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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ANTECIPAÇÃO TRIBUTÁRIA E OLIGOPÓLIOS 14/02/2011 Quero comentar
aqui o excelente editorial de hoje do jornal O Estado de São Paulo (Impostos
antecipados), analisando a praga que se tornou essa modalidade de
arrecadação tributária. Muitas são as mazelas e disfunções geradas por essa
forma de esbulho, como bem apontou o editorialista:
“Pelas praxes
comerciais consagradas, é preciso que decorra um certo
prazo entre o fato gerador de um tributo e o seu recolhimento, um tempo
razoável para que se conclua a comercialização do produto. O que está
ocorrendo no Brasil na área industrial é muito diferente. As fábricas
produzem e recolhem impostos e contribuições muito antes de receberem de seus
clientes.” Veja-se
que o Estado está a se financiar não apenas com a arrecadação tributária, mas
também força a iniciativa privada a lhe dar “capital de giro”, posto que embolsa o valor arbitrado dos impostos muito antes de concluído
todo o ciclo comercial. Isso implica em tributação adicional no valor exato
do custo de carregamento desse financiamento espúrio. O impacto inflacionário
é instantâneo e imenso. É preciso
lembrar que, dentro do mecanismo da tributação por substituição tributária,
estão contemplados também os outrora tributos sobre o valor agregado, como o
ICMS. O Estado chamou a si a capacidade de arbitrar o valor final dos
produtos, tributando-os. É uma grande distorção e desvirtua a filosofia do
sistema tributário. É piada pronta tributar por substituição naquilo que
deveria ser apenas sobre o valor agregado, quando da venda. Se o produtor
decidir dar desconto, se aparecer concorrente vendendo mais barato, se o
produto encalhar, nada disso é levado em conta. Tributa-se como se o produto
valesse o que a burocracia tributária acha que vale, ignorando o mercado. Mas quero
mesmo é sublinhar aqui um aspecto que escapou ao editorialista.
O processo de substituição tributária é nefasto porque extermina o pequeno
negócio, sobretudo o pequeno varejo. É uma intervenção direta do Estado em
favor dos grandes grupos oligopolizados, que se
beneficiam das economias de escalas inerentes e dos progressos técnicos a que
têm acesso e são vedados, pelo custo, ao pequeno produtor. Em suma, o
processo de substituição tributária contribuiu para banir do mercado o
pequeno comerciante, que usava das facilidades do não engessamento
tributarista para fazer a guerrilha de preços contra os oligopólios. Os
preços agora vigoram como se fossem tabelados pelo governo. Quem não tem
economias de escala não se estabelece. Na
esteira, o desaparecimento dos pequenos comerciantes enseja concentração de vendas e rendas nas
mãos de pouco. A associação entre Estado e oligopólios nunca foi tão
evidente. Eis porque os grandes produtores sempre apoiaram essas medidas abusivas
contra o livre mercado. Eles são os grandes benefeficiários. |
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