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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A GRANDE MENTIRA 20/02/2008 A economia nacional vai bem?
Sim, podemos dizer, embora as taxas de crescimento
do PIB estejam aquém das médias das economias emergentes e aquém do auge do
crescimento brasileiro nos anos setenta. Podemos dizer que a economia vai bem
por causa do governo Lula? Seria Lula o autor da bonança? Não,
definitivamente não. A economia vai bem a despeito de Lula, cujo governo
aproveitou-se de dois pontos de apoio para atrapalhar pouco o movimento
favorável: o conjunto de reformas posto em prática pelo governo FHC,
debelando a inflação e devolvendo credibilidade ao País, de um lado e, do
outro, o momento altamente favorável na economia internacional, cuja
prosperidade elevou o quantum exportado e os termos de trocas. Os preços das commodities jamais estiveram tão bons. Lula terá o mérito de não
atrapalhar muito, podemos dizer. Pôs Henrique Meirelles no Banco Central, que
funciona com relativa autonomia e acabou com os sobressaltos. Esse fato só
nos diz que a esquerda finalmente descobriu algumas das leis elementares da
economia no que se refere à moeda, nada mais. Banco Central algum será autor
de desenvolvimento, pois a boa administração da moeda não se traduz
automaticamente em crescimento, sendo apenas um pré-requisito. O motor foi de
fato a economia mundial. Mas também o foi o trabalho duro e competente dos
brasileiros, fato que explica a essência do processo. Nenhum país se
transforma no maior exportador mundial de carnes, por exemplo, se seus
pecuaristas não forem também os melhores do mundo, em qualidade, preço e
produtividade. Vimos isso acontecer recentemente. Da mesma forma, setores como
os bancos nunca lucraram tanto. E o que explica esse desempenho, tirante que
a taxa de juros contem uma cunha altista injustificável que funciona como
dumping contra as empresas nacionais? A rentabilidade cresceu porque os
nossos banqueiros agregaram valor à economia, criaram o Sistema Brasileiro de
Pagamentos, uma maravilha tecnológica, têm prestado
excelentes serviços de cobrança e de conta corrente e incorporaram
definitivamente a Internet e os caixas eletrônicos à vida das pessoas. O uso
dos cheques no dia a dia tornou-se coisa do passado. Contribuíram para o
aumento geral da produtividade do Brasil, deve ser dito. Mesmo com a redução
dos juros nominais nos últimos tempos os lucros cresceram por mérito dos
empresários banqueiros, que, se não puseram os bancos como financiadores do
sistema produtivo, puseram-nos como instrumento de serviços inestimáveis e
inovadores, a preços relativamente baixos. Nem os lucros dos bancos podem ser
creditados a Lula, pois são mérito dos próprios
banqueiros. É uma grande mentira dizer que
Lula e o PT são autores do que quer que seja. Seus méritos são “negativos”,
ou seja, deixaram de fazer as besteiras gigantes que estávamos a esperar deles,
embora fizessem outras besteiras, mas não aquelas que pudessem comprometer os
pilares estruturais do sistema econômico. Uma besteira que passa por mérito é
a distribuição das tais bolsas-esmola, que supostamente alimentariam os
pobres. Compram votos, na verdade, fecham os currais eleitorais dos grotões,
onde Lula é imbatível. Mas em São Paulo, por exemplo, onde o valor das
bolsas-esmola é irrelevante, o samba toca diferente, o ritmo é do Adoniran
Barbosa. Aqui o PT e sua laia não têm chance nem de ganhar a prefeitura
paulistana e muito menos o governo do Estado. A fraqueza estrutural do PT em
não ter o poder em São Paulo vai continuar, pela
graça de Deus. Por isso que o artigo do
brilhante José Nêumanne (“Enchendo o bolso do rico e a barriga do pobre”), publicado na
edição de ontem do Estadão, me deixou tão perplexo.
À primeira leitura tendi a concordar, mas vi depois que o articulista meteu os
pés pelas mãos e deixou-se enganar pela superficialidade dos fatos. Ele
escreveu: “Egresso do Planeta Fome,como disse Elza
Soares ao se apresentar como caloura no programa de
Ary Barroso, Sua Excelência sabe muito bem que a contrapartida para o sono
tranqüilo dos banqueiros deve ser a saciedade dos miseráveis: os banqueiros
podem ressonar à vontade, desde que a barriga dos pobres não ronque. Imaginar
que a elite financeira vai pôr em risco seus lucros espetaculares por ter uma
ministra sem expressão gasto dinheiro público em free
shop e que as favelas vão rufar seus tambores de
guerra porque o ecônomo que abastece a despensa da primeira família usa de
forma perdulária recursos retirados da economia em forma de impostos equivale
a esperar o desembarque de Papai Noel no verão tórrido em pleno semi-árido”. Onde está a falácia? Achar que
o governo tem poder de enriquecer os banqueiros e de alimentar os pobres. Não
tem, ou melhor, tem de forma limitada no caso dos banqueiros. O poder de
gerar riqueza está no mercado. O Estado só pode mesmo transferir recursos e
atrapalhar a produção. Certo que o PT não tentou expropriar os bancos (algo
que sempre prometeu fazer), mas os enormes lucros que estão sendo registrados
nos balanços têm origem nos seus méritos empresariais e não meramente na
prodigalidade governamental, embora a dívida pública continue gigante e os
juros artificialmente altos. Da mesma forma, a fome das gentes pobres não é
erradicada pelas bolsas-esmola, embora para os lúmpens dos grotões elas possam
ter algum valor e parecer assim. Quem alimenta o povo é o trabalho do povo,
trabalho que paga impostos e financia a vagabudagem
inclusive de uma horda miserável que virou cliente crônica do Tesouro. E da
horda petista toda ela empregada no governo. Um artigo assim tornou-se uma
formidável e involuntária propaganda do governo e, enquanto grande escritor
que é, o engano do jornalista transformou a mentira
grotesca na verdade mais formidável. Vai ser posto num quadro na Presidência
da República e na sede nacional do PT. Em face do engano é que ele pôde
concluir: “Difícil é crer que, tendo
criado a receita do povo feliz com o milionário mais rico e o miserável
saciado, Lula não se deixe tentar pelo diabinho do terceiro mandato”. Bem
informado como é Nêumanne sabe que Lula e o
PT estão fazendo de tudo para ter mais um mandato. Isso equivale a rasgar a
Constituição e ao início da ditadura rumo à venezuelização
do Brasil. O fórum para decisão é o Senado Federal e talvez apenas dois
míseros votos sejam ainda a diferença para que esse
pesadelo não tenha se tornado realidade. Por isso tenho acompanhado com
tanta atenção os movimentos de FHC e de seus correligionários. Sobre os
ombros desses homens pesa toda a responsabilidade de dizer Não! O futuro
inteiro na Nação está nesses poucos votos. Dizem que todo homem tem seu
preço. Espero que o dessa gente seja bem alto, pois a contrapartida será
mergulhar o País na incerteza de uma aventura errante, de cunho bolivariano, à moda de Chávez.
Talvez até mesmo uma guerra civil. Oremos e vigiemos! |
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