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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A DIREITA EUROPÉIA 15 de junho de 2009 A grande
notícia política mundial nos últimos dias foi a vitória
das forças de direita nas eleições do Parlamento Europeu, em praticamente
todos os países. Como interpretar o fato? O que esperar dos próximos acontecimentos?
Para onde caminha a Europa? Em
primeiro lugar, precisamos saber o que singulariza a direita política, e não
apenas na Europa de hoje. Há uma nova direita, que praticamente comunga com
as crenças coletivistas de adversários tidos à esquerda do espectro político.
Nenhum grupo político tem chance de se eleger hoje em dia para cargos
políticos se não fizer discurso em favor da manutenção da infra-estrutura do
Estado de bem-estar social. Ninguém propõe reduzir nem impostos e nem os
rendimentos dos parasitas desocupados, que mamam no Estado toda a vida. É bem
verdade que a esquerda acredita piamente nas políticas keynesianas,
o delírio fetichista com o manuseio da moeda, e a direita (nesse sentido apropriadamente chamada de neoliberal) respeita as leis básicas da economia. Mas
ambos os grupos estão de acordo com a função distributivista do Estado. A direita
na verdade propõe um maior fechamento das fronteiras para os imigrantes,
sobretudo os ilegais, numa espécie de lema “a Europa para os europeus”. A contradição fundamental é que são
justamente os imigrantes os que trabalham e dão duro,
sobretudo nas profissões menos desejadas. Como repatriar essa gente se o
esquema de vagabundagem remunerada social-democrata for mantido? Podem
esbravejar o quanto quiserem contra os imigrantes, mas eles lá permanecerão
enquanto a cultura do ócio for mantida, pois afinal alguém terá que
trabalhar. Essa tese xenófoba é portanto
irrealizável no âmbito do Estado-mamãe agigantado. Outro quesito
tido como direitista é a resistência ao crescimento do governo europeu, em
prejuízo das instâncias locais. Isso é muito sério e importante. A derrota
das esquerdas atrasou um passo decisivo em direção à formação do governo
mundial, objeto último de sua ação política à escala planetária. A União
Européia formou um enorme anel burocrático superposto às burocracias nacionais,
encarecendo a função de governo, praticamente sem nada dar em troca. Claro
que seu custo não pode crescer sem que os custos das instâncias locais caiam.
Em outras palavras, sem que os Estados nacionais desapareçam enquanto poder
constituído. Essa ação fracassada de consolidação do Estado europeu tem forte
impacto para o resto do mundo, pois seu fracasso fortalecerá as correntes
políticas que não desejam o governo mundial. Um segundo
ponto que se coloca para análise é: o que é ser europeu? Europa não é nem
unidade racial, nem lingüística e nem mesmo histórica. A Europa só é una na
cristandade. O problema é que as classes superiores européias debandaram para
o ateísmo e o niilismo, perderam sua raiz cristã. Dentro desse ponto de
vista, não há nem mais Europa, havendo apenas quistos europeus no território,
cada vez mais tomado pelas massas hedonistas decadentes, ao lado das massas
islâmicas. Claro que os hedonistas não possuem força civilizacional para
fazer frente ao Islã militante. Cinco orações diárias diuturnamente destruirão
os hedonistas em curto espaço de tempo, sem contar o efeito da taxa de
natalidade: os europeus nativos recusam a procriação. Projeções indicam que
em 50 anos serão minoria no território, uma hecatombe populacional. Como a
direita que se elegeu é igualmente hedonista e atéia, não é ela mesma uma
alternativa para o descenso europeu. Estamos diante de uma variação em torno
do mesmo, a mesmice tantas vezes repetida. A Europa só tomará jeito se fizer
uma nova Reconquista, desta vez em torno dos valores da Tradição. Há que se
construir uma direita que seja liberal-conservadora, que desmonte o distributivismo estatal e resgate os valores da Tradição. |
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