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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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AMBIENTALISMO
E ALIENAÇÃO 03/06/2008 A saída da
Marina Silva do governo Lula mostrou os limites da causa ambientalista mesmo dentro
de uma estrutura de poder que ideologicamente abraça suas teses. Levadas ao
pé da letra, as teses dos ambientalistas invertem a relação do homem com a
natureza, ficando aquele sujeito aos caprichos do meio. Falar em direito dos
animais ou dos vegetais não é apenas tolice, é a negação do real no limite da
loucura. A natureza é para o homem, não o homem para a natureza. De novo
ficamos aqui diante da segunda realidade gnóstica,
resultado da rebelião do homem contra Deus, de uma maneira muito crua e
didática. Ocorre que esta segunda realidade só pode ser mantida no nível do
discurso, não pode cercear a práxis, sob pena de inviabilizar a civilização,
a vida humana ela mesma em sua manifestação banal. Marina Silva, coerente,
saiu do governo, como o fez o pessoal do PSOL ao perceber que Lula não “avançaria” no socialismo maluco como
queria a gente dessa sigla. Tal “avanço” retiraria de Lula as condições de
exercício de poder. É provável que Marina Silva tenha se ido antes de dar as
concessões para as hidrelétricas da região amazônica. Ora, como haverá de ter
desenvolvimento sem energia, a ser obtida das fontes disponíveis? Como
renunciar a esse recurso natural? Pura estupidez, nada há que justifique uma
escolha errada dessa que não a loucura da busca da pseudo realidade criada e
mantida como bandeira política. Lula e seu
governo tiveram que se ater ao princípio de realidade, portanto, no que
fizeram muito bem. Mas Lula, precisando eleitoralmente da bandeira
ambientalista, colocou no lugar de Marina Silva um outro alienado da causa,
ainda não sei em que escala, se mais
ou menos alienado do que a sua
antecessora. Hoje os jornais noticiam que Carlos Minc,
o novo ministro, anunciou sua disposição de apreender gado em pastos
supostamente feitos em áreas ilegalmente desmatadas da Amazônia. Chamou a sua
iniciativa de “Boi pirata”. Ora, a Amazônia Legal já responde por 36% do
rebanho nacional, que alimenta o Brasil e tornou nosso país o maior exportador
mundial do produto, ou seja, matando a fome de muita gente. Não há substituto
mais barato para a carne brasileira no mercado mundial. Onde será que o
ministro amalucado vai pôr esses bois apreendidos (se é que os vai
apreender)? É doido de pedra. Quero ver os burocratas de Brasília catando
bois no pasto, os mais perfeitos vaqueiros do asfalto que se tem notícia. Obviamente
que haverá um choque aberto entre a realidade como ela é e a realidade
idealizada do ministro Minc. O presidente Lula já
deverá estar a escolher um novo nome para a Pasta, pois um alienado desses
não pode durar no cargo. Se ele se limitasse a participar de convescotes com
seus pares ideológicos e a agitar bandeiras de ordem da causa sem atrapalhar
o governo poderia até durar no cargo; fazendo esse confronto com a realidade
das coisas terá que ir-se. Marina Silva pelo menos não carnavalizava
sua atividade, era séria e recatada como uma índia da floresta. Carlos Minc parece ter saído direto do abre-alas de uma escola
de samba. Sua ação é ridícula. O discurso de
Lula em favor do etanol, tirante seu lado populista e eleitoreiro, está
correto. Em nada combina com essa doideira do ministro do Meio-ambiente.
Ainda bem que é Lula quem detém o poder e não esse parvo novo vaqueiro do
asfalto. O senso de realidade precisa prevalecer. Não pense
você, caro leitor, que não sou sensível à preservação do meio-ambiente.
Explorar racionalmente os recursos naturais é uma obrigação religiosa. O
homem precisa cuidar bem daquilo que dadivosamente foi colocado pelo Criador
à sua disposição, não deve se tornar um depredador irracional. Mas a relação
correta é que as coisas estão à disposição do homem e não o contrário. |
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