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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A DESTRUIÇÃO DA PEQUENA EMPRESA 25 de julho de
2010 A forma nova que
o movimento comunista internacional assumiu, na segunda metade do século XX,
é fazer o conluio entre os revolucionários e os mega capitalistas.
Abandonou-se de uma vez a idéia de planejamento central. Os revolucionários
tomam conta do poder de Estado e, a partir dele, movem os recursos
financeiros, as leis a as polícias a favor dos assim chamados metacapitalistas (acho que o termo foi cunhado por Olavo
de Carvalho, mas não tenho certeza). É uma grande ilusão achar que há
divergência de interesses entre esses maganos
enriquecidos e os revolucionários. O tal “mercado” é sócio e cúmplice dos
revolucionários governantes. No Brasil, o
exemplo mais conspícuo é a aliança entre os banqueiros e o PT, desde a famosa
Carta ao Povo Brasileiro. O Brasil é o paraíso dos banqueiros, paga as
maiores taxas de juros do mundo e nenhum economista será capaz de explicar
essa anomalia se não olhar o pano de fundo político, essa privatização do
Estado. Nunca podemos esquecer que foi dos cofres da Visanet, controlada
pelos maiores banqueiros pátrios, que saiu o dinheiro para o Marcos Valério
pagar o mensalão. Nenhum deles foi chamado a depor,
ficando a impressão que o dinheiro saiu do Banco do Brasil. Esse conluio
está destruindo a pequena empresa independente, no Brasil. Quando se
regulamenta, se encarece a produção, colocam-se normas de difícil cumprimento
para as empresas, na prática aquelas que não têm estrutura e escala de grande
empresa têm lavrada a sua sentença de morte. Eu vi isso acontecer no mercado
do varejo, cada vez mais concentrado porque as normas dos diferentes níveis
de governo impedem que pequenas empresas sejam economicamente viáveis. Vi
isso acontecer no mercado livreiro. Vi isso acontecer na indústria de
brinquedos, tudo isso como executivo atuante. O Estadão de
hoje, no caderno de Economia, dá a manchete de que o BNDES disponibilizou R$
18,5 bilhões para emprestar ao setor de frigoríficos. Claro que só terão
acesso a esses recursos os maganos. É a sentença de
morte das pequenas e médias empresas do setor. O consumidor pagará mais caro
e o produtor terá a sua renda diminuída. Veja,
meu caro leitor, que o governo capta recursos a 10,75% ao ano e os transfere
aos amigos do rei a taxas variadas, inferiores a essa, que nunca passam de 8%
ao ano. É uma doação que é feita com os impostos pagos pelos pobres para os
ricos. O governo do PT e de Lula da Silva está destruindo as pequenas e
médias empresas, vale dizer, o meio de vida de milhares de brasileiros.
Empregos são também impiedosamente destruídos. E esse é só um
exemplo. O processo tem vindo ao longo dos anos. O fenômeno não é apenas
brasileiro, é mundial. Os governos querem que as empresas sejam perfeitas.
Para alcançar o objetivo que é inalcançável (a perfectibilidade), inventam
regras que encarecem o processo produtivo. Não querem beneficiar o
consumidor, o meio ambiente o os trabalhadores, como é usual nos seus
discursos. Querem mesmo é impedir a concorrência das
pequenas empresas, incapazes de cumprirem as regras. Quem tem um pequeno
negócio sabe perfeitamente bem do que eu estou falando. As leis conspiram e
os pequenos negócios estão condenados à falência. Do ponto de
vista da economia política isso é um desastre. A classe média independente do
governo está desaparecendo. A idéia mesmo de se ter independência econômica
está desaparecendo, restando tão somente às pessoas virarem assalariadas das
empresas gigantes ou do governo. Um mundo completamente regulado e no qual a
alma é escravizada. Basta olhar o conteúdo que se pede nos concursos públicos
de acesso a cargos públicos. Eu vi em provas de português, de interpretação
de texto, serem propostos trechos da obra de Rousseau, o maldito, que pode
ter sido um bom revolucionário, mas nunca foi um mestre da língua portuguesa.
Quem não rezar na cartilha de Gramsci jamais será aprovado em concurso
público para cargos das carreiras de Estado. Do mesmo modo,
nas grandes corporações o processo é equivalente. A ciência da Administração
está tomada pelo politicamente correto. Cotas para tudo, servilismo diante do
Estado, o contador e o advogado são mais importantes na organização do que os
engenheiros de produção. O ideal de igualdade é o mantra de todos os manuais
de Administração. Admirável mundo novo, presente em qualquer grande empresa,
nacional ou internacional. É horrível o
processo em curso. É a burocratização de tudo. É dantesco o emburrecimento geral. Será preciso uma contra-revolução
política para corrigir esse desastre e ela começa e acaba na redução do
tamanho do Estado. Reduzir o Estado será também reduzir o poder das grandes
corporações e o ressurgir do poder empreendedor da gente miúda. É reduzir a judicialização de tudo, a desgraça do nosso tempo. O que
temos hoje é o fascismo econômico elevado à perfeição. Liberdade é
praticamente sinônimo de liberdade econômica, a grande lição de Adam Smith. |
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