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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
PERENIDADE DO MAL 21/08/2005 Os intelectuais esquerdistas
estão tão imbuídos de sua falsa certeza que nem mesmo as derrotas mais
fragorosas os desanimam. Mentem de forma convicta, como se discorressem a
verdade mais fundamental. Um paradoxo: a sua verdade é a Mentira por ontomásia. Um exemplo em estado puro, que de tão ingênuo
chegaria a causar pena não fosse a sua periculosidade, pode ser visto no
artigo publicado na Folha de São Paulo
de hoje, de autoria do português Boaventura de
Souza Santos (“Pós-lulismo progressista”). O PT fracassou por sua própria incompetência em esconder o mal-feito, por sua
incompreensão da relativa autonomia que os órgãos de Estado possuem, por sua
arrogância desmedida de achar que a chefia do Executivo dava-lhe carta branca
para saquear o Estado, por achar que compraria todas as consciências
do Congresso ao mesmo tempo. E também por não levar a sua lógica mafiosa
quadrilheira às últimas conseqüências, de ir eliminando os elementos que
claudicassem na manutenção da lei do silêncio, talvez pela má memória que
ficou da experiência desastrada com Celso Daniel. Ficaram com medo, tremeram
diante da necessidade de dar a grande ordem. O fato é que seu capital moral e político esboroou-se simplesmente
porque estava assentado na mentira, impossível de subsistir oculta por tempo
prolongado no regime de sociedade aberta. O descuido produzido pela
arrogância foi fatal e a vigência das liberdades democráticas, com a imprensa
livre, o Congresso Nacional funcionando normalmente e a Justiça atuando, deu
no que deu. Mais uma vez provou-se que as organizações de esquerda não passam
de máfias enfeitadas com discursos enganadores, para enfeitiçar as massas.
Acho que faltarão vagas nos presídios para engaiolar tantos esquerdistas já
comprometidos com a bandeilheira. Boaventura diagnosticou: “O
pós-lulismo pode ocorrer por várias vias:
impeachment, desistência de Lula a um novo mandato, candidatura seguida de
derrota. A via certamente menos onerosa, mas também a mais improvável, dadas as circunstâncias, seria um pós-lulismo
conduzido pelo próprio Lula: demissão imediata da equipe econômica, redução
do superávit e aumento do salário mínimo e reforma do sistema político, de
modo a torná-lo mais transparente e democrático”. Como se vê, ele tem esperança que Lula possa continuar Lá. O gajo português, como bom
propagandista da Causa, pensa que sua mentira persistirá a despeito da crise.
Infelizmente, acho que ele está certo. Volta ao ponto falso de que um
verdadeiro esquerdista não poderia praticar tais desatinos, a ponto de dizer
que Lula tornou-se um arauto do neoliberalismo, palavra de uso genério que os esquerdistas empregam para amaldiçoar
todos os seus adversários políticos. Reconhece, todavia, que o governo Lula
acabou. Podemos ler: “O problema central da esquerda brasileira é saber se o pós-lulismo será também o pós-petismo. A
descaracterização do petismo por parte do governo Lula foi tão maciça e tão
caricatural -montar um esquema de corrupção para fazer aprovar políticas de
direita e garantir, daqui a uns anos, a presidência a um político sem
qualquer credencial para o cargo, José Dirceu- que, paradoxalmente, o PT tem
todas as condições de sair reforçado no pós-lulismo”. Não se sabe a mando de quem
Lula teria se corrompido para defender as bandeiras do que Boaventura pensa ser as da direita política. Pasme-se! Só
uma mente esquizofrênica para pensar assim – esquizofrênica e
mal-intencionada – pois o que Lula fez foi simplesmente se curvar ao
princípio de realidade, que nem é de esquerda e nem de direita, simplesmente
“é”, objetivando unicamente implantar no futuro o “verdadeiro” PT. Mas Boaventura é dialético e vê o lado positivo da derrocada
sensacional do petismo. Leiamos: “O primeiro elemento positivo é que as próximas eleições brasileiras
serão talvez as mais livres e transparentes da história recente da democracia
representativa, não só no Brasil como no mundo. O PT tem tudo a ganhar com
esse fato, sobretudo porque a sua base social e política parece estar
disponível para uma nova tentativa, desde que assente em um pacto político e
não mais em um cheque em branco. O segundo elemento positivo é a emergência
da estatura política de Tarso Genro. Acompanho de perto a trajetória e a
reflexão políticas de Tarso Genro e não tenho dúvidas ao considerá-lo um dos
políticos de esquerda mais bem preparados do mundo: alia como poucos a mais
sofisticada elaboração teórica à mais consistente
prática política”. Concordo que as próximas
eleições serão mais livre, sim, mas não graças à
esquerda do PT, que várias vezes tentou implantar os seus instrumentos
totalitários, como a mordaça na Procuradoria, o controle da imprensa e tem
usado de órgãos policiais para perseguir empresários desavisados e
escritórios de advocacia, ícone das liberdades democráticas. As próximas eleições serão mais livres
porque o véu de mentira do petismo foi levantado e o eleitor marchará para a eleição desvelado. Mas isso significará uma derrota
eleitoral para o PT e para as esquerdas em geral. Só uma mente estupidificada
pela mentira ideológica para imaginar que será diferente disso. O segundo ponto é importante.
Tenho medo de Tarso Genro. Como ensinou o mestre Meira Penna,
prefiro o petismo corrupto ao petismo ideológico. Se bem que o primeiro está
contido no segundo, o que o torna muito mais perigoso. É preciso observar com
atenção a luta interna pelo poder dentro do PT. Se as facções xiitas sairem vencedoras com Lula ainda governando o risco de
uma aventura totalitária aumentará. É necessário vigilância contra esses
celerados.
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