|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
A
ENTREVISTA DE SÉRGIO GUERRA 10 de janeiro de 2010 Caro
leitor, para saber-se a origem de todas as nossas tragédias políticas não se precisa
de muito. Basta ler a entrevista do senador Sérgio Guerra, publicada nas
páginas amarelas de Veja,
para termos um descortino completo. A destruição dos valores tradicionais na
política começou pelo desaparecimento dos políticos tradicionais, isto é,
daqueles que defendiam a economia de mercado e os valores judaico-cristãos. O
senador Sérgio Guerra é, ele mesmo, uma amostra de como
políticos oriundos das famílias tradicionais enriquecidas aderiram,
sem qualquer subterfúgio, ao credo esquerdista. Se não há políticos
conservadores não haverá nada a conservar em política. A
entrevista é interessante por muitos aspectos, a começar pela confirmação do
nome de José Serra para encabeçar a chapa que disputará a Presidência da
República. Segredo de Polichinelo, claro, mas mesmo o óbvio precisa ser dito.
O que destaco, todavia está abaixo. Por primeiro, a ênfase que o senador dá
ao fato de que seu partido, o PSDB, está à esquerda de Lula. Veja-se bem, o
cacique do partido insiste nesse ponto. Podemos ler: “Mas nós estamos à esquerda mesmo. Se
ganharmos, vamos acelerar os investimentos na
educação e na saúde. Manteremos o Bolsa Família, que é um mecanismo eficiente
de erradicação da miséria e da fome. O PT não é de esquerda. Já foi; não é
mais. O PT se transformou num partido populista. Antes, o PT tinha militância
nas grandes cidades. Agora, tem cabos eleitorais nos grotões, pagos com
dinheiro público, que escorre por meio de ONGs. Isso é esquerda? Não, é
populismo. A verdade é que o PT só gosta de democracia quando lhe convém. Na
eleição passada, quando estávamos atrás nas pesquisas, o PT introduziu o
crime na campanha, com o dossiê fajuto dos aloprados e aquela pilha de
dinheiro que ninguém sabe de onde surgiu. Agora que estamos na frente,
imagine o que eles vão fazer. Será uma campanha sangrenta. Eles vão fazer de
tudo para impedir uma possível vitória nossa. O que está acontecendo
atualmente são apenas ensaios”. Todo
esquerdismo, inclusive o do PSDB, é populismo, no sentido de servir para
adular as massas de forma irracional, mas não é verdade que este esteja à
esquerda do PT. O PT levou o esquerdismo às últimas conseqüências. Com o III
Plano Nacional de Direito Humanos podemos dizer que ele logrou inclusive
declarar o terrorismo como um dos direitos humanos fundamentais e que os
crimes eventualmente praticados pelos terroristas são inimputáveis. Ao
contrário, as ações ordinárias das forças da ordem ao combater o terrorismo
estão criminalizadas para todo o sempre. O PSDB, não obstante ter abrigado e
defendido os terroristas, nunca foi tão longe. É menos esquerdista, isto é,
menos maluco, do que o PT. Esse
campeonato de esquerdismo entre as duas forças políticas dominantes é o maior
sintoma de que a doença política do Brasil nasce da doença das almas
individuais, que se expressa nos agentes políticos que tomaram os cargos de
direção das agremiações partidárias e do Estado. Todos imersos no sonho
delirante de grandeza e de poder a partir do ato infame de ajoelhar-se diante
das massas insaciáveis, que querem sempre mais: mais saúde, educação, bolsas,
segurança, empregos, como se tudo pudesse vir da mão do Estado. A política
esquerdista é criminosa na origem porque esconde o real e proclama o delírio
como a verdadeira realidade. Atuando no mundo dos sonhos pode-se construir
qualquer maluquice e transformá-la em instrumento para adular as massas. Por
isso que essencialmente não há diferença prática de formulação de políticas
públicas de ambos os partidos. Sérgio Guerra declarou, a propósito: “Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e
nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia,
mas terão pesos diferentes. Nós não estamos de acordo com a taxa de juros que
está aí, com o câmbio que está aí. Estamos criando empregos no exterior. Os
últimos resultados da balança comercial são negativos. Precisamos estabelecer
mecanismos para criar empregos no Brasil. Espero que a sociedade nos
compreenda. Será necessário fazer um rigoroso ajuste das contas públicas.
Hoje, o governo gasta muito – e mal. Os gastos cresceram além da capacidade
fiscal do país”. É claro
que o ponto principal de uma reformulação da política econômica foi ignorado.
Mudar a política econômica basicamente é reduzir impostos e gastos, coisa que
nem Sérgio Guerra e nem seu candidato sequer cogitam. Portanto, a política
econômica do PSDB é apenas uma variação sobre o mesmo ponto. Ambos, PT e
PSDB, estão de acordo em esbulhar escancaradamente a população pelo
instrumento tributário, para ter recursos para adular a multidão e manter a
vasta legião de parasitas ligados ao funcionalismo e à burocracia partidária.
Mexer no câmbio pode ser deletério, como vimos agora na Venezuela, dependendo
de como se faça. Mas não significa mudar substantivamente alguma coisa. É
apenas acomodação à situação vigente de roubo extravagante da renda e da
riqueza daqueles que trabalham, para pagar a vida boa e a vagabundagem de
largas parcelas da população. A taxa
de câmbio é o instrumento pelo qual a lei da escassez se revela impiedosa com
os jacobinos no poder. É o calcanhar de Aquiles de todos eles. O Brasil, não
demorará muito, imitará a Venezuela. Essa história de câmbio duplo tem longa
tradição entre nós e não duvido que algum economista do PT esteja por detrás
das decisões de Hugo Chávez. Bem sabemos no que vai dar: hiperinflação. Mas
os esquerdistas não aprendem nunca, sempre insistem em ignorar a lei da
escassez. |
|