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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR 27 de dezembro de 2009 Foi
Magda Koenigkan quem primeiro informou à imprensa que
Marcelo Cavalcante teria depoimento agendado com o Ministério Público, a
respeito dos escândalos provocados no Rio Grande do Sul pelas gravações
feitas por Lair Ferst. Esse depoimento agendado nunca
foi confirmado e até agora não passa de uma afirmação de Magda, mas que foi
largamente utilizado pela deputada Luciana Genro
para atacar a governadora Yeda Crusius.
O jornal Zero
Hora relatou os fatos em 24 de fevereiro. A
suposição de que esse depoimento foi marcado e que teria contribuído para a
decisão do suposto suicídio deu ares dramáticos, até conspiratórios, ao papel
de Marcelo Cavalcante. Não custa lembrar aqui que Cavalcante era funcionário
subalterno, sem acesso às decisões de financiamento de campanha, residindo em
Brasília. A impressão que tenho é, de novo, a conexão entre corrupção e a
revolução em marcha no Brasil, nos moldes do que estamos a assistir no
Distrito Federal. Fatos, verdadeiros ou falsos, são utilizados pelo aparelho
jurídico-policial para destruir os inimigos políticos do PT. Este partido
quer ganhar as eleições antes dos
eleitores irem às urnas, mediante escândalos e batidas policiais. O PT inviabilizou
os nomes de José Roberto Arruda e de Yeda Crusius, fortes candidatos naturais
à própria sucessão, usando o mesmo expediente. A
imprensa, à época do falecimento de Marcelo Cavalcante, também se referiu a
uma suposta carta escrita por Lair Ferst para a
governadora Yeda Crusius,
a ser entregue por Marcelo Cavalcante. Quem escreve cartas hoje em dia? Quem
se propõe a gerar um documento desses, com graves denuncias contra as
autoridades constituídas? Claro, aqueles que querem gerar um fato de
comunicação política. De novo fiquei com a impressão de coisa plantada contra
Yeda Crusius. É nesse
contexto que devemos ler com lupa a entrevista dada à revista Veja, referida
em meu artigo
anterior. Magda Koenigkan recitou direitinho o
script do que deveria dizer. Sua fala pareceu mais uma peça de acusação. Até
a entrevista ela ainda defendia a tese de suicídio, que mudou posteriormente.
Afinal, como a necropsia não atestou morte por afogamento parece não restar
dúvida de que Marcelo Cavalcante morreu antes de ser jogado no lago. As
imagens das câmaras da Ponte JK mostraram que ele estava lá por volta das 14:00 do dia 15 de fevereiro, a pé, e desde então não mais
foi visto. Impossível ter-se jogado naquela hora, naquele lugar, sem ser
percebido. A tese de suicídio ficou insustentável. Não
podemos esquecer que quem mexe os paus em Brasília para derrubar José Roberto
Arruda são os mesmos que quiseram derrubar Yeda Crusius. O nome do pai de Luciana Genro, o ministro Tarso
Genro, se eleva como um Beria tupiniquim. A decisão
antecipada das eleições, por ação policial espetacular, tornou-se rotina desde
que ele passou a comandar a Polícia Federal. O cadáver insepulto de Marcelo
Cavalcante, por não acusar afogamento, causou um grande constrangimento aos
que arquitetaram o plano. Só nisso falharam, mas isso é decisivo. Se Marcelo
não se afogou alguém o matou, algo elementar. Esta é a pergunta que não quer
calar: quem matou Marcelo Cavalcante? |
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