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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A ANÁLISE DE ELIO GASPARI 18/08/2008 Quero comentar aqui o artigo de Elio Gaspari (Modelo
"'Serra Palin"' emborcou) publicado
hoje na Folha de São Paulo, pois ele é muito relevante como instrumento para
explicitar os desacertos da candidatura de José Serra à Presidência da
República e o modo de operação do PT, que está firmemente determinado a se
manter no poder a qualquer preço. O primeiro ponto é que o articulista da Folha
de São Paulo aceita como de boa fé o resultado das pesquisas eleitorais de
intenção de votos que têm sido divulgadas. Nem mesmo a variação extrema que
apresentam entre si leva Elio Gaspari
a pensar que pode haver algo de muito estranho acontecendo dentro dos institutos.
Eu tomo o que já apontei anteriormente no Datafolha para duvidar que essas
pesquisas estejam corretas: aquele instituto registrou crescimento na
intenção de votos na candidatura de Geraldo Alckmin para governador do Estado
e queda na preferência por José Serra no eleitorado paulista. Não houve
qualquer fato novo para que os paulistas viessem a repudiar seu antigo
governador, aliás tido como bom governante e que tem
amplo amparo partidário no Estado, sem as traições verificadas em outras
localidades em que o PSDB governa. Essa óbvia inconsistência não foi sequer
notada. Os demais institutos parecem estar praticando o campeonato para ver
quem aumenta mais a vantagem de Dilma Rousseff em
relação a José Serra, sem qualquer pé na realidade factual. Tenho a sensação
que essas pesquisas estão enviesadas pelo esmagador poder econômico e
político do governo federal, controlado pelo PT. Não tem havido qualquer fato
novo que justifique esse descolamento da candidata Dilma Rousseff
de José Serra. Tais notícias sobre pesquisas mais parecem fato midiático
inventado para induzir o eleitorado para os braços do PT. Ao menos para o
eleitorado paulista eu ponho em dúvida a veracidade dos resultados
divulgados. Que paralelo há entre Sarah Palin e José Serra? Nenhum. Serra sempre foi de esquerda,
sempre apareceu sereno e tranqüilo aos seus eleitores e não tem nenhuma verve
mais exaltada. Sarah, ao contrário, abraça abertamente as teses da direita
mais radical, é implacável na sua retórica e sempre se opôs de forma
inflexível ao adversário, Barack Obama. O jornalista Elio
Gaspari foi muito infeliz na sua analogia e mais
parece querer passar a mensagem para seus leitores de que José Serra é um “perigoso”
direitista. Propaganda subreptícia da Dilma? A mim
me parece. Propaganda enganosa, diga-se. O discurso destoante de José Serra em relação
ao seu passado de esquerda se concentra em três pontos, que nada contêm de
radicais: 1- Rever a política econômica, sobretudo a política monetária, que
tem sido o instrumento pelo qual os rentistas do
Brasil têm se apropriado de forma crescente do orçamento público. Nenhuma
racionalidade econômica justifica a manutenção artificial dessa taxa de juros
básica elevada, a maior do mundo. Claro que isso colocou a plutocracia contra
ele, tanto que sua candidatura tem tido dificuldades de levantar recursos
para financiar a campanha. O candidato dos muito ricos é Dilma Rousseff, não José Serra, suposto direitista. 2- Sua
proposta de enfrentar com força federal o tráfico de drogas e o crime organizado.
A ver o que se passa no México, na Colômbia e em outros países dominados pelo
narcotráfico, José Serra está certo. Claro que isso equivale a uma declaração
de guerra às FARC, aliadas do PT no âmbito do Foro de São Paulo e acusadas de
ter financiado a candidatura de Lula anteriormente; e 3- Mudança na política
exterior, acabando com a relação promíscua do governo brasileiro com governos
delinqüentes, como o do Irã e da Venezuela. Assim Gaspari
fechou o artigo: “Quatro meses de
campanha crispada renderam nada aos tucanos. Em março, ao deixar o governo de
São Paulo, Serra lembrou-se de Guimarães Rosa: ‘Mestre não é quem ensina,
mestre é quem, de repente, aprende’". Campanha crispada? Quem viu
isso? Tirando a coragem do candidato a vice do
Serra, de fazer a ligação direta entre o PT e as FARC, o que se tem é uma
campanha de compadres, com José Serra se recusando a adotar o único campo não
controlado pelo PT, a centro-direita, que lhe garantiria as eleições. O
telhado de vidro do PT é imenso, basta que o candidato venha a público contar
o que aqueles que são bem informados já sabem e que, ao invés de pôr Índio da
Costa para bater no ponto das FARC, ele mesmo o faça. Guimarães Rosa entrou
aí como Pilatos no Credo. Nada a ver. Serra sempre soube ser esquerdista de
carteirinha. Em resumo, temos os institutos de pesquisa
sob suspeita e a mídia, exemplificada pela própria ação de Elio Gaspari, enganando o
eleitorado leitor de forma vil. E a covardia habitual das lideranças do PSDB
para enfrentar o continuísmo petista, um perigo para as instituições
democráticas. Os brasileiros são vítimas da conspiração midiática e da
covardia e omissão das únicas lideranças que poderiam servir de obstáculos
aos planos hegemônicos e continuistas do PT. |
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