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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A GREVE GERAL NA GRÉCIA 21 de maio de
2010 Sem destaque
na imprensa brasileira, ontem novamente tivemos uma greve geral na Grécia, em
protesto contra as medidas de ajuste macroeconômico exigidas pelos credores e
pelos governos das maiores economias da zona do euro. Greve justa? De forma
alguma. Contra quem os gregos fazem essa sucessão de greves? Eu tenho escrito
que a crise grega é apenas o primeiro caso agudo de fracasso das propostas da
social-democracia, em demonstração do seu esgotamento político e econômico. O
caso grego é emblemático porque é laboratorial: levaram a experiência à
máxima loucura. Qual é a proposta
social-democrata? É a “inclusão” (palavra torpe) de toda a gente como sócia
do Erário, do nascer ao morrer, passando pela aposentadoria e pelo emprego
(ou desemprego, de regra) remunerado. Como o Tesouro é mantido por
arrecadação de impostos e/ou endividamento/inflação, vê-se que há uma
inconsistência intrínseca. A capacidade de tributar se esgota, devorando a
capacidade de formação de poupança; o endividamento se eleva a níveis
insuportáveis, no limite da insolvência; e a emissão de moeda determina a
inexorável inflação de preços. Na Grécia tivemos
um pouco de cada um desses fatores, que elevaram o déficit público aos inacreditáveis
15% do PIB, obviamente insustentáveis. Se os gregos fazem greve para manter o
status quo, perdem o seu tempo. A conta não fecha,
a válvula de escape do endividamento acabou-se. Só resta a eles voltar a
fazer o que todo mundo tem que fazer: trabalhar, ganhar o pão com o suor do
seu rosto, poupar e cada um ir cuidar da sua vida, esquecendo as benesses
falsificadas do Estado. A Grécia fez o
mergulho integral na Segunda Realidade criada pelos partidos esquerdistas,
que prometem a superação dos riscos existenciais por força de lei. Até
conseguem por algum tempo, mas o que vemos é que esses riscos são acumulados
e potencializados, explodindo com força integral quando chega a crise. E a crise chegou, a cobrar a conta da
irresponsabilidade. O caso grego é apenas o emblema do que está acontecendo
em todas as economias, inclusive nos EUA, Alemanha e França. Nenhum dos
países governados pela proposta social-democrata escapará de ter que
desinflar o balão oco do déficit público e do superendividamento. Esse balão levou
toda a gente para uma realidade postiça, além da atmosfera da Terra. Terão agora
que reentrar na atmosfera e reencontrar o real. Bem sabemos que uma aterrissagem,
para quem vem do espaço sideral, é cercada de perigos. Bem planejada pode-se
reencontrar o chão ─ o inacessível chão,
no dizer poético de Chico Buarque ─ de forma segura, como fazem os
ônibus espaciais. Ou haverá o mergulho de cabeça, que levará ao
superaquecimento e à destruição inevitável, em mil pedaços. A greve dos
funcionários públicos gregos parece indicar que não querem uma reentrada no
real de forma organizada e controlada. Preferem o irracionalismo infantil,
típico das massas rebeladas e cevadas pelo discurso populista dos demagogos
de esquerda. Poderá haver muita violência e mesmo os câmbios das forças
políticas. Os tempos não são de brincadeira. O fato é que a
era de receber renda sem contrapartida de trabalho produtivo acabou. Que cada um vá cuidar da sua vida. As greves
servem apenas para matar o tempo, não podem restabelecer os “direitos” e as “conquistas”de antanho. Claro, está havendo choro e ranger de dentes,
que não será fácil pôr vagabundos de linhagem a
trabalhar, de uma hora para outra. Mas isso terá que ser feito, a qualquer
custo. Quem viver verá. |
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