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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A ESPERTEZA
DE LULA 06/032008 Parece claro que um conflito
bélico entre a Colômbia e a Venezuela tem data marcada, faltando apenas o
pretexto adequado para a eclosão. Será o passo decisivo do Foro de São Paulo
para tentar desestabilizar o país mais democrático da América do Sul, que
pela graça de Deus está sendo conduzido por um governante lúcido e sensato. O
esforço armamentista de Hugo Chávez tem endereço:
derrubar o governo constitucional de Álvaro Uribe,
pondo em seu lugar alguém das FARC. A ação inesperada de Uribe,
que liquidou o arquiterrorista Raúl Reys, precipitou alguns acontecimentos e deixou claro
para os revolucionários que a Colômbia não vai aguardar a sua agenda, ela
combaterá no seu próprio tempo e de acordo com as oportunidades que se apresentarem. Sua melhor estratégia é
liquidar a liderança das FARC por quaisquer meios e onde elas estiverem. A
morte de Raúl Reys foi uma grande vitória militar.
A ação fora do seu território – uma necessidade estratégica da maior
importância finalmente posta em prática – começou pelo Equador em face da
fragilidade militar do país. Foi um bom teste, servindo para mandar a
necessária mensagem aos inimigos. Mas Uribe sabe
que a cúpula das FARC está abrigada debaixo da asa de Hugo Chávez, em território venezuelano. A reação de Chávez mostrou um misto de surpresa e medo, pois tem
consciência de que o próximo alvo será na Venezuela e aí a guerra poderá ser
inevitável, antes do tempo que ele queria, antes de ter as armas compradas e
o treinamento se seus soldados completado. A grande surpresa para mim foi
o comportamento de Lula. Como se sabe, Lula e o PT são os maiores cabeças do
Foro de São Paulo e dão apoio político e diplomático às FARC e a Chávez. Imitando a sobriedade apresentada quando da
derrota da CPMF no Senado Federal, mandando publicamente o ministro da Fazenda Guido Mantega calar a
boca, Lula não escalou seu embaixador plenipotenciário Marco Aurélio Garcia
para interagir na crise, deixando o problema a cargo dos profissionais do
Itamaraty. O fato foi surpreendente porque Garcia é
o ostensivo elo com as FARC e com Hugo Chávez e
certamente colocaria o peso do Brasil favoravelmente aos narcotraficantes e
seus aliados. Se fizesse isso tornaria o
jogo do PT com as FARC aberto e colocaria o Brasil
como inimigo da Colômbia e dos EUA. Seria um erro crasso. Minha conclusão é
que o comitê central do PT, repetindo o que houve por ocasião da derrota da
CPMF, reuniu-se e traçou a estratégia, correta em face dos acontecimentos.
Como o tempo não está maduro para uma guerra entre a Colômbia e a Venezuela
não convinha o alinhamento automático e ostensivo com as FARC e Chávez no momento, cabendo botar água na fervura. Por
isso também que o furor inicial de Hugo Chávez deu
lugar a um silêncio estudado e oportuno. A vitória militar da Colômbia ao
liquidar Raúl Reyes foi
reconhecida e assimilada, cabendo ao Foro de São Paulo manter o perfil
baixo para continuar a acumulação de forças. Tudo pela vitória da revolução! A esperteza não é de Lula,
como se vê, mas do comitê dirigente do PT que tem no presidente o porta-voz.
São os governantes nas sombras e eu nem imagino quem são esses camaradas. Mas
preciso reconhecer que estão agindo de forma inteligente, respondendo aos
fatos da conjuntura de maneira adequada aos seus objetivos estratégicos. Essa
gente sabe que as Forças Armadas brasileiras são inimigas de seu projeto
estratégico de fazer a revolução comunista, então sabem que não podem dar o
passo maior que a perna, pelo menos por enquanto. A questão em aberto é o que
o PT está fazendo para liquidar a “neutralidade ofensiva” das Forças Armadas.
Entendo que essa é a maior fragilidade do partido governante e nem imagino o
que farão sobre o assunto. Claro está que só darão passos ousados na área
militar depois de resolvida a questão da sucessão
presidencial. O Partidão renascido no PT
aprendeu a ter paciência e a jogar xadrez. Lembra-se muito bem de 1935 e de
1964, cuja memória os brasileiros de bem estão celebrando agora no dia 31,
como faço aqui antecipadamente. Não quer afobação e voluntarismos. Aguardemos
os próximos passos. |
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