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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A ELITE DE ZOTTMANN 18 de dezembro de 2008 Nos
acalorados debates que têm ocorrido na Rede Liberal um deles merece ser aqui
sublinhado. O economista Luiz Zottmann afirmou que
o serviço público recruta os melhores cérebros do país, afirmação que eu
próprio contestei. Esse debate aconteceu antes da
divulgação da celeuma em torno do concurso do IPEA, cuja prova direcionou o
conteúdo programático para um tipo de avaliação que, segundo matéria
publicada na Folha de São Paulo de hoje, “prioriza
questões ideológicas e defende ações do governo Lula” e que “o Instituto
deixa de lado conhecimento de economia aplicada e quer contratar economistas
alinhados a teses controversas”. Na verdade, é isso que tem acontecido nos sistemas de acesso às
carreiras públicas de longa data, e não apenas no governo Lula. O conteúdo
das avaliações propõe questões de conhecimento que, via de
regra, soma cultura inútil com a apologia ao Estado grande, partindo
do suposto de que o agigantamento do Estado é o ponto de partida para a boa
ação de governo. Essa visão de mundo contraria o que se chama de liberalismo
clássico, seja na ciência econômica, seja no Direito: a defesa do Estado
mínimo. Então há um reforço do estatismo já na
forma de admissão. O conteúdo dos cursos preparatórios aos ingressantes nas
carreiras, bem como o estágio probatório levam sempre a essa conclusão: o novo
funcionário público será um misto de sacerdote estatal e um militante das
causas esquerdistas. Estamos vendo no Brasil a construção do clássico Estado
fascista, em que a famosa máxima de Mussolini “tudo no Estado, nada fora do Estado e nada contra o Estado”
está sendo aplicada em plena magnitude. A pletora de leis e regras estatais
transformou a liberdade em letra morta. O pagamento de cerca de 40% de
impostos como proporção do PIB praticamente inviabiliza a criação de poupança
privada em volume suficiente para caracterizar o livre mercado (entenda-se
bem: provoca um empobrecimento geral da população). Some-se a isso o
monopólio da emissão monetária e o gigantismo dos bancos públicos temos o que
eu chamo de Estado Total. Historicamente sociedades tão estatizadas costumam descambar para a
violência, pois a posse do comando do Estado torna-se o bem mais almejado das
gangues abrigadas nas legendas políticas e a alavanca mais fácil para o
acesso à riqueza. O butim do ganhador é tamanho que perdê-lo passa a ser
motivo de ações violentas, um convite a convulsões e golpes de Estado. A
grande surpresa da minha parte é que isso não aconteceu no Brasil e o PT,
partido de vertente revolucionária, está aparentemente preparado para passar
a faixa presidencial a um sucessor eleito em meio à oposição. Espero que
venha a ser assim mesmo. Mas voltemos ao tema de Zottmann. Vejo aqui
um viés de perspectiva de um integrante do serviço público muito semelhante
ao que pensam de si os militantes dos partidos revolucionários. Pensam que só
uma elite de vanguarda é que pode compor esses partidos, logo estar neles
torna o militante a elite da humanidade por
antonomásia. Bem sabemos que esse é um descolamento completo do real, uma
alucinação perigosa, que, entre outras coisas, deu no nazismo e no comunismo.
E nos movimentos revolucionários pelo mundo afora, inclusive no recente surto
da jihad islâmica contra o Ocidente. A verdadeira elite é o spoudaios de Aristóteles, o homem que desceu ao mais
profundo de si mesmo e, ao fazê-lo, alcançou a inteireza moral que o torna um
líder natural. São pessoas raras que podem até ser
funcionárias públicas, mas funcionários públicos enquanto tal não são spoudaios. Passar em um concurso
público é um mero acidente de uma mente específica que aceita como
verdadeiras a cultura inútil e a doutrinação que formam o conteúdo
programático exigido e, a dar crédito à matéria da Folha acima, só um
parvo perfeito ou um ser moralmente inferior para escrever mentiras contra a
sua própria consciência em uma prova, a troco da aprovação. Estamos aqui diante do que Voegelin chamou de
estupidez inteligente, no seu livro
HITLER E OS ALEMÃES. Esta estupidez é que deu a possibilidade de Hitler
chegar ao poder e fazer o que fez. O passo seguinte à estupidez inteligente é
a estupidez criminosa, em que
lideranças políticas manipuladoras comandam a
burocracia eficiente e moralmente insensível, como vimos no bem documentado
caso de Adolf Eichmann, o zeloso e inteligente
burocrata que não se colocava os problemas morais relevantes. Podemos até dizer que o nosso funcionalismo é uma espécie de Elite Zottmann, que faz de si o melhor juízo possível, quando
deveria parar e pesar. A responsabilidade será sempre individual. O
funcionalismo tornou-se o grande parasita da sociedade brasileira, que tem se
reproduzido qual tumor canceroso, em metástase. Estão sendo admitidas ao
serviço público multidões de funcionários. Ganham cada vez mais para fazer
cada vez menos. Essa é a situação brasileira e temo que um caldo de cultura
em que prevalece a ideologia da Elite Zottmann faça
surgir finalmente o líder estúpido criminoso, capaz de cometer os grandes
desastres contra a humanidade. |
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