NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
A QUESTÃO DA
REPRESENTAÇÃO NO BRASIL
17/04/2008
Visto de
longe, pode-se dizer que Lula representa adequadamente a Nação brasileira, até
porque os índices de popularidade e de aprovação que são produzidos pelos
institutos de pesquisa dão conta de que o brasileiro médio – o homem-massa – enxerga-se no seu
governante. Lula deteria o que Voegelin chamou de representação existencial. Assim,
haveria total legitimidade das ações tomadas por ele no seu já longo governo.
Convém,
todavia, rememorar alguns fatos e qualificar outros para bem compreender o que
se passa. Lula e seu partido foram alçados ao poder depois de décadas de fraude
ideológica e de produção de mentira pura e simples nos meios de comunicação de
massa, na produção editorial enviesada de esquerdismo e na distorção do
processo educativo, que tornou o professorado militante das idéias socialistas.
Em suma, essa grande fraude moldou o eleitor médio à conformidade dos políticos
que a esquerda apresentava e pela Fortuna (aqui no sentido da obra de Maquiavel)
Lula mostrou-se o mais apto para assumir a Presidência da República. A sua
eleição coroou a revolução gramsciana que foi posta
em marcha por décadas a fio. É um legítimo filho da mentira política.
Vendo esse
viés de origem podemos dizer que a fraude não pode ser utilizada como
instrumento de legitimação e o fato de ter sido utilizada é já razão para
deslegitimar o governante. Sua capacidade de representar o povo tem vício de
origem. É bem verdade que ele fez o que dele se esperava: deu aumento real de salário
mínimo, criou as diversas bolsas que na prática são transferência direta de
renda do Tesouro para a população mais pobre e fez
leis do agrado das chamadas minorias, regulamentando tudo que pôde em prejuízo
das empresas e dos cidadãos de maior renda. E ainda armou o maior cerco
jurídico e sistêmico já posto em marcha pelo Fisco contra os cidadãos. É claro
que todas essas ações negam o direito natural e, enquanto tal,
não poderão se manter muito tempo. A elevação dos salários reais, por
exemplo, está erodindo a capacidade de exportar da economia e elevando as
importações, dessa forma destruindo o ponto basilar da saúde da economia
brasileira.
Outro ponto
que indica carência de representatividade é o fato de um espelho do homem-massa
como é Lula não representar o escol da sociedade. É flagrante o seu despreparo como
governante, inclusive e sobretudo na dimensão
espiritual. Depois que assumiu o poder vimos parcelas importantes da elite
brasileira aderir despudoradamente não apenas a seu governo, mas às teses
duvidosas da plataforma política do PT. O igualitarismo de triste memória, o gaysismo, o feminismo, a relativização da propriedade
privada... De repente, tudo que sempre de considerou mais sagrado foi invertido
e as leis foram paulatinamente mudadas na direção da consagração dos vícios. A
novidade é que a chamada sociedade civil, com a exceção notável da Igreja
Católica em alguns temas, curvou-se às coisas novas sem qualquer resistência. Chega
a ser pungente ver um homem como Olavo Setúbal defender a elevação de impostos
enquanto instrumento para melhor distribuir a renda, ele que foi líder da
Revolução de 1964 e lutou contra o comunismo.
Na política
externa o drama não poderia ser mais agudo. O Brasil se alinhou com o que há de
pior no cenário internacional: apoiou Chávez, Fidel
Castro e seus apadrinhados na América Latina, praticamente tornou-se cúmplice
das ações criminosas das FARC, dando-lhe cobertura política, apoio e mesmo
asilo aos seus dirigentes. A imprensa deu conta de que dinheiro do tráfico
teria financiado a campanha de Lula. Em paralelo, deixou que inexpressivos vizinhos
atentassem contra os interesses nacionais, sendo o governo incapaz de tomar a
defesa da nacionalidade. O caso da Bolívia ainda não se esgotou. Vemos agora as
eleições paraguaias terem como tema principal quem será o campeão na luta
contra os interesses brasileiros
Por não
representar a verdade política e a verdade espiritual (nega os valores
judaico-cristãos na sua inteireza) Lula não tem portanto
uma legítima representação existencial. Não passa de um enganador das
multidões. Dito de outro modo, as bases reais do poder de Lula são frágeis
porque depende da continuidade da mentira política para se manter no poder, bem
como da compra de votos do povo miúdo mediante o instrumento das bolsas e da cooptação da elite por meio do terror fiscal e policial.
É preciso
lembrar também da distorção eleitoral, pela qual os
votos dos habitantes dos Estados mais populosos valem menos do que os votos dos
habitantes dos estados menores ou menos densamente povoados. O Congresso
Nacional assim constituído também tem um caráter ilegítimo intrínseco e talvez
por isso tenha sido facilmente manobrado pelo Executivo. Virou um cartório a
homologar as Medidas Provisórias promulgadas sem qualquer restrição por Lula. O
Poder Legislativo tornou-se uma caricatura de si mesmo.
E também há
que se sublinhar a inexistência de um segmento partidário representando as
idéias liberais e conservadores. Até o DEM hoje levanta a bandeira do
igualitarismo socialista. Vasta proporção do eleitorado simplesmente não tem
políticos para representar sua visão de mundo.
Estamos a
dois passos do terceiro mandato. Se esse vier podemos dizer que se instalou a
ditadura legal, nos moldes da Venezuela. Aí o fosso entre governo e Nação será
alargado. Será então o caminho sem volta rumo ao totalitarismo.