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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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FOLHA
COMENTA PLANO DE BANDA LARGA 05 de dezembro de 2009 Quem tem
acompanhado meus comentários sobre a CONFECOM está
bem informado sobre o que se passa nos bastidores das decisões sobre o Plano
Nacional de Banda Larga. O assunto foi objeto do editorial de hoje da Folha
de São Paulo (“Banda Larga”).
O ministro Hélio Costa apresentou um documento que dá à iniciativa privada a
primazia no fornecimento dos serviços. O presidente Lula, coerentemente com a
sua disposição de chamar a CONFECOM, devolveu o Plano para “estudos”, o que
significa que o rejeitou. Provavelmente o que virá a ser aprovado exaltará a
participação do Estado, com a produção direta dos serviços por uma estatal.
Será um retrocesso de dezenas de anos e também a afirmação da visão política
socialista sobre este que é um setor crítico para a liberdade no Brasil. Ignorando tudo
isso, o editorial nem menciona que Lula devolveu o documento para o
Ministério das Comunicações. Lá está escrito: “O tema é relevante. A
internet tornou-se uma ferramenta de primeira necessidade no mundo
contemporâneo. É um bem, como a água, a educação e o transporte, que precisa
chegar aos cidadãos em condições minimamente compatíveis com os avanços
tecnológicos”.
Obviamente um exagero. Banda larga é um serviço como outro qualquer, passível
de ser adequadamente ofertado pelo mercado. A Folha entrou no engodo do
argumento do PT para transformar o setor em elemento de segurança nacional,
ou seja, passível de intervenção direta do Estado. Não
satisfeito, o editorialista completou: “O panorama do setor, no Brasil, é de pouca
concorrência e forte concentração nas regiões Sul e Sudeste, que contam com
80% dos acessos mais velozes. Apenas o Estado de São Paulo, com 20% da
população, responde por 40% das conexões desse gênero existentes no país”.
O jornal assume sem máscara o ideal igualitarista
próprio dos que advogam pelo socialismo, levantando como problema a
concentração dos serviços em poucos produtores, como se isso estivesse na
origem da precariedade da oferta nas regiões pobres. Ora, os habitantes do
Estado de São Paulo dispõem de melhores serviços porque podem pagar por eles
e dispõem das necessárias economias de escala. As empresas do setor não podem
ser responsabilizadas pela escassa demanda das regiões mais pobres. Ignorando o
que se passa no âmbito da decisão política, o editorialista
escreveu: “Há, no entanto, muitas
maneiras de o governo atuar para corrigir desequilíbrios. A menos
recomendável delas é a intervenção direta, por meio da estatização pura e
simples. Essa, lamentavelmente, é uma das opções que se apresentam no caso da
banda larga. Uma ala ligada ao Planalto defende que o processo de
universalização das conexões mais velozes seja conduzido por uma nova empresa
do Estado, administrada pela Telebrás”. Não se trata de uma decisão
política desconectada da CONFECOM, a Conferência que deverá mudar
estruturalmente o setor de comunicações, desde a infra-estrutura até a
geração de conteúdo. A lamúria do editorial esconde a falta de coragem do
jornal de entrar na briga pela economia de mercado, denunciando as manobras
do PT e de Lula, que pretendem socializar tudo. Até o momento a Folha não
emitiu uma única opinião sobre a CONFECOM, fato notável, dada a importância
do evento. Entendo que a
omissão é o retrato da covardia do jornal e também do seu endosso às teses
coletivistas que estão sendo discutidas, a serem levadas à Conferência. Será
que a Folha pensa que assim estará protegida as investidas estatais? Que ela
também não é alvo prioritário das mudanças que estão por acontecer? A omissão
aqui custará caro para todos, inclusive para a própria Folha. Infelizmente
não é só a Folha que se acovardou, foi todo o setor de comunicações, a
começar pelos grandes jornais. Por falta de coragem dos empresários do setor
o Brasil poderá perder a preciosa liberdade de comunicações. |
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