|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
A MÃO QUE BALANÇOU O BERÇO 02 de novembro de 2009 Mais
algumas palavras sobre o artigo de FHC publicado no último
domingo. A angústia do ex-presidente é a real possibilidade de se consolidar
o continuísmo petista. Seu artigo é esse grito de desespero de alguém que
construiu a revolução gamsciana achando que
controlaria todo o processo e que ele mesmo e seus asseclas iriam manter-se
no poder. Não podemos esquecer que na entrevista concedia à revista Dicta&Contradicta FHC
declarou que o PT estava apenas temporariamente no poder. Queimou a língua. Brincou de
feiticeiro, soltando os demônios revolucionários e agora não sabe mais como
fazer para que eles retornem à caixa de Pandora. Fernando Henrique Cardoso é
uma espécie de Zeus do petismo, tendo parido essa gente de sua própria
cabeça. Foi um grande ato de irresponsabilidade política. A arte da política
é combinar a legitimidade da democracia com a condução aristocrática dos
negócios do Estado. Essa fórmula, esse regime misto, só é possível de ser
obtido na chamada democracia burguesa, que pressupõe o respeito à propriedade
privada e o Estado Mínimo. E o pluralismo político, que inclua as forças
conservadoras com capacidade real de alcançar o poder. O esforço
pessoal e de seus correligionários foi o de precisamente destruir o
conservadorismo no Brasil, mesmo a memória do conservadorismo, que nisso
consiste a tal revolução gramsciana. Criou-se um artificial abismo de gerações, moldando um homem novo, sem passado, as multidões
eleitoras do PT. Descambar para o populismo bolivariano de Lula era o passo
lógico subseqüente. FHC achou-se o patrício-mor da Nação. Errou feio. Seu
artigo foi a confissão desse erro e do desespero de
ver o país caminhar para o abismo, sem nada a fazer. Resta ainda, como última
instância, as supremas forças da ordem, as Forças Armadas, aquelas mesmas que
FHC humilhou, criando o Ministério da Defesa, condenando seus comandantes à
condição de subalternos. Ora, eles nunca foram subalternos e se tem alguém
que se assemelhe aos patrícios romanos no Brasil são eles mesmos, os
comandantes, não FHC. Piora o
quadro o fato de que FHC não mais controlar o processo político nem mesmo
dentro de sua agremiação política, o PSDB. Estamos vendo a rebelião de Aécio
Neves, que quer porque quer ser o cabeça de chapa na
eleição que se aproxima. Se não o for, fará o que fez nas últimas eleições e
trairá o próprio partido, consumando a derrota e o continuísmo petista. Até
mesmo uma possível recondução ao governo de São Paulo, de José Serra, pode
estar ameaçada, o que seria a suprema tragédia política. Tantas são as
besteiras de seus aliados que acabarão por entregar a rapadura aos
adversários. Os
demônios (uso o termo aqui no sentido que Dostoievsky usou no famoso romance)
soltos e agindo vão pôr fogo no mundo. Fausto encarnado sob o manto de FHC
não tem como controlá-los. Tempos de grandes perigos. Não deve FHC se queixar
da mão pesada deste modesto escriba, mas dos seus próprios delírios
revolucionários. |
|