|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
A FISIOLOGIA DOS MENSALÕES 13 de
fevereiro de 2010 Qual a diferença fundamental entre os mensalões
do PT e do DEM, do Arruda? A resposta a essa pergunta
é determinante para entender o movimento subterrâneo da política nacional.
Com ela é possível se compreender com clareza meridiana o processo revolucionário
em curso, na sua integralidade. Lembremos do mensalão do PT. Ele
chegou a público por uma denúncia do imprevisível Roberto
Jefferson, então deputado, que teve seus interesses pessoais contrariados
pelo PT. Botou a boca no trombone, testemunhou, deu provas, tinha até filme
de pagamento de propina nos Correios. O que aconteceu? Nada. Nem a polícia se
mexeu e nem o Judiciário condenou ninguém. Vê-se, pelo episódio que alguns mesaleiros são melhores do que outros diante das
autoridades. Tal fato se repetiu por ocasião da criminosa e desconcertante
denúncia do caseiro do ex-ministro Palocci, que de vítima passou a suposto autor
de crime. Mesmo mecanismo, a polícia nada fez, a Justiça ignorou e ficou o
dito pelo não dito e tudo arquivado, sem culpados. Como o DEM e José Roberto Arruda são da oposição e atrapalham
os projetos políticos totalitários do PT, a roda rodou diferente. Nunca antes na história desse país um
governador teve a prisão preventiva decretada. O erro do
Arruda foi um só: não estar na base do governo. Veja-se a celeridade
ímpar com que a Justiça se moveu, algo surpreendente
para a nossa história política. Vale a máxima getulista: “Aos
amigos, tudo. Aos inimigos o rigor da lei”. Essa é a fisiologia dos mensalões. É
interessante observar que os atores envolvidos no episódio ─ os magistrados,
os policiais, os promotores ─ podem até nem ter consciência do processo
em curso e estarem muito felizes por cumprirem seu papel constitucional,
papel esse que deveria ser rotineiro, cumprindo o estabelecido na Constituição
de que todos são iguais perante a lei. Não se deram conta de que podem ter
caído na armadilha de, fazendo a coisa certa, ou seja, cumprindo a lei e
agindo de forma célere, estarem tão somente pondo
mais um tijolo a pavimentar a escalada totalitária. Veja-se que não defendo a impunidade e menos ainda que Arruda
deixe de pagar pela sua arrogância e pelos seus crimes eventuais. Defendo que
o mesmo se faça com os quadros políticos do PT. Na verdade, nem defendo, eu
aponto que tal coisa não vai e não pode acontecer. A lei e a Justiça foram
instrumentalizadas no Brasil pelo partido que tem o projeto de poder
totalitário em curso, sem nenhum limite moral. O mensalão do DEM foi apenas mais um
capítulo em que os operadores do Palácio do Planalto decidiram as eleições antes dos eleitores irem às urnas,
excluindo talvez seu principal ator. Acredito que estamos diante de um
padrão, que se repetirá até que toda a oposição política seja destruída no Brasil.
Vivemos os albores de um Estado policial perverso. |
|