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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A PANTOMIMA
DE CHÁVEZ 02/01/2008 Desde o início me pareceu farsesco o suposto esforço de Chávez
para intermediar a libertação dos três reféns das FARC. Quis me parecer o que
de fato foi: uma peça de propaganda mal ensaiada, ridícula e ímpia, que
logrou apenas mexer com os sentimentos das pessoas envolvidas, as famílias
separadas, uma criança nascida em cativeiro, a
opinião pública mundial. Essa gente esquerdista não tem medida para anunciar
a sua causa e usa de qualquer expediente que possa ter à mão com o fito da
propaganda revolucionária. Bem fez o presidente Uribe em se manter distanciado dessa farsa toda, sem
impedir os propósitos anunciados, porém sem se envolver com os meios farsescos utilizados. Não posou para fotos ridículas e
nem para imagens grotescas. A parafernália mobilizada por Hugo Chávez serviu apenas, ainda uma vez, para mostrar que o
pequeno Hitler venezuelano está ativo e mantém sua liderança sobre a
subversão armada da América Latina. Mais uma crônica grotesca do grotesco
ditador, que tinha que acabar como acabou: dando em nada. O papel o governo brasileiro,
representado pelo embaixador plenipotenciário de Lula, Marco Aurélio Garcia,
não pode ter sido mais bisonho: avalizou uma aventura sabidamente mentirosa e
propagandista, mostrou novamente seu alinhamento com a causa subversiva em
curso na Colômbia, deu credibilidade ao ditador venezuelano e, de forma
melancólica, posou de coadjuvante no decorrer de toda a comédia. Incompatível
com a importância que o Brasil tem na América do Sul. Nada havia a observar a
não ser os aviões e helicópteros venezuelanos, além das tristes imagens
televisivas. É deprimente ver a diplomacia que foi liderada por Rio Branco
fazendo esses papelões diplomáticos. Mas nem tudo saiu como o
planejado. Apesar de levar a causa das FARC para a mídia mundial, o real
objetivo de toda a manobra, viu-se que a mensagem passada pela guerrilha
ficou arranhada e negativa. A imprensa deu ênfase ao filho nascido em
cativeiro, à nefanda existência de reféns que se mantêm por anos a fio, à
imoralidade da situação. Certo que a imprensa esquerdista quis colocar sobre
o presidente Uribe a responsabilidade da situação,
mas não conseguiram. Se as FARC quisessem mesmo libertar reféns bastava, em
silêncio, leva-los para um ponto qualquer da fronteira venezuelana ou mesmo
brasileira e lá deixá-los. Mas não querem fazer isso. Os reféns são presas de guerra, da pior guerra, a guerra subversiva que
não respeita a separação entre quem é combatente e quem é civil. Os
amotinados das FARC no fundo deixaram-se usar por Chávez
e saíram perdendo na empreitada propagandista. O ditador venezuelano fez o
que mais gosta, que é aparecer na mídia mundial
bancando o bufão, o palhaço continental. Se alguém ganhou, foi ele, por fazer
o que gosta e matar seu tempo ocioso, à custa de todos, especialmente dos
reféns. A situação das pobres pessoas
feitas reféns ficou pública para toda gente, assim como sua degradação, sua
humilhação, e não a causa das FARC. Vimos vidas como que interrompidas pela
covardia dos guerrilheiros. De forma ignominiosa e pusilânime os
guerrilheiros mantém civis, mulheres e crianças inclusive, para fins os mais
reprováveis e imorais. Não respeitam qualquer regulação da guerra, qualquer
dos direitos humanos, nenhum limite têm esses
facínoras. É a esse tipo de movimento
subversivo que o governo brasileiro, pela boca do senhor Marco
Aurélio Garcia, empresta o seu apoio. Uma vergonha nacional. Um fiasco
diplomático. |
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