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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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13/03/2008 O relatório da
fundação Pew Center on the States (http://www.pewcenteronthestates.org/) sobre as incríveis taxas alcançadas pela população
carcerária nos EUA deu-me o que pensar. Não creio que a moralidade dos
norte-americanos tenha piorado, mas a “eficiência” do sistema para aprisionar
certamente aumentou. Pela primeira vez a instituição registrou, em janeiro
último, que mais de 1% da população masculina adulta encontra-se atrás das
grades, sendo que o Estado da Flórida já contabiliza quase 5%. Destaque para
a população negra: mais de 10% dos homens adultos estão
presos, não estando disponível a informação específica para a Flórida. A população
encarcerada dobrou em cinco anos e, mantida a tendência, pode dobrar nos
próximos cinco. Se, para cada prisioneiro, houver um burocrata do sistema
jurídico-policial cuidando do assunto, inclusive os seus terceirizados,
teríamos algo como 4% da população adulta masculina envolvida nessa economia,
dobrando a cada lustro. Um disparate e um delírio só possível em estágios
avançados da implantação do Estado Total, sempre um Estado policial. É próprio do totalitarismo latente no Estado moderno essa
tendência de esmagar os indivíduos de qualquer forma e o sistema
jurídico-policial é o instrumento mais feroz desse processo. O prisioneiro é
o cliente ideal: é compelido depois da sentença, ficando inteiramente na
dependência do Estado-mamãe: é alimentado, cuidado,
curado e mimado. Gera milionários contratos para fornecedores e empregos bem
remunerados em toda a “cadeia produtiva” em torno do prisioneiro. E o eleitor
homem-massa, sem desconfiar dos
perigos, a cada problema na área de segurança clama por mais intervenção
estatal. Mais polícia, mais justiça, mais prisões. Os EUA estão na
vanguarda do esmagamento das pessoas indefesas diante do Estado. Estou
dizendo isso não porque não reconheça o papel que tem o Estado nessa área.
Mas o que vemos é o descolamento dos códigos penais do direito natural. Há um
clamor por tipificar cada vez mais áreas da ação humana enquanto crimes.
Deveria ser crime o que sempre se reconheceu como tal, sem haver esparramo e
exorbitância. Polícia e prisões não redimem e nem aperfeiçoam a humanidade,
muito ao contrário. O sistema serve apenas como forma de castigo e de
retirada dos elementos perigosos de circulação. Pudemos ver a
crônica dessa realidade exorbitante do Estado no filme O GANGSTER, de Ridley Scott, um roteiro biográfico estrelado por Denzel Washington e Russel Crowe. O notável do roteiro,
além de ter um negro como chefe de gangue, é ter um único policial
incorruptível nas forças de repressão. Quando o personagem cai e entrega os
nomes quase toda a equipe policial da sua região foi presa. Vícios de uso de
drogas, corrupção e abuso de poder é o menos que se
viu naqueles policiais. O sistema de repressão não tem qualquer compromisso
com as virtudes pelas quais supostamente vela. Os
agentes não estão acima da lei, são a própria lei e
tiram proveito disso. Quantas vezes não vimos esse filme aqui no Brasil? Todas as grandes
atividades do chamado crime organizado que chegam para a opinião pública têm
suporte e sociedade de policiais, juízes e outros elementos envolvidos na
repressão, a dar crédito ao que sai na imprensa. Cabe uma reflexão sobre tudo
isso. Muita coisa que
não devia ser crime foi criminalizada. Vimos agora a ilustrativa queda do governador de Nova York causada por
escutas telefônicas legais (novamente!), feitas por agentes do Estado. Qual o
crime? Prostituição. Justo com ele, um promotor público que se notabilizou
por perseguir pessoas em causas moralistas. Ironia. Nem prostituição deveria
ser crime e nem seus clientes deveriam ser grampeados, mesmo sendo um fariseu
desses. O ex-governador não deveria cair por isso. A reação
automática de toda a gente é clamar por mais Estado sempre que algum problema
coletivo surge. E a classe política, juntamente com a burocracia estatal,
responde solícita a cada apelo. O resultado é essa coisa teratológica que se criou, esse Estado monstruoso. Não se pode mais ter uma
vida sossegada, tem-se que estar de prontidão permanente, pois qualquer
descuido pode custar a liberdade da pessoa.
Defrontar-se com o Estado pode ser o encontro marcado com o destino. O Leviatã é gigantesco e insaciável. O sensato é que a
coletividade passe a vê-lo dessa forma, como grande perigo ao indivíduo e não
como redentor de quem quer que seja. E assim mudar o seu comportamento,
passando a clamar por menos Estado. Restaurar a liberdade exige uma redução
do Estado: redução nos impostos, na regulação e também no número de pessoas
feitas prisioneiras. Estamos longe disso, infelizmente. A HIDRA 04/10/2006 O resultado das eleições de
domingo último deram um refrigério na minha alma, pois mostra uma nítida
reação do eleitorado brasileiro contra a máquina de propaganda mentirosa do
PT e contra as práticas antiéticas do governo Lula. O epicentro dessa reação
deu-se no Estado de São Paulo, que consagrou José Serra governador ainda no
primeiro turno e gerou os votos necessários para levar Geraldo Alckmin ao
segundo turno das eleições presidenciais. Orgulho-me de residir em São
Paulo e de fazer parte dessa reação exuberante pela ética pública dos
governantes e pelo bem do Brasil. Mas o PT também registrou
derrotas, ainda que esperadas, em Estados importantes: Rio de Janeiro,
Pernambuco, Mina Gerais. Infelizmente colocou seu candidato no segundo turno
do Rio Grande do Sul e no meu querido Estado do Ceará consagrou
a nova oligarquia da família Gomes, cabos eleitorais despudorados de Lula Lá.
O Ceará deu um mau exemplo à Nação. E a Bahia, linda Bahia, sufragou – Deus
saberá como – um seguidor do pentagrama vermelho ainda no primeiro turno. Como se vê o PT se comporta
como a Hidra da mitologia grega. Corta-se uma cabeça e outras brotam
imediatamente no lugar. Enquanto não se cortar a cabeça principal haverá essa
multiplicação descontrolada, verdadeira metástase do maligno PT. A grande notícia e a grande
esperança é ter Geraldo Alckmin no segundo turno. Há uma chance real de
fazê-lo presidente da República, matando a Hidra definitivamente. Agora será
uma eleição solteira, com tempos de propaganda eleitoral igualitários, sem a
possibilidade de haver dubiedade na atuação das lideranças regionais. E o
farsante terá que se expor em debates francos revelando assim todo o seu
despreparo. Quem abraçar Lula terá que fazê-lo integralmente, publicamente, e
políticos assim devem ser tratados com adversários, de forma implacável. Bem sabemos que boa parte do
apoio do PT vem dos chamados políticos fisiológico. Ao primeiro sinal de que
Geraldo Alckmin poderá se sagrar vencedor esses políticos mudarão de lado
imediatamente. A candidatura de Lula tem essa fragilidade intrínseca. Por
outro lado, os apoiadores de Geraldo Alckmin são gente de
fibra, brasileiros honrados e preocupados com os destinos maiores do
Brasil. Entendo que o movimento inverso, de perda de apoios de Alckmin para Lula, não deverá acontecer. Alckmin terá o que o PT teve
ao longo de todos os anos e perdeu por causa da desonestidade: a adesão
voluntária dos cidadãos alheios às lides políticas, mas que estão indignados
e estão trazendo às próprias mãos a responsabilidade de conduzir os destinos
do Brasil. Estou vendo homens e mulheres trabalharem gratuita e
voluntariamente, nos meios disponíveis, para derrotar a Hidra e colocar o
honrado e competente ex-governador de São Paulo na Presidência da República.
Há um consenso silencioso das pessoas de bem de que é hora do basta. Basta de
mensalão! Basta de mentiras! Basta de corrupção!
Basta de banditismo travestido de programas sociais! Basta de falsos
movimentos sociais assaltando os cofres públicos! Basta de MST expropriando a
propriedade privada! Basta de PT e suas más companhias! Basta de Delúbios, Marcos Valérios, Waldomiros Diniz e Freuds do
PT! Vi um movimento irresistível
dessa envergadura quando ocorreu o movimento pelas Diretas Já. Sinto o mesmo
clima, o mesmo engajamento, a mesma disposição cívica das pessoas para
lutarem por um Brasil melhor, mais digno e mais livre. Chega de incompetência
e de cinismo. Fora Lula! Vamos pô-lo a correr pelo voto. O IMPÉRIO DA
HYDRA 05/02/2006 Os liberais sabem que um
Estado mínimo – para os padrões atuais do mundo ocidental algo em torno de
25% do PIB – é a condição para que a racionalidade econômica prevaleça,
obtendo-se assim do sistema econômico a ótima alocação de recursos e o máximo
de produtividade dos fatores. Com o boom
de inovações tecnológicas que se verificou nos últimos anos uma sociedade
assim organizada poderia fazer explodir a produção de riquezas. E, claro, os
seus cidadãos poderiam exercer a plenitude da liberdade, vez que esta deriva
da sua condição primeira, a liberdade econômica. O que se vê, no entanto, é o
oposto. Nas democracias ocidentais a cada ano verifica-se expansão adicional
do Estado, seja pela ampliação dos investimentos militares, seja pela
ampliação do complexo de bem-estar social (expressão enganosa. Na verdade,
privilégios de todos os tamanhos, para todos os gostos). O fato é que os
déficits gerados são contínuos e incontroláveis, redundando na sistemática e
paulatina elevação da carga tributária e na regulação da vida privada pela
burocracia estatal. O fenômeno é mundial e o Brasil não escapa dele. Aqui
temos de singular a taxa rápida de expansão do Estado, que em uma década
cresceu algo da ordem de um terço (a taxação passou de 25% para 38% do PIB),
sem que as contrapartidas “sociais” tenham crescido na mesma
proporção. A burocracia estatal e os fornecedores do Estado foram os grandes ganhadores com esse processo. Os perdedores
foram os pagadores de impostos. Aqui duas questões devem ser
colocadas. A primeira é se uma situação como a que está criada, de um Estado
exorbitantemente grande e intervencionista, pode ser mantida ao longo do
tempo. A segunda questão é compreender como se dá a relação entre o Estado –
a instância político-burocrática – e os cidadãos e também os efeitos sobre as
liberdades individuais. Responder à primeira questão é
complexo e demandaria um programa de pesquisa multidisciplinar. O que eu
posso aqui é fazer proposições para o debate. Como se criou esta situação?
Como ela se mantém? Qual o papel
dos empresários nesse processo? Qual
o papel do chamado “homem comum”? O surgimento dessa situação
tem sua gênese na época do Governo Geisel e seu famoso modelo “tripartite” e
a profusão de empresas públicas então fundadas. Esse processo, todavia, foi
minimizado recentemente pelas privatizações, que em boa hora foram executadas
sob os protestos dos mais esquerdistas. Concluídas, não fizeram voltar a situação ao status
quo ante. Por que?
Porque a expansão dos gastos públicos se deu, desde 1985, por outra via que
não as estatais, pelaa expansão da Administração
Direta nos três níveis de poder e a concessão de “direitos” e benefícios
oriundos do sistema de Previdência Social. Estados novos foram criados, milhares de municípios idem e a multiplicação da burocracia
estatal ocorreu como erva daninha. A hipertrofia do Estado é
tamanha que hoje nenhum setor pode se declarar independente do Estado. Os
agentes econômicos individuais, sejam eles pessoas
físicas ou jurídicas, estão na dependência direta da boa vontade da
burocracia e da classe política para o exercício da ação econômica e mesmo de
sua sobrevivência. Tudo passou a ser mediado pelo Estado. Nenhuma grande
fortuna e nenhum sucesso empresarial, salvo exceções de regra, prescindem das
boas relações com o Tesouro. Seja via compras, isenções fiscais, concessões
de monopólio de fato, financiamentos, funding das Entidades Privadas de Previdência Complementar
(os tais Fundos de Pensão), empregos diretos, empregos terceirizados,
contratos de consultoria via Banco Mundial, nada escapa ao carimbo da
instância burocrático-político. O regime que está em vigor poderia muito bem
ser chamado de “corporativista” como nenhum fascista dos anos trinta jamais
imaginou. Estar fora do Estado é estar
fora do processo econômico. É a exclusão social e econômica. Talvez por isso
a palavra “inclusão” esteja em todas as bocas governantes. Se não fosse o processo
democrático uma situação assim poderia permanecer indefinidamente,
ossificando os privilégios, como vimos na extinta União Soviética, que caiu
de podre, carcomida por dentro pelos cupins da burocracia. Ocorre que a
politização geral das relações econômicas aumenta a fome dos que são
beneficiários do sistema e também o poder da burocracia estatal (e da classe
política), gerando o desejo das massas excluídas de serem incorporadas ao
sistema. O Estado passa a ser disputados por verdadeiras gangues que se
esparramam nas diversas siglas partidárias, formando grandes blocos de poder.
Todos querem pôr sua colher nesse caldeirão de sopa. Todo mundo quer ter uma boquinha. É nesse contexto que podemos
compreender o enorme sucesso do Programa Bolsa-família, que reelegeu Lula, e
a rejeição de Geraldo Alckmin, a quem o partido situacionista conseguiu associar
a um projeto político de privatização (que não havia). O sonho dourado desses tempos estatizados é manter alguma relação econômica vantajosa
com o Estado. Entramos em um processo
irreversível de populismo econômico que obriga os detentores do poder e os
partidos de oposição a fazerem promessas crescentes aos
parasitas estatais e a prometer à multidão de excluídos que eles
também se tornarão parasitas em algum momento, nem que seja via uma
bolsa-esmola qualquer. Vale até criar a armadilha do crédito consignado para
os pobres. É o irracionalismo econômico radical e destrutivo, que determina
uma rápida elevação da carga tributária para cobrir os déficits crescentes e
imensos. Assim, os partidos mais
populistas e sem escrúpulos é que podem chegar ao poder. O PT chegou ao
poder. Quem fizer um programa racional não se elege e ser racional é abraçar
o ideal do livre mercado, do Estado Mínimo, das desregulação,
é adotar o liberalismo econômico e a ética judaico-cristã (“Comerás o pão com o suor do teu rosto”).
Não há qualquer intenção de reforma por parte dessa gente que está no poder.
Não há qualquer motivação para a racionalidade. O que vale é manter o poder e
para isso esses homens ímpios estão dispostos a tudo. O processo eleitoral
está cada vez mais caro e o controle do Legislativo também e precisam ser
financiados. O “mensalão”
foi a ponta do iceberg dessa forma amoral e ilegal
de exercício do poder. E aqui vemos que o sucesso empresarial está
diretamente vinculado às relações de compadrio e de intimidade com os que
detêm os cordéis do Estado. A empresa do Lulinha, o
filho de Lula Lá, e seu súbito sucesso
é um caso típico, mas não o único. Nada escapa ao tacão do estamento burocrático-político. Os eleitos enriquecem; os
não enturmados estão condenados ao fracasso e a
miséria. Os eleitores, iludidos, acham que serão sócios no butim no tempo futuro de redenção. Literalmente, vale o antigo
bordão da política brasileira: “Quem
não tem padrinho morre pagão”. O cinismo elevado à máxima potência. O
poder determina o dinheiro, não o contrário. Um sistema assim não pode se
manter muito tempo em face da sua irracionalidade intrínseca e de sua
injustiça. A má alocação de recursos é inerente a ele e a injustiça
distributiva a sua base real. Não se pode dar tudo a todos ao mesmo tempo sem
o concurso do trabalho. Alguém sempre terá que pagar a conta. Cada vez mais
um número menor de pessoas trabalha para sustentar a vagabundagem
generalizada dos que vivem da renda estatal (dos impostos), os aposentados,
os que exercem cargos vazios e sem finalidade (quem vai ao Congresso pode ver
esse fenômeno a olhos desarmados: magotes de funcionários sem nada para fazer, ajudados por outros magotes “terceirizados” sem
nada para fazer). Descobri recentemente que a indicação dos terceirizados se
faz por via política. O fornecedor de mão-de-obra, regra geral, recebe a
lista dos que devem ser admitidos. O hábito de
nomear por compadrio nunca esteve tão vivo e atuante no Brasil, muito mais do
que na República Velha. A terceirização em larga escala fez dos concursos
públicos de admissão letra morta. Quando acabará? Quando o
sistema entrará em exaustão? Não tem data. Se vier uma crise econômica
mundial desaba em dias. Se não vier, irá desabar do mesmo jeito, só que
homeopaticamente, dia após dia, devorado por dentro. Haverá ao final uma
crise econômica como nunca houve. Seu indicador inicial será o primeiro
déficit a ser gerado na balança comercial. A partir daí a coisa ficará
incontrolável e fatalmente cairemos na hiperinflação. Resta a segunda pergunta por
responder, sobre a liberdade. Ela está se tornando apenas uma palavra sem
conteúdo. Toda a gente se submete à vontade impessoal e cega do grande
Saturno estatal. Os empresários precisam ficar quietos, porque necessitam de
financiamento, de vendas, de favores. Nenhum grande negócio pode se realizar
hoje no Brasil sem a intermediação do Estado e de suas projeções, como o
Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os fundos de pensão. Então não
surpreende que homens do maior valor pessoal, liberais convictos no plano
intelectual, deixem-se levar pelo nariz feitos bois
no pasto. Se piar serão excluídos e mesmo
politicamente perseguido. Muitos empresários que não se enturmaram
hoje estão prisioneiros, acusados de sonegação fiscal. É um escândalo um
Estado roubador aprisionar alguém porque fez algo
para não se deixar roubar. O mesmo vale para o povo
miúdo. As massas pobres do Nordeste sufragaram Lula por gosto, mas também sob
a ameaça velada de que, não o fazendo, suas bolsas-esmola seriam cortadas
pelo opositor. Terrorismo econômico da pior espécie, uma fraude eleitoral.
Ninguém reclamou, nem a Justiça Eleitoral. O veredicto das urnas foi
insofismável: venceu o terrorismo eleitoral, suportado pelo poder esmagador
de quem controla o Estado. Nem o rico nem o pobre são
livres mais no Brasil. Toda gente está escravizada, por diferentes meios.
Todos pagam seu tributo no altar do grande Saturno. Só se esquecem que o
Saturno mitológico é cego e devora os próprios filhos. É ele mesmo que está encarnado. OS TENTÁCULOS
DA HYDRA 16/12/2006 Meus últimos dois artigos
puseram em foco a dinâmica da hipertrofia do Estado,
de como este tem se agigantado não apenas no Brasil, mas no mundo. A tese que
tenho defendido é que se restaura paulatinamente a escravidão, agora em outra
forma: os homens foram todos escravizados e o senhor único é o Estado, a
Besta tornada forma jurídica, constituindo uma espécie da encarnação
demoníaca relatada nos textos bíblicos. É o Reino desse Mundo na acepção do
termo, se opondo ao Reino da liberdade estabelecido pela verdade revelada. Alguém poderia argumentar que
a classe política e a burocracia estatal seriam a
personificação dos novos senhores. Discordo veementemente. São
propriamente o que se chama de “servidores”.
Não exercem o poder em seu próprio nome, mas no de uma suposta “vontade
geral”. Quem já exerceu cargos elevados na Administração Pública sabe muito
bem que o poder que tenha exercido não depende da pessoa que está no cargo. O
cargo não é seu. O “servidor” desempenha um papel como um ator em uma peça.
No Aurélio um dos significados do termo servidor define o que eu quero dizer:
(“diz-se de ou todo
aquele que exerce uma atividade pública ou particular, de ordem material,
técnica ou intelectual, mediante emprego, cargo ou locação; diz-se de
ou quem quer que sirva a outrem, na qualidade de empregado, preposto ou
funcionário”). Escravo que comanda
escravos é ainda um escravo Temos aqui um problema da
maior grandeza existencial. Veja-se que a lógica de expansão do Estado ainda
não cessou, sob os mais diversos pretextos. O Estado cresce quando alarga a
carga tributária e quando hipertrofia a regulamentação da vida econômica e
privada. E isso está acontecendo em uma velocidade brutal. A fábrica de leis
nas três esferas de poder não pára de dar esporos que se multiplicam
enormemente. Novamente poderíamos dizer que caberia argüir que essa expansão
seria acompanhada de uma segurança “social” maior, com distribuição de renda,
proteção aos pobre e, como conseqüência, uma sociedade
mais pacífica e ordeira. Acontece precisamente o
oposto. O Estado brasileiro, por exemplo, jamais foi tão hipertrofiado. E
tivemos a caricata situação de assistir pasmados o assalto
perpetrado por delinqüentes contra a chefe de um dos poderes – o Judiciário,
o guardião da ordem – por meliantes, juntamente com outras autoridades.
Quando o Estado cresce demais e politiza as relações econômicas
necessariamente foge ao núcleo de sua missão de instância de ordem e a
desordem cresce. O crime passa a ser o substituto do livre mercado. Uma
parcela crescente da população precisa viver à margem das leis sufocantes e
instituir seu próprio sistema de justiça. Guerreiros criminosos são a contrapartida do Estado absolutista, que outro nome
não pode ter essa Besta. Crime organizado é um embrião de Estado que brota
para fazer frente á desordem instalada pela hipertrofia do Estado ilegítimo. Não sei onde vai parar e
quando vai inverter a curva da expansão. Mas para que isso aconteça as pessoas conscientes precisam se mobilizar para atuar na
esfera política, de forma firme e contundente. Não estou falando
necessariamente de atividades partidárias. Um simples artigo – este texto,
por exemplo – é já uma ação em contrário contra essa doença degenerativa,
essa septicemia burocrática que está matando a coletividade e impedindo as
pessoas de terem uma vida normal e de realizarem suas vocações. A alternativa de não agir
conscientemente é ver o sistema político se encaminhar inexoravelmente para o
totalitarismo. E os meios tecnológicos hoje disponíveis tornam brincadeira de
criança as experiências pregressas com o nazismo e o
comunismo. Os filmes de ficção científica mais pessimistas
talvez tenham desenhado o que nos espera na curva do tempo, se nada for
feito. É hora de despertar. É preciso
dar um basta á expansão tributarista do Estado. É necessário impedir que a
regulamentação excessiva venha a ser a escravidão absoluta de toda a gente.
Basta de Estado! |
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