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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ARRUDA E A
RODA DA FORTUNA 11 de fevereiro de 2010 Está consumado. A imprensa
dá conta de que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, teve
hoje a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ,
por grande maioria dos votos dos magistrados (14x2). O passo seguinte é sua
saída da condição de governador. Os fatos levam à conclusão de que sua
carreira política está encerrada e que ele dificilmente escapará de algum
tipo de ação penal, com possível condenação. Um fato a comemorar?
Não. Um drama humano a lamentar. Para além da questão pessoal, todavia, estão
os impactos políticos. Se estivéssemos diante de uma simples intervenção
judicial corretora de malfeito, tudo bem, porém nem o mais distraído dos
analistas pode acreditar nessa versão. Não duvido que os juízes agiram corretamente, tanto do ponto de vista ético quanto
do ponto de vista jurídico. Também não duvido de que o governador José
Roberto Arruda cometeu todos os deslizes de que está sendo acusado, fazendo
por merecer o ocaso desabonador da vida pública. A questão substantiva é
bem outra. Bem sabemos que, sob a direção do PT, as forças federais foram
postas a serviço do mesquinho trabalho da perseguição política. As modernas
técnicas de escuta, filmagem e afins tornaram qualquer ato de intimidade
devassável aos elementos policiais. Bem sabemos também da facilidade com que
juízes militantes estão autorizando a invasão de privacidade. O fato é que as
práticas de José Roberto Arruda não diferem muito das em uso de uma grande
maioria de políticos, inclusive da situação. Assim, não foi o mero delito que
pôs o governador atrás das grades. Nem a parafernália tecnológica. Nem a ação
traidora de seu secretário Durval Barbosa. Foi a
campana insidiosa da vontade política do partido governante na esfera
federal, que está preferindo, quando possível, liquidar a questão eleitoral antes dos eleitores irem às urnas. Claro que a hybris do governador ajudou. Achou-se acima do bem e do
mal. Mas temos que ter em contas que aqueles que apontam o dedo são ainda
piores do que o governador aprisionado. Vimos o caso da governadora Yeda Crusius, que quase perdeu
o cargo sob falsas acusações e teve um auxiliar, Marcelo Cavalcante, morto em
condições suspeitíssimas. O episódio quase que inviabilizou o nome da
governadora para reeleição. Nada ao acaso, como se vê. É muito sério e muito
grave o que se passa. O farisaísmo de Lula e dos seus ministros no episódio é
mais do que evidente. O cinismo correu solto. Eu não lamento nada pelo
destino merecido de Arruda, mas eu manifesto o meu temor de que, de fato,
estejamos vivendo o embrião de um Estado policial, de quem toda gente pode
ser vítima, por mais poderoso que seja. Somente o partido governante situa-se
acima da polícia e da lei, delas fazendo uso para atingir seus objetivos
políticos. A saída desonrosa de
Arruda do cenário político praticamente favoreceu uma chapa governista para a
instância local, afetando o pleito presidencial. Da mesma forma, a decisão “queimou”
a marca do DEM, inviabilizando qualquer nome dos seus quadros para a disputa
majoritária, ainda que como vice-presidente. E prejudicou diretamente o
candidato José Serra, que terá a sua campanha fragilizada. Afinal, Arruda
seria um aliado seu de primeira hora. A jogada de quem
destruiu José Roberto Arruda foi completa. Atingiu o alvo em cheio. Meu caro
leitor, eu confesso-lhe que acontecimentos como esse aumentam meu medo, em
muito. O risco totalitário está nos rondando. O episódio Arruda foi apenas um
elo de uma longa cadeia no rumo do Estado Total. |
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