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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
MALDIÇÃO DA CONIVÊNCIA 28 de janeiro de 2010 Não deu
outra. Hoje a Folha de São Paulo noticiou (“Teles
ameaçam ir à Justiça contra a banda larga estatal”) que Lula vai ativar
mais uma estatal, a Telebrás, de triste memória, para fornecer serviços de
banda larga no varejo. Não adiantou as empresas de Telecom aderirem
ao circo da Confecom, a fim de ficar de bem com o governo Lula.
Os revolucionários no poder são insaciáveis e implacáveis na busca da
implantação das bandeiras do socialismo, entre elas a destruição da economia
de mercado. Quando eu escrevi durante a Confecom
que a aliança da Telebrasil com o PT era muito
estranha foi porque, para mim, estava claro que o setor estava sendo usado
para legitimar o projeto petista de revolução social e nada iria levar em
troca do apoio pouco refletido. No mesmo
período estava sendo discutido o Plano Nacional de Banda Larga, projeto elaborado
pela equipe do ministro Hélio Costa, com a ajuda da Telebrasil.
Lula o recusou por favorecer a economia de mercado e mandou preparar novos
estudos. Estava óbvio que o tal plano revisto nasceria como produto das “propostas”
aprovadas na Confecom. O dito e o feito. Estava
óbvio também que a ala radical, porém sincera, do petismo não iria perder a
oportunidade de ativar mais uma estatal, cheia de empregos bem remunerados
para a companheirada, mesmo que tal empresa venha a
concorrer frontalmente com as empresas estabelecidas no setor. Diz a notícia que os prejudicados querem entrar na Justiça
contra a decisão. Ora, argüindo o quê? Em nome dos fracos e excluídos
qualquer coisa pode passar. Não podemos esquecer que as instâncias superiores
do Poder Judiciário estão integralmente controladas por pessoas que, se não
são petistas por adesão, são de coração e crença. Essa gente bota fé mesmo na
ação do Estado para corrigir todos os males sociais e aperfeiçoar todos os
defeitos que eles enxergam na economia de mercado. Não se
enfrenta o petismo na esfera judicial, essa é a maior de todas as tolices.
Esses revolucionários só podem ser parados na esfera política, no voto das
urnas. Os empresários do setor precisam acordar para a realidade dura e crua.
Sei que eles, nos últimos anos, acomodaram-se e fizeram grandes e bons
negócios com os novos governantes, na esperança vã de que a coisa fosse se manter dentro da normalidade. Cansei de escrever que era
mera tática do PT e que a suposta normalidade era passageira e frágil e que,
na primeira oportunidade, a onça daria o bote fatal. O dito e o feito. Os
empresários do setor, se não quiserem ser destruídos enquanto empresários,
precisam parar de financiar o PT, em primeiro lugar, e passar a financiar
políticos liberais e conservadores, em segundo lugar. Precisam apoiar
organizações partidárias favoráveis ao livre mercado. Precisam ter
organização política orgânica no mais alto nível da
expressão, que de fato possa enfrentar o governo revolucionário. Livre
mercado não nasce espontaneamente, é produto da institucionalização da visão
política liberal-conservadora. Se os partidos governantes recusarem esse ideal
as instituições serão modificadas e o livre mercado será destruído. É isso
que estamos vendo no Brasil do PT e o setor de Telecom entrou na pauta da
estatização. Diga-se, com seu próprio e equivocado apoio. Eu vi seus
delegados na Confecom imitando os leninistas
profissionais enviados pelo PT. Obviamente que não tinham nenhuma chance
naquele jogo de cartas marcadas. A
Justiça de nada valerá. Na verdade, a maior parte dos operadores da nossa
Justiça já segue a idéia nefasta da função “social” da propriedade e está
convencida de que empresário é explorador, que merece ser expropriado.
Restabelecer os justos critérios do Direito levará décadas, talvez precisemos
esperar a mudança de geração dentro do Poder Judiciário. O setor de Telecom
perdeu a parada, por sua própria culpa e omissão. Pagando os enormes impostos
que paga deveria ter desconfiado de que estava sendo roubado pela ordem
legal. Que havia alguma coisa de muita errada no nosso sistema jurídico e
político. Ao contrário, preferiu pactuar com os petistas em sua assembléia leninista.
Agora não tem a quem recorrer. |
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