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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A OMISSÃO DE FHC 05/09/2010 No artigo de hoje, publicado no Estadão (Democracia
virtual), Fernando Henrique Cardoso se queixa
forte de Lula e do PT. Se ele tem razão nas queixas, peca o ex-presidente
porque não consegue fazer o mea culpa de sua
própria responsabilidade pela chegada de Lula ao poder. Este é filho dos
planos de FHC para destruir a direita política. O poder revolucionário e
totalitário do PT foi subestimado desde sempre. FHC e, infelizmente, o
Brasil, estão colhendo os frutos dos erros de avaliação fenandistas. Ademais, FHC se queixa da passividade dos
órgãos de Estado e da classe política diante dos abusos de Lula e seus
partidários. Nas suas palavras: “Há um
abismo entre o legítimo apoio aos partidários e o abuso da utilização do
prestígio do presidente, que, além de pessoal, é também institucional, na
pugna política diária. Chama a atenção que nenhum procurador da República -
nem mesmo candidatos ou partidos - haja pedido o cancelamento das
candidaturas beneficiadas, se não para obtê-lo, ao menos para refrear o
abuso. Por que não se faz? Porque pouco a pouco nos estamos acostumando a que
é assim mesmo”. As perguntas se impõem: por que o próprio FHC
não se tornou sujeito de uma mobilização contra o abuso de poder? Por que não
usou de sua autoridade de ex-presidente para encabeçar petições ao Judiciário
para enquadrar Lula e o PT? Por que acusa de omissão
os candidatos e os partidos se ele próprio poderia ter agido e não o fez? Por
que não usa de seu poder junto à opinião pública e aos órgãos de imprensa
para mobilizar a nação contra os perigos do totalitarismo? Por que se
acovarda diante da história, mesmo vendo a iminência do perigo, refugiando-se
nos lamurientos artigos ocasionais, como este, que usa regularmente publicar? A sua omissão é inexplicável, porque não lhe
falta discernimento. Mas não é solitária, pois seus companheiros de partido
estão todos se comportando como se no Brasil estivéssemos dentro da
normalidade democrática e não como de fato estamos, trilhando o doloroso
caminho do totalitarismo. Ninguém bate os sinos de alarme quando fazem Confecom, Plano Nacional de Direitos Humanos,
desmantelamento da linha de comando das Forças Armadas, sovietizando
sua estrutura operacional; quando colocam a política externa a serviço do que
há de mais criminoso no cenário político internacional, quando praticam a
estatização galopante e o agigantamento de difícil reversão do Estado. Todas
essas ações são técnicas de mobilização revolucionária que trazem grande
perigo institucional e ninguém dos partidários de FHC, nem ele mesmo, tirante
seu nhém
nhém nhém de
articulista ocasional parece estar preocupado. FHC está me parecendo a proverbial Cassandra, quando poderia ser, de fato, o
líder de uma oposição incisiva, capaz de proteger a estabilidade institucional. Reconheço que o ex-presidente está
honestamente preocupado com os destinos do Brasil, mas não transforma suas
palavras em atos. Sua omissão é notável e se aproxima da cumplicidade com as
más intenções de Lula e do PT. Caberia a ele liderar um movimento de proteção
à democracia e às instituições, mas se limita a lamuriar e a esperar que
outros façam o que ele próprio deveria fazer. FHC foi profundamente infeliz quando escreveu: “Na marcha em que vamos, na hipótese de
vitória governista - que ainda dá para evitar - incorremos no risco futuro de
vivermos uma simulação política ao estilo do Partido Revolucionário
Institucional (PRI) mexicano - se o PT conseguir a proeza de ser
"hegemônico" - ou do peronismo, se, mais do que a força de um
partido, preponderar a figura do líder. Dadas as
características da cultura política brasileira, de leniência com a
transgressão e criatividade para simular, o jogo pluripartidário pode ser
mantido na aparência, enquanto na essência se venha a ter um partido para
valer e outro(s) para sempre se opor, como durante o autoritarismo militar”. A verdadeira ameaça ao Brasil não é a mexicanização, a meu ver um eufemismo para falar da
revolução marxista-leninista que está em curso no Brasil. Ao fazer o
diagnóstico errado ele acaba por colaborar com a própria revolução em marcha.
Ocultar o real dos brasileiros não contribui para enfrentar os perigos, pois
a reação demanda a perfeita clareza das coisas. Tão nocivo quanto a omissão em atos é propagar idéias erradas sobre a realidade
política. FHC falha miseravelmente diante dos perigos que rondam o Brasil. |
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