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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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AINDA SARNEY E O ESTADÃO 02 de agosto de 2009 Alguns
leitores receberam mal a minha análise da perseguição que o jornal Estadão tem
feito, de forma sistemática, contra o o
senador José Ribamar Sarney. É preciso esclarecer alguns pontos, o que
pretendo fazer aqui. 1- Sempre
disse e sublinhei que Sarney é um dos maiores pilantras da política nacional,
responsável pelo maior descontrole inflacionário de nossa história,
nepotista, arrivista e tudo que pode ser derivado dessa constatação. O maior
crime de Sarney foi ter avalizado a chegada de Lula ao poder e ter se tornado
elemento importante de sua sustentação política, ao troco bem sabemos do que.
2- Disse
também que boa parte dos fatos que foram relatados pelo Estadão já era de
conhecimento público. A novidade é a produção em série das notícias, em doses
homeopáticas diárias, com o nítido objetivo de destruir a figura pública do
senador, tirá-lo da presidência do Senado e, eventualmente, do cargo de
senador. O PT usou e abusou do Sarney e agora precisa se desfazer
dele, pois o senador tornou-se um obstáculo na caminhada do PT em rumo da
sucessão predidêncial. 3-
Sublinhei que as práticas políticas do Sarney não são nem piores e nem
melhores da dos seus pares. É a velha prática da elite patrimonialista do
Brasil, que nos tem governado desde a fundação. Se bem ela não faz, sabemos
qual é o limite do seu mal: só querem “se
arrumar”, empregar a parentela e enriquecer à
custa do Erário, mas tem compromisso com a ordem que sempre esteve aí, do
livre mercado. O ponto é que o objetivo do PT é bem outro, que roubar o
partido o tem feito desde que ganhou a primeira prefeitura: quer o poder total,
se possível absoluto, quer uma outra ordem, o fim da
propriedade privada, um outro mundo
possível. Quer inserir o Brasil no governo globalizado, a agenda suprema
da esquerda. Em suma, quer destruir o mundo como sempre foi e pôr outro mundo possível no lugar. Quer, à
moda do Chávez, instalar uma república nos moldes bolivarianos, ou seja, uma
ditadura leninista. Reconstruir na América Latina o terreno perdido no Leste
europeu... 4- Então,
é preciso ver os fatos como eles são. Sarney não é
vítima porque cometeu falcatruas, o que seria um mero caso judicial. Ele está
sendo removido para que o PT torne-se o único senhor do poder Federal, fato
de notável gravidade. Não perceber a extensão do que se passa é perigoso
farisaísmo, é cegueira política. Os leitores que atentaram para meu texto
sobre a entrevista de FHC estão informados do que tem se
passado. Por fim, é
preciso, de uma vez por todas, acabar com a ilusão infantil de que a
população tem algum palpite a dar no destino dos recursos públicos, como se o
dinheiro dos “nossos” impostos fosse “nosso”. Quanta estupidez! O dinheiro que o Estado nos toma é dele mesmo, que dele faz o que bem quer. Pagar impostos
é sinônimo de submissão ao poder de Estado, não é atestado de cidadania, como
alguns cretinos pensam. Não é assim que a coisa funciona. A gritaria
em torno da roubalheira do dinheiro público nasce dessa ilusão de ótica. Ora,
o Estado sabe muito bem proteger o seu próprio patrimônio, tem
suas inúmeras polícias, todo sistema de Justiça e o poder avassalador da
burocracia estatal para ameaçar os que metem a mão, sem autorização, na sua
grana. A começar pela Receita Federal, essa monstruosidade que está ficando
maior do que o próprio poder de Estado. Mas não há
remédio para cretinismo e cegueira política. É por isso que os petralhas poderão chegar com facilidade ao poder total. |
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