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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A DIREITA CONSENTIDA 10 de março de
2010 No Brasil a
direita consentida é o PSDB e todo o arco político em torno dele, inclusive o
DEM, que desgraçadamente tomou a si o programa político do Partido Democrata
dos EUA, fazendo de conta que poderia competir, seja no âmbito da
social-democracia, seja no âmbito da esquerda mais radical, como um simulacro
“liberal”à moda norte-americana. Está sendo esmagado
inexoravelmente. A um só tempo o
eleitorado foi-lhe roubado enquanto seus quadros foram destruídos. José
Roberto Arruda é o espelho acabado dessa situação. A cassação do prefeito
Gilberto Kassab também. Mesmo o DEM agora está
sendo considerado oposição não consentida e qualquer pretexto está sendo
utilizado para o seu aniquilamento. A sua aliança estratégica com o PSDB de
nada lhe serve. Os caciques tradicionais estão sendo destruídos um a um,
mesmo quando aderem de forma explícita ao partido situacionista, como é o
caso de José Sarney (este no PMDB). A
direita consentida é, nada mais nada menos, que a esquerda, uma falsificação.
Não há mais direita política e essa situação significa simplesmente o limiar
da ordem totalitária, que até mesmo o jornalista Reinaldo Azevedo (Moralmente o governo Lula já é
um tirania) reconheceu como realidade. Reinaldo esqueceu-se de que não é
apenas “moralmente”, mas factualmente. O PT controla os três poderes da
República e conseguiu fundir o partido com o Estado. Até mesmo as Forças
Armadas foram submetidas. Nenhuma resistência organizada está operante diante
do petismo. A grande mídia,
conforme meu artigo anterior (Serra e a midia), rendeu-se
integralmente. Apenas dois jornalistas têm a permissão dos barões da mídia
para fazer a oposição oficial ao poder estabelecido: o próprio Reinaldo
Azevedo e Diogo Mainardi, ambos da revista Veja.
Por quanto tempo, não se sabe. Ambos são homens íntegros e profissionais
competentes, mas para um país da nossa dimensão podemos dizer que são vozes
isoladas, ainda que com alguma influência. Dentro da algazarra esquerdista
que é a grande mídia, todavia, suas vozes são prontamente abafadas. A “direita”
jornalística foi eliminada, bem antes que a direita política. Pode até ser
que uma coisa levou a outra: a destruição dos formadores de opinião
conservadores, meta primeira da revolução gramsciana,
levou necessariamente ao desaparecimento dos políticos conservadores. A
ditadura começou pelo seqüestro das almas na sua formação. Meu caro leitor,
nada há a fazer. O processo revolucionário, por assim dizer, está completo. A
eleição de Dilma são favas contadas. O Brasil viverá inexoravelmente as
conseqüências desse fato, como a Alemanha nos tempos de Hitler viveu. Como a
Rússia desde os tempos de Lênin viveu. Resta a cada um que manteve a sua
integridade e a sua independência virar cronista do que está acontecendo. A loucura
é completa e a solidão é o que espera para os que não aderiram ao sistema. Empregos,
oportunidades, bons negócios, tudo agora depende da relação de compadrio com
o partido governante. Não ao acaso Abílio Diniz, o emblemático empresário de
São Paulo, aderiu de público à candidatura Dilma, ele que está no varejo,
atividade que em tese não depende de favores governamentais. O que dirão os
demais, que precisam do governo como os pulmões do ar? Não apenas aderiram,
mas se avassalaram. Não há mais nenhum espaço de liberdade, não apenas
política, mas também econômica. O totalitarismo é
a realidade radical em que estamos metidos. |
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