parceria com Chico Buarque: “Já conheço os passos dessa estrada |
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