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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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REVOLUÇÃO EM MARCHA 22 de dezembro de 2009 Meu caro leitor,
eu queria aqui comentar o filme do James Cameron, AVATAR. Esplêndidos
recursos tecnológicos colocados a serviço de um roteiro porcaria. Vale a pena
ver as imagens? Certamente, mas a mistura de tribos apaches na forma de ETs,
em planeta exterior, é demais. De novo e de novo o cinema pinta a imagem da
civilização da forma a mais distorcida. Essa veneração de um clone da
Mãe-terra é apenas ridícula. Roteiros assim servem para estupidificar as
multidões. Cameron é como um Chaplin redivivo, na sua pregação panteísta e New Age. No lugar de um vagabundo sentimental temos ETs
apaches sentimentais humanóides, que os tempos agora são de olhar para o céu
em busca de um substituto de Deus para os ateus. Mas deixo o filme de lado,
que outro assunto me chama. Poderia também
aqui comentar a decisão de se elevar o salário mínimo, tomada por Lula. Para
quê? Essa gente revolucionária acha que a escassez é fabricada e que preços
podem ser arbitrados independentemente do mercado. Eles acreditam mesmo é em
planejamento central e, enquanto este não vem, brincam de fabricar todos os
preços sistêmicos. Lula e o PT ficam o tempo todo maquinando decisões para
adular as massas, a troco de votos para se perpetuarem no poder. Alguém
haveria de dizer que algo assim é tolo? Que vai gerar inflação? Desemprego?
Crise na balança comercial? Não vi voz alguma se levantar contra a
arbitrariedade estatal. Todos se comportam como se fosse um ato de sanidade,
quando é arrematada loucura. Quem pagará o mínimo maior é o próprio
beneficiário, que perderá emprego e amargará inflação. Mas quero mesmo
é falar da entrevista publicada na Folha de
São Paulo, em sua edição de ontem, concedida pelo promotor Marcelo
Goulart, para mim estarrecedora. Um agente da estrutura de Justiça do Estado
completamente inconsciente das suas responsabilidades institucionais, falando
com desenvoltura de seu sonho utópico. Assumiu-se como agente ativo da
revolução gramsciana. Nos tempos em que a elite
dirigente era sã suas declarações seriam tomadas como uma perigosa
manifestação subversiva e prontamente combatida. Agora é não apenas tolerada,
é aplaudida. O mal político é como um tumor maligno que se alojou em um
órgão vital. A única chance de o organismo sobreviver é pela extirpação
cirúrgica sumária. Estamos vendo o Brasil doente, sofrendo metástase
fulminante, sem que algum curador se apresse a fazer o que precisa ser feito.
Marcelo Goulart
declarou: “A visão do Ministério Público como
mero agente processual está superada desde a promulgação da Constituição de
1988. O membro do Ministério Público é agente político e, hoje, tem a
incumbência constitucional de defender o regime democrático e implementar a estratégia institucional de construir uma
sociedade livre, justa e solidária”. Está aqui toda a receita de como uma
agente de Estado se torna um serviçal do PT. O que é defender o regime
democrático? Para essa gente, não é respeitar as regras da democracia
representativa, menos ainda a propriedade privada. Sua visão de democracia é
a utopia extraída dos livros de Rousseau e difundida mundo afora pela pena de
Marx, Kant e muitos filósofos desde então. Gramsci aqui é um mero
retransmissor do jacobinismo que fez a Revolução Francesa. Declarou: “Os membros do Ministério Público têm
clareza do seu papel social, dos limites de suas funções e do uso do
instrumental jurídico de que dispõem. Assim, a aproximação entre Ministério
Público e as forças progressistas da sociedade torna-se inevitável e
necessária. É um bem, não é um mal”. O ideal de Justiça com a igualdade
de todos diante da lei é simplesmente ignorado e, no seu lugar, o agente
público, como se fosse um mero agente de partido, procura moldar a realidade
social utilizando a força do poder de Estado, mesmo contra a vontade da
maioria. É a subversão praticada desde dentro do aparelho de Estado. Declarou: “As forças sociais democráticas são aquelas
que assumem o compromisso de implementar o projeto democrático
da Constituição de 1988. A Constituição definiu para o país um modelo de
Estado social e de democracia participativa. Os sujeitos políticos que atuam
na defesa desse projeto são aliados naturais do Ministério Público na luta
pela construção da hegemonia democrática. Não é difícil identificá-los. O
que é democracia participativa? São circos leninista de que tivemos exemplos
há pouco, com a realização da Confecom. São simulacros de democracia direta, sob o
controle do partido, com o único objetivo de legitimar a ação dos militantes
revolucionários. Para eles, o Congresso Nacional não é democrático;
democrático é o MST. Completa inversão das coisas, pois o MST quer implantar
um regime comunista ditatorial nos moldes chinês por aqui. Seu grito de
guerra: “O papel do Ministério Público
é claro: defender a função social da terra e o direito difuso à reforma
agrária, utilizando os instrumentos jurídicos que a Constituição e as leis
lhe conferem, firmando aliança com os setores da sociedade civil que tenham o
mesmo objetivo. A atuação radicalmente contrária a essa está presente na
história desse país desde as capitanias hereditárias. Seus agentes são por
demais conhecidos; com eles o Ministério Público da Constituição de 1988 não
se alinhará”. O promotor está completamente mergulhado no afã
revolucionário e se julga um vingador social. Nem mais é promotor público, é
um advogado do MST. Suas declarações comprovam que está completamente desviado
do que deveriam ser suas atividades institucionais. Não
satisfeito, completou: “No meu
horizonte utópico não está presente um grande número de usinas de açúcar e
álcool, por exemplo. No meu horizonte utópico estão a policultura, a geração
de postos de trabalho no campo e a agricultura orgânica. Está o acesso do
povo à terra, que é um direito fundamental negado
desde o descobrimento. A estrutura fundiária brasileira é uma das principais
razões de nosso subdesenvolvimento. O homem que deveria defender a lei (e
a ordem) a interpreta de forma particular, contrária à própria Constituição e
de acordo com o manifesto do partido governante. Deixou de ser funcionário do
Estado para ser funcionário do partido. E mais: “Acredito na possibilidade de construir uma sociedade socialista. Sob
um ponto de vista gramsciano, se avançarmos na
linha da Constituição, vamos dar grandes passos para, no futuro, caminhar
para uma sociedade socialista. A revolução
está em marcha. Já podemos vê-la nas páginas dos grandes jornais diários.
Quem viver verá. |
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